UNISC 2016/2 - Globalização e exclusão: a dialética da mundialização do capital
A globalização primeiramente se refere à rede de produção e troca de mercadorias que se estabelece em nível mundial. Também designa o fenômeno do intercâmbio político, social e cultural entre as diversas nações, atualmente intensificado pelas profundas transformações decorrentes da aplicação das inovações científicas e tecnológicas na área da comunicação. É concebida, por muitos de seus ideólogos, como um novo patamar civilizatório e como um processo inexorável. Representaria também uma nova forma de organização das sociedades, capaz de superar as identidades nacionais e os particularismos religiosos, étnicos e regionais. No entanto, de forma contraditória, ressurgem com força inusitada, em vários locais do planeta, diversas manifestações fundamentalistas, racistas e terroristas que a humanidade considerava quase superadas.
Um primeiro questionamento, então, refere-se a se o fenômeno da “globalização” significa realmente algo “novo” ou representa desdobramentos de estruturas latentes já implícitas na própria constituição interna do sistema capitalista, cujas tendências já eram anteriormente conhecidas.
É evidente que seus mecanismos de atuação são conhecidos de longa data, mas é possível identificar alguns aspectos novos do fenômeno. Uma diferença importante entre o imperialismo e a globalização, é que enquanto a expansão imperialista do início do século XX era comandada pelas potências estatais, atualmente são os conglomerados privados internacionais os detentores reais do poder econômico, político e militar. Uma outra “novidade” é que a modernização tecnológica trouxe impactos consideráveis sobre os sistemas produtivos, os serviços e os meios de comunicação, tornando-os mais eficientes e dinâmicos.
A globalização parece novidade, mas não é. Marx já fazia referência às formas de expansão do capitalismo, ao mercado mundial e às transformações da grande indústria e dos monopólios, enfatizando o papel da burguesia no sentido de desenvolver o caráter internacionalista da produção e do consumo. O modo de produção capitalista precisa de dimensões mundiais para viabilizar sua produção e reprodução material e intelectual. A tendência do sistema capitalista à expansão contínua das forças produtivas é algo inato à sua constituição. No entanto, contraditoriamente, os obstáculos decorrentes das relações de produção (apropriação privada dos meios e riquezas geradas) explicam as constantes crises do sistema, cujas implicações hoje são mundiais.
Na verdade, a globalização hoje apresenta uma nova face, mas sua dinâmica foi estudada já no século XIX e no XX, principalmente por autores marxistas preocupados em explicar os mecanismos da acumulação do capital e da expansão dos monopólios imperialistas. A referência a fenômenos históricos anteriores não significa, porém, desconhecer a emergência de novas realidades e conceituações, pois, como bem assinala Alain Lipietz: é muito possível que o marxismo enquanto teoria social (convenientemente reelaborada) se mostre mais útil do que se imagina hoje (Lipietz, 1991, p.236).
A modernização da tecnologia, entre outros fatores, tem gerado profundas transformações nos processos produtivos e nas estratégias de reprodução do capitalismo, mas deve-se salientar que a estrutura básica do sistema opera através dos mesmos mecanismos. O processo de globalização, embora tenha se consolidado nas últimas décadas, já estava contido no capitalismo desde sua origem. Este modo de produção já nasceu com vocação internacional, pois a dinâmica da acumulação, concentração, centralização e internacionalização do capital faz parte da sua própria constituição e forma de expansão.
Tania Steren dos Santos. Professora do Departamento de Sociologia/UFRGS.http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222001000200008
Para a autora, a globalização
I – representa uma total inovação do capitalismo contemporâneo.
II – as grandes inovações tecnológicas e na área da comunicação romperam com a lógica territorial e com os particularismos nacionais.
III – na perspectiva de quem a sustenta, a globalização se constitui como um processo irrevogável, uma vez que dimensionou um novo patamar civilizatório.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente a afirmativa I está correta.
b) Somente a afirmativa II está correta.
c) Somente a afirmativa III está correta.
d) Todas as afirmativas estão corretas.
e) Somente as afirmativas II e III estão corretas.
RESPOSTA:
Letra E.
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