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sexta-feira, 30 de junho de 2017

IBGE lança versão WEB do Atlas Geográfico das Zonas Costeiras e Oceânicas do Brasil

O IBGE lança hoje a versão WEB do Atlas Geográfico das Zonas Costeiras e Oceânicas do Brasil. Em parceria com a Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM), a nova versão é voltada para estudantes e o público em geral, e contém informações sobre os oceanos e o litoral brasileiro, as dimensões histórica, demográfica, econômica, social, cultural e natural. Para acessar o aplicativo siga o link: http://www.ibge.gov.br/apps/atlasmar



De forma interativa, a versão digital do Atlas tem todas as informações da versão física, publicada em 2011. O objetivo é incentivar a sociedade a pensar, conhecer e valorizar o uso racional da biodiversidade e dos recursos minerais e energéticos presentes nas águas oceânicas, solo e subsolo marinhos, que constituem parte fundamental do desenvolvimento socioeconômico e da sustentabilidade ambiental do país em consonância ao ODS 14 “Vida no Mar” que trata da conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável.

Aplicativo permite navegação em ambiente interativo

A nova versão dá ao usuário acesso ao conjunto de mais de 120 mapas editorados e também às bases de dados. Também é permitido fazer download e consulta aos dados geográficos, estatísticos, além de analisar os mapas, podendo fazer navegação, alteração da escala de visualização, visualização e exportação de tabelas e arquivos gráficos, personalização do mapa, gerar imagens e salvar o ambiente de estudo.

O Atlas é estruturado em sete temas. O mar na história do Brasil ressalta a questão da expansão colonial portuguesa e a importância do mar na organização do espaço brasileiro. O Mapa geopolítico do Brasil aborda a posição relativa do Brasil no Atlântico e na América do Sul, explicitando os seus limites do Mar territorial, Zona contígua e Zona econômica exclusiva.

Ponta do Seixas, em João Pessoa (PB), é o extremo leste do Brasil Foto: Marco Antônio de Carvalho Oliveira.
A Evolução geológica dos oceanos detalha a origem e a estrutura tectônica atual das bacias oceânicas, assim como alguns resultados das últimas pesquisas na plataforma continental brasileira, além da questão do potencial de seus recursos minerais. As Características oceanográficas apresentam um quadro geral dos fenômenos oceanográficos no Atlântico, fundamentais ao entendimento das questões ambientais, costeiras e marinhas, no Brasil.

O tema Ecossistemas costeiros e marinhos ressalta a diversidade de ambientes costeiros e marinhos brasileiros, com particular relevância das áreas para conservação e uso sustentável de ecossistemas. A Diversidade de aspectos do litoral brasileiro apresenta mapas de 14 áreas de detalhe da costa brasileira, abrangendo diferentes ambientes e quatro mapas das ilhas oceânicas, e da distribuição de áreas urbanizadas no litoral brasileiro.

Por fim, o capítulo Questões transversais no estudo dos ambientes costeiros e oceânicos trata de vários temas socioeconômicos e sua relação com esses ambientes, abrangendo questões populacionais, turismo, balneabilidade, recursos pesqueiros, estrutura portuária, logística do petróleo e áreas de preservação e proteção ambiental.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Os Domínios Morfoclimáticos do Brasil

O Brasil, país tropical de grande extensão territorial, apresenta uma geografia marcada por grande diversidade. A interação e a interdependência entre os diversos elementos da paisagem (relevo, clima, vegetação, hidrografia, solo, fauna, etc.) explicam a existência dos chamados domínios geoecológicos, que podem ser entendidos como uma combinação ou síntese dos diversos elementos da natureza, individualizando uma determinada porção do território.

Dessa maneira, podemos reconhecer, no Brasil, a existência de seis grandes paisagens naturais: Domínio Amazônico, Domínio das Caatingas, Domínio dos Cerrados, Domínio dos Mares de Morros, Domínio das Araucárias e Domínio das Pradarias.

Entre os seis grandes domínios acima relacionados, inserem-se inúmeras faixas de transição, que apresentam elementos típicos de dois ou mais deles (Pantanal, Agreste, Cocais, etc.).

Dos elementos naturais, os que mais influenciam na formação de uma paisagem natural são o clima e o relevo; eles interferem e condicionam os demais elementos, embora sejam também por eles influenciados. A cobertura vegetal, que mais marca o aspecto visual de cada paisagem, é o elemento natural mais frágil e dependente dos demais (síntese da paisagem).

  • Domínio Amazônico
Localizado em sua maior parte na Região Norte do Brasil, esse domínio apresenta uma grande variedade de espécies animais e vegetais. 

O relevo é parte importante na distribuição geográfica desse domínio, pois como a área é formada por planícies e planaltos, podemos identificar três diferentes extratos na distribuição da vegetação:

- Igapó – área da floresta permanentemente alagada e onde encontramos espécies nativas como a vitória-régia, planta adaptada a essas condições de inundação.

- Mata de Várzea – áreas de inundações periódicas, de acordo com as cheias dos rios. Nesse extrato podemos destacar a presença de seringueiras (maniçoba e maçaranduba).

- Mata de Terra Firme – corresponde a áreas de terras mais altas onde encontramos árvores de grande porte, podendo atingir cerca de 65 metros. 
Atualmente, o desmatamento é a grande preocupação em relação a esse domínio, que vem sendo destruído por várias atividades econômicas, entre elas: crescimento da atividade agrícola, principalmente pelo cultivo de soja, aumento do número de pastagens, implantação de projetos de mineração e a realização de atividade madeireira. 

  • MARES DE MORRO
Localizada ao longo do litoral brasileiro, o domínio de mares de morros recebe esse nome em função de sua estrutura geológica. Formada por dobramentos cristalinos da Era Pré-Cambriana, esse relevo sofreu intensa ação erosiva ao longo dos milhões de anos, o que contribuiu para a formação de morros com vertentes arredondadas, chamadas de “morros em meia-laranja”.

A vegetação característica desse domínio é a Floresta Tropical Úmida ou Mata Atlântica, que possui cerca de 20 mil espécies de plantas, das quais 8 mil são consideradas endêmicas. 

Essa foi, com certeza, a vegetação que mais sofreu os efeitos da devastação ambiental, promovida desde o período colonial até os dias de hoje. Os principais fatores responsáveis por essa destruição foram:

- a extração de Pau-Brasil, realizada pelos portugueses;
- a expansão das atividades agrícolas;
- o crescimento urbano-industrial.

Como consequência desse processo de destruição, dos 100% da mata original resta hoje apenas cerca de 7%, distribuídos em blocos isolados ao longo do litoral. É comum que esses fragmentos sejam encontrados apenas em áreas de difícil acesso, como em encostas íngremes.

  • CERRADO
O cerrado estende-se, em sua maior parte, pelos planaltos e chapadões do Centro-Oeste brasileiro. O cerrado típico é formado de arbustos e árvores de médio porte que, em geral, apresentam-se bem afastados uns dos outros. Os troncos e galhos possuem um aspecto retorcido e com casca bastante grossa.

As queimadas, ao contrário do que muitos imaginam, para esse tipo de domínio é de certa forma importante, pois contribuem para a reciclagem de nutrientes e, consequentemente, fazem surgir novas espécies após a passagem do fogo.

Após a década de 1950, o cerrado passou por um intenso processo de degradação ambiental, associado à abertura de rodovias e a construção de Brasília. 

A expansão da fronteira agrícola é outro fator determinante para a ampliação do desmatamento. O cultivo da soja e a utilização de áreas do cerrado como pastagem contribuíram de maneira significativa para a ocorrência desse problema ambiental.

  • CAATINGA
Característica do sertão nordestino, esse tipo de domínio é específico dessa região, pois se relaciona diretamente ao clima semiárido, que apresenta baixos índices pluviométricos.

Essa vegetação é formada por plantas xerófilas, que são adaptadas a ambientes de clima seco e possuem a capacidade de armazenar água em seu interior. Além disso, os espinhos desses tipos de planta substituem as folhas, o que possibilita uma menor perda de água para o meio externo.

Depois da Mata Atlântica e do cerrado, a caatinga é o domínio morfoclimático mais alterado do Brasil, muito em função da utilização dessa região para a prática da agricultura e da criação de animais.

  • MATA DAS ARAUCÁRIAS
Localizada nas áreas de altitude da Região Sul do Brasil, a Mata das Araucárias ou dos Pinhais está associada a uma região de clima subtropical e, portanto, com temperaturas mais baixas se comparadas com as demais regiões do país.

O pinheiro-do-paraná, formação vegetal predominante, é uma das árvores nativas da região. Sua utilização, ao longo do século XIX, principalmente por imigrantes italianos e alemães, estava associada à construção de casas e móveis. 

Restam hoje menos de 10% da mata original, principalmente em razão da utilização da madeira pelas indústrias de papel e celulose e moveleira.

  • PRADARIAS
Também conhecido por Pampa ou Campanha Gaúcha, esse domínio é composto por uma vegetação rasteira, formada por herbáceas e gramíneas.

Localizado no sul do país, em especial no estado do Rio Grande do Sul, essa região exibe relevo suavemente ondulado (coxilhas), onde se desenvolvem práticas como a pecuária extensiva e a agricultura da soja e do trigo. O pisoteio constante do gado e a prática da monocultura, respectivamente, têm levado à compactação e à redução da fertilidade do solo, gerando áreas desertificadas.

Fonte: COC Educação e Globo.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

O Nordeste e suas sub-regiões

A região Nordeste é formada por nove estados, são eles: Bahia, Ceará, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Maranhão, Alagoas e Sergipe. Com distintas características físicas, sociais e econômicas entre seu território de mais de 1,5 milhão de km², o Nordeste se divide em quatro sub-regiões: Zona da Mata, Agreste, Sertão e Meio-Norte.
Devido à grande diversidade cultural, histórica, dentre outros aspectos que a distinguem, a região é classificada através de um senso comum, o que é uma forma preconceituosa de se referir ao povo nordestino. 

ZONA DA MATA
Localizada na faixa litorânea banhada pelo Oceano Atlântico, A Zona da Mata compreende ao trecho que se entende do Rio Grande do Norte ao Sul da Bahia. Essa sub-região apresenta a maior concentração populacional; é mais urbanizada e com melhor infraestrutura referente, sobretudo, à telecomunicação e aos transportes.

A sub-região apresenta a maior concentração de instituições administrativas do Nordeste, onde se concentram as maiores capitais; maior concentração na renda per capita; comércio e serviços são as principais atividades. Além desses aspectos, pode-se listar:
• Clima é tropical úmido, e o solo é fértil em razão da regularidade de chuvas (região intertropical);
• Vegetação natural é a Mata Atlântica, que sofre grande destruição;
• Atividade agrícola é diversificada, porém em latifúndios, constituídos em monoculturas, como a cana-de-açúcar, cacau, café, fumo, etc. Embora não se destaque nessa região como essas agriculturas intensivas, existem lavouras de substâncias de produção extensivas que não podem ser descartadas;
• Turismo é muito difundido na região, com praias exuberantes e clima quente durante grande parte do ano, devido à proximidade com a linha do equador; 
• Maior fluxo em relação a pessoas (sobretudo do turismo), mercadorias, informação, conhecimento, financeiro e comercial;
• Forte especulação imobiliária;
• Maior concentração de favelas;
• Maior concentração de instituições educacionais;
• Região com grande oportunidade de aplicação de energia sustentável, como a eólica (pelos ventos litorâneos e alísios); 
• Maior concentrador de problemas urbanos, como poluição atmosférica; trânsito; violência; ilhas de calor; emissão de resíduos; destruição da fauna e flora;
• Ocupação muito acelerada, vinculada ao processo histórico no litoral. Deve-se destacar que Salvador já foi a capital brasileira.

AGRESTE
O Agreste é a porção espacial que corresponde ao que se caracteriza de área de transição entre o Sertão semi-árido (com predominância de vegetação de Caatinga) e a Zona da Mata (constituída de Mata Atlântica). Entre algumas características principais estão: 
• Relevo acidentado, com destaque para a região denominada Planalto da Borborema;
• Estrutura fundiária formada com pequenas e médias propriedades, com prática de policultura (várias culturas agrícolas) e da pecuária extensiva (destaque para busca da expansão para o interior);
• Determinados espaços podem sofrer estiagens e secas sazonais; o regimes de chuvas é irregular e os rios são temporários;
• Ocupação relativamente lenta se comparada à Zona da Mata.
• A monocultura que se pode destacar nesta região é o algodão e café;
• Grande produção de alimentos;
• Cultivo do sisal (extração de fibras para a produção de tapetes, bolsas, cordas, etc.) 
• Atrações turísticas através de eventos relacionados a festas locais.

SERTÃO
O Sertão, apresenta-se como a área com maiores dificuldades econômicas do Nordeste. Grande parte desta sub-região está no que é denominado “polígono da seca”, sobre o centro da região Nordeste.
Entre algumas características principais, destacam-se:
• Baixo índice demográfico e forte dispersão demográfica (população espacialmente dispersa);
• Região com área de transição entre o Cerrado e a Caatinga, com regime de chuvas muito baixo e irregular, marcado por secas intensas (sazonais); 
• Vegetação predominante de caatinga;
• Essa região é dependente da água da bacia do rio São Francisco, considerada a única perene (constante) da região, seja para agricultura, consumo pessoal, pecuária ou geração de energia;
• As maiores concentrações populacionais desta região encontram-se nas proximidades do rio, neste caso, em vales, como o Cariri e São Francisco;
• Pecuária é extensiva, normalmente, ao corte (o gado sofre muito com a falta de água);
• A atividade agrícola concentra-se próxima aos recursos hídricos, assim possibilitando um cultivo irrigado na região, seja com frutas, flores, cana-de-açúcar, milho, feijão, algodão, etc. 
• Característica da Vegetação (caatinga), com arbustos (destaque para aroeira, angico e juazeiro); com Bromélias e Cactos (destaque para mandacaru e xique-xique do Sertão).

MEIO-NORTE
O Meio-norte é uma sub-região do Nordeste que está relacionada com a região político-administrativa do Norte. Este espaço constitui a maior parte do Maranhão e grande porção do Piauí (oeste do território).
Algumas características principais são: 
• Área de transição entre a Floresta Amazônia e o Cerrado. Ao mesmo tempo, também é área de transição entre o Cerrado e a Caatinga. Sendo assim, faixa de transição entre Amazônia e o sertão semi-árido do Nordeste;
• Sua vegetação é caracterizada por matas de cocais, carnaúba e babaçus;
• É nessa região que ocorre o movimento social das catadoras de coquinhos (que reivindicam contra os grandes latifundiários que monopolizam a terra e a produção, além da exploração de mão de obra)
• Índice pluviométrico relativamente alto, sobretudo, ao oeste. Isso ocorre pelo movimento da massa equatorial atlântica (MEA);
• A região sustenta o extrativismo vegetal, assim mantendo grande parte da mão de obra no campo. Tal processo ocorre em agriculturas na mata de cocais, destaque para o babaçu, e também em lavouras de algodão, cana-de-açúcar (diminuindo, mas ainda utilizando “boias frias”) e arroz (rizicultura);
• A pecuária é extensiva (rudimentar);
• Destruição da vegetação pelo uso intensivo de pastagens;
• A partir da extração da Carnaúba, pode-se retirar a cera, utilizada para inúmeras indústrias, seja de lubrificantes, plásticos, adesivos e perfumaria.

Fonte: globo.com

A fazenda que só produz alimentos orgânicos (e contrata apenas moradores de rua)

Na cidade de Atlanta, nos Estados Unidos, existe uma horta orgânica cultivada por moradores em situação de rua – simples, mas muito produtiva – que é usada para abastecer o local. Também já contamos por aqui, no The Greenest Post, sobre a horta cultivada pelos sem-teto em um abrigo da cidade de São Paulo. 



Na mesma linha dessas duas lindas iniciativas, a Verde Community Farmers Market, organização localizada em Miami, se uniu a estabelecimentos locais para gerar empregos para a população em situação de rua em hortas orgânicas. Os alimentos produzidos são destinados à venda e preparo de refeições em restaurantes locais.

Todo o investimento é voltado para treinamento e contratação dos sem-teto e para a manutenção do espaço onde são cultivados os alimentos: uma fazenda de 22 acres, que costumava ser uma base militar até 1992, quando houve o furacão Andrew nos Estados Unidos. Estima-se que, até o momento, com oito anos de funcionamento, a iniciativa já tenha beneficiado dez mil pessoas, sendo que 145 famílias têm a horta como sua principal fonte de renda.

Muitos dos trabalhadores tem pouca ou nenhuma experiência de trabalho e está é uma ótima oportunidade para aprender uma nova habilidade. Para Alma Santos e sua filha de 14 anos, que moraram e trabalharam na fazenda, a oportunidade “mudou para sempre” suas vidas e ainda tornou possível ajudar o próximo.

Apesar de existir desde 2008, foi apenas em 2014 que a Verde Community Farmers Market conquistou o selo de plantação orgânica. Toda a experiência da transação, manutenção e sustento da horta é compartilhada com pessoas que se interessam pelo tema e querem fazer uma visita. Não tem segredo, apenas o objetivo de tornar a ideia escalável. Para quem ficou interessado e tiver a oportunidade de ir para Miami, este é o endereço: 12690 SW 280th Street, Homestead, FL 33033.

Fonte: The Greenest Post.

Entenda o que são os chamados 'rios voadores' da Amazônia

Os rios voadores são “cursos de água atmosféricos”, formados por massas de ar carregadas de vapor de água, muitas vezes acompanhados por nuvens, e são propelidos pelos ventos. Essas correntes de ar invisíveis passam em cima das nossas cabeças carregando umidade da Bacia Amazônica para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil.

Essa umidade, nas condições meteorológicas propícias como uma frente fria vinda do sul, por exemplo, se transforma em chuva. É essa ação de transporte de enormes quantidades de vapor de água pelas correntes aéreas que recebe o nome de rios voadores – um termo que descreve perfeitamente, mas em termos poéticos, um fenômeno real que tem um impacto significante em nossas vidas.

A floresta amazônica funciona como uma bomba d’água. Ela puxa para dentro do continente a umidade evaporada pelo oceano Atlântico e carregada pelos ventos alíseos. Ao seguir terra adentro, a umidade cai como chuva sobre a floresta. Pela ação da evapotranspiração da árvores sob o sol tropical, a floresta devolve a água da chuva para a atmosfera na forma de vapor de água. Dessa forma, o ar é sempre recarregado com mais umidade, que continua sendo transportada rumo ao oeste para cair novamente como chuva mais adiante.

Propelidos em direção ao oeste, os rios voadores (massas de ar) recarregados de umidade – boa parte dela proveniente da evapotranspiração da floresta – encontram a barreira natural formada pela Cordilheira dos Andes. Eles se precipitam parcialmente nas encostas leste da cadeia de montanhas, formando as cabeceiras dos rios amazônicos. Porém, barrados pelo paredão de 4.000 metros de altura, os rios voadores, ainda transportando vapor de água, fazem a curva e partem em direção ao sul, rumo às regiões do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil e aos países vizinhos.

É assim que o regime de chuva e o clima do Brasil se deve muito a um acidente geográfico localizado fora do país! A chuva, claro, é de suma importância para nossa vida, nosso bem-estar e para a economia do país. Ela irriga as lavouras, enche os rios terrestres e as represas que fornecem nossa energia.

O caminho dos rios voadores. Fonte: Projeto Rios Voadores.
Por incrível que pareça, a quantidade de vapor de água evaporada pelas árvores da floresta amazônica pode ter a mesma ordem de grandeza, ou mais, que a vazão do rio Amazonas (200.000 m3/s), tudo isso graças aos serviços prestados da floresta.

Estudos promovidos pelo INPA já mostraram que uma árvore com copa de 10 metros de diâmetro é capaz de bombear para a atmosfera mais de 300 litros de água, em forma de vapor, em um único dia – ou seja, mais que o dobro da água que um brasileiro usa diariamente! Uma árvore maior, com copa de 20 metros de diâmetro, por exemplo, pode evapotranspirar bem mais de 1.000 litros por dia. Estima-se que haja 600 bilhões de árvores na Amazônia: imagine então quanta água a floresta toda está bombeando a cada 24 horas!

Todas as previsões indicam alterações importantes no clima da América do Sul em decorrência da substituição de florestas por agricultura ou pastos. Ao avançar cada vez mais por dentro da floresta, o agronegócio pode dar um tiro no próprio pé com a eventual perda de chuva imprescindível para as plantações.

O Brasil tem uma posição privilegiada no que diz respeito aos recursos hídricos. Porém, com o aquecimento global e as mudanças climáticas que ameaçam alterar regimes de chuva em escala mundial, é hora de analisarmos melhor os serviços ambientais prestados pela floresta amazônica antes que seja tarde demais.

Obs. O termo “rios voadores” foi popularizada pelo prof. José Marengo do CPTEC.

Fonte: Projeto Rios Voadores.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Sensacionalista: Após Temer chamar russos de soviéticos, História e Geografia voltam à grade obrigatória do Ensino Médio

O presidente Michel Temer cometeu mais uma gafe com os russos, desta vez Temer os chamou de “soviéticos”. O erro aconteceu pela segunda vez, já que durante a viagem oficial de Temer à Rússia, na semana passada, sua agenda oficial anunciava a viagem à União Soviética, que foi dissolvida em 1991. Após as gafes, as disciplinas de História e Geografia voltarão oficialmente à grade obrigatória do novo Ensino Médio.


— Estive agora em Moscou e verifiquei o interesse extraordinário dos empreendimentos soviéticos. O deputado federal Darcísio Perondi (PMDB-RS) esteve lá e verificou o interesse de empresários soviéticos e noruegueses pelo que está acontecendo no país — disse Temer nesta segunda-feira em uma coletiva no Palácio do Planalto.

Temer não estaria nada satisfeito com as gafes cometidas durante suas viagens oficiais. Na Noruega Temer disse que iria almoçar com o rei da Suécia, em vez de falar que almoçaria com o monarca da Noruega. Suécia e Noruega possuem uma rivalidade regional. Para evitar novas inconveniências com outros líderes mundiais, Temer deverá fazer o Enem ainda esse ano, na tentativa de conseguir retirar um novo diploma do Ensino Médio.


“A globalização é a melhor e a pior coisa que acontece à humanidade” – por Edgar Morin

Abaixo, uma fala de Edgar Morin que a Revista Pensar Contemporâneo selecionou do Fronteiras do Pensamento especialmente para os seus leitores:

“A primeira coisa que podemos pensar é que a atual crise econômica não é apenas uma crise econômica: ela está ligada a outras crises. Creio que, efetivamente, temos uma crise da civilização ocidental, temos uma crise das sociedades tradicionais que, sob a influência dessa máquina de ocidentalizar, que é o desenvolvimento, estão em crise. Temos crises demográficas, temos crise do pensamento, especialmente essa impotência do pensamento em saber o que acontece, e estamos, a grosso modo, em uma crise geral da humanidade, que assume formas diferentes, e cuja crise econômica é uma dessas formas.

A crise geral da humanidade é a crise da humanidade que não consegue se tornar humanidade. Por quê? Porque todos os processos que conduziram essa humanidade a se reunir em um mesmo destino comum são, ao mesmo tempo, processos que nos conduzem a catástrofes futuras. E aqui indico dois aspectos contraditórios ou aparentemente contraditórios da globalização. Ela é a pior das coisas e a melhor das coisas que podem acontecer à humanidade.

Por que a pior das coisas? Porque é um processo no qual a ciência permitiu à técnica desenvolver armas de destruição em massa que se multiplicam com uma possibilidade crescente de serem utilizadas, pois os fanatismos, os isolamentos étnicos, os fundamentalismos religiosos criam condições propícias não apenas para múltiplos conflitos, mas talvez para um grande conflito. Sabemos que o processo da nossa civilização técnica e da nossa economia conduziu à degradação da biosfera, à crise do meio ambiente que ainda somos capazes de deter e encontrar os meios de combatê-la.

Sabemos que a economia global, a economia globalizada, é uma economia que não tem nenhuma verdadeira regulação, e as crise que se sucedem desde 2008 nos mostram que essa regulação não existe. O capitalismo financeiro é o mais poderoso do que os Estados. Basta que uma agência de classificação de risco privada reduza a nota dos Estados Unidos para que o pânico tome conta das Bolsas de Valores e os Estados estremeçam incapazes de regular e debelar o que pode se tornar uma crise generalizada.

Os jovens “devem inventar novas formas de democracia”

Assim sendo, o mundo tem novas ameaças e, como esses processos se aceleram e se agravam, evidentemente a globalização é o pior, pois ela produz, nos conduz para catástrofes. Mas, ao mesmo tempo, ela é o melhor porque, pela primeira vez, todos os seres humanos, de todos os continentes, se encontram, sem que eles saibam, reunidos em uma mesma comunidade de destino. Sofrem os mesmo riscos, os mesmos problemas fundamentais, os mesmos problemas ecológicos, os mesmo problemas econômicos, os mesmo perigos vindos da possibilidade de guerras, e isso cria as condições para que nasça um novo mundo.

Essa é a missão, que Zygmunt Bauman conferia às gerações mais jovens, dizendo: “Vocês devem inventar novas formas de democracia”. Mas o problema é que se trata agora de inventar uma sociedade, em escala mundial, que não seja feita sobre o modelo de Estados nacionais, que não seja uma espécie de super, de mega Estado mundial a partir do modelo dos Estados nacionais.

Uma nova forma de organização política, assim como a democracia ateniense era uma democracia de cidades pequenas, de alguns cidadãos se transformou em democracia das nações. Hoje há sociedade a ser criada na qual talvez a Internet possa desempenhar um papel nessa democracia. Assim sendo, temos um problema absolutamente vital e fundamental que a comunidade de destino mundial nos revela a possibilidade, talvez, de criar um mundo novo.

Algumas vozes já se levantaram

E a ideia de humanidade não nos deve fazer esquecer de que fazemos parte de uma nação, de um povo, de uma civilização, mas que o mundo da humanidade é um mundo que tem sua unidade na própria diversidade e a sua diversidade em sua unidade. Acredito que o caminho, repito, não é um caminho traçado. Isso quer dizer que podemos tentar uma direção. E, toda decisão, toda escolha humana contém uma aposta. A ideia de aposta é muito importante. Devemos apostar sem parar. Mas apostar também significa ser capaz de uma estratégia para retificar o caminho que tomamos se percebermos que nos equivocamos.

Nada está assegurado, nada está determinado, nada está garantido, mas, ao mesmo tempo, uma nova humanidade é possível, um mundo melhor é possível. Não o melhor dos mundos, não há um mundo perfeito. É um mundo que sempre terá suas carências, suas lacunas, que carregará a tragédia ou a morte, mas sabemos hoje que um mundo melhor é possível. Improvável, mas possível. Esse é o caminho: a esperança”. Edgar Morin

Confira toda a fala de Morin no vídeo abaixo.


Fonte: Pensar Contemporâneo.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Parabéns aos professores de Geografia! (26/6) é o Dia do Professor de Geografia

Parabéns aos professores de Geografia! 

(26/6) é o Dia do Professor de Geografia no Brasil. Ele foi estabelecido em 1979 pela Lei nº 6664 que regulamenta a profissão de Geógrafo. 
Imagem: Geógrafo brasileiro Milton Santos em imagem do acervo da TV Brasil/Fonte: Wikimedia Commons.

domingo, 25 de junho de 2017

Pasta de 11 GB de livros de Geografia, Grátis para baixar.

Via Biblioteca Popular Aberta 
Pasta de 11 GB de livros de Geografia. Os livros já estão disponíveis para download
Bons estudos e divirtam-se!

quarta-feira, 21 de junho de 2017

E o exército americano chegará à Amazônia?

Soldados norte-americanos participam de exercício militar na Hungria, em 2015. É esta operação que os defensores do convite a Washington veem como modelo para a Amazônia

Governo convida Washington para exercícios militares na região. Setores das forças armadas brasileiras resistem. Mas Temer tem planos vastos de “integração” com os EUA


Por Raúl Zibechi | Tradução: Inês Castilho

Pela primeira vez na história, tropas dos Estados Unidos participam de um exercício militar no coração da Amazônia. Trata-se do AmazonLog, que acontecerá entre 6 e 13 de novembro no município brasileiro de Tabatinga, situado na margem esquerda do rio Solimões, na tríplice fronteira entre Peru, Brasil e Colômbia. Os exercícios militares não têm precedentes na América Latina. A proposta tem como referência a operação da OTAN realizada na Hungria em 2015, que empenhou 1.700 militares numa simulação de apoio logístico. Os objetivos são controle da imigração ilegal, assistência humanitária em grandes eventos, operações de paz em regiões remotas, ações contra o tráfico de drogas e os chamados “delitos ambientais”.

“O lugar escolhido foi Tabatinga porque queremos mostrar ao mundo as dificuldades da nossa Amazônia”, disse o general do Exército do Brasil, Guilherme Cals Theophilo. O que ele não disse foi que mostrarão também os segredos mais bem guardados da região considerada pulmão do planeta, a mais rica em água e biodiversidade. Acrescentou que este é o momento para ensinar como as florestas tropicais são úteis para um “debate científico e tecnológico” relacionado à paz e à guerra.

Foram convidadas as forças armadas da Colômbia, Argentina, Bolívia, Peru, Equador, Chile, Uruguai, Estados Unidos, Panamá e Canadá. Foram também convidados o Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS), pertencente à Unasul, assim como a Junta Interamericana de Defesa, que orbita em torno do Pentágono.

A realização desses exercícios supõe três mudanças importantes, duas das quais afetam diretamente o Brasil e a terceira diz respeito a toda a região.

A primeira é que o Brasil era, até agora, muito cuidadoso na proteção da Amazônia. Diz uma mensagem que circula entre militares: “Convidar as Forças Armadas dos EUA para fazer exercícios conjuntos com nossas Forças Armadas, na Amazônia, é como um crime de lesa pátria. Ensinar ao inimigo como combatemos na selva amazônica é alta traição”, divulgou o jornal Zero Hora.

Nelson Düring, diretor de uma página militar, ressalta que os exercícios são “um retrocesso que confunde a inserção brasileira nos assuntos internacionais”. O especialista em questões militares recorda que “até aqui não eram aceitos militares estrangeiros no Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS). Agora já temos norte-americanos, europeus e até chineses”. Conclui em sintonia com as vozes críticas: “O Brasil deve preservar seus segredos”. Os setores nacionalistas das Forças Armadas temem que a base multinacional temporária que se estabelecerá em Tabatinga possa converter-se em permanente, como aconteceu na Hungria em 2015.

Em segundo lugar, o AmazonLog 2017 reflete uma inflexão nas relações militares entre Washington e Brasília. Um acordo militar foi firmado entre os dois países em 1952, assinado pelos presidentes Harry Truman e Getúlio Vargas, para a troca de armamentos por minerais estratégicos como o urânio. Era um momento de fortes pressões dos EUA para impedir que o Brasil desenvolvesse sua própria tecnologia nuclear.

Em 11 de março de 1977, o presidente militar Ernesto Geisel denunciou o tratado, uma vez que o governo Jimmy Carter interferiu nos assuntos internos com o argumento de defender os direitos humanos. Em 1989 essa distância aumentou. João Roberto Martins Filho, ex-presidente da Associação Brasileira de Estudos de Defesa, afirmou que “desde o fim da guerra fria o Brasil separou-se dos EUA, que de aliado estratégico passou de repente a atuar como superpotência única. Isso provocou uma reação de hiperdefesa da Amazônia.”



Com a chegada de Donald Trump e de Michel Temer à presidência dos EUA e do Brasil, as relações estão mudando. Os exercícios conjuntos de novembro são apenas a parte mais visível da aproximação na área de defesa. Em março, o chefe do Comando Sul, Clarence K.K. Chinn, foi condecorado em Brasília com a Medalha do Mérito Militar e visitou as instalações do Comando Militar da Amazônia, onde serão realizados os exercícios do AmazonLog.

A Embraer, principal empresa brasileira de defesa, firmou em abril um acordo com a estadunidense Rockwell Collins na área aeroespacial, e o Comando de Engenharia, Desenvolvimento e Pesquisa do Exército dos EUA abriu um escritório em São Paulo para aprofundar as relações de pesquisa e inovação em tecnologias de defesa. No dia 3 de abril o ministério da Defesa do Brasil anunciou que está desenvolvendo um “projeto de defesa” conjunto com os EUA, conforme informação da CNN.

Finalmente, registra-se um retrocesso no processo de integração regional. No marco da Unasul, espaço sul-americano em que os EUA não participam, foi criado em 2008 o Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS) com o objetivo de consolidar uma zona de paz sul-americana, construir uma visão comum em matéria de defesa e articular posições regionais em fóruns multilaterais.

O CDS apontava para a autonomia regional em matéria de defesa. Consolidava a ruptura com o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR), de 1947, que refletia a dominação dos EUA sobre o continente. O TIAR deslegitimou-se durante a guerra das Malvinas (1982), já que os EUA apoiaram a Inglaterra. Com os anos, vários países saíram do TIAR: Peru, México, Bolívia, Cuba, Venezuela, Nicarágua e Equador. Agora o novo governo do Brasil convida para os exercícios do AmazonLog tanto o CDS como a Junta Interamericana de Defesa, que pertence à OEA. Desse modo, legitimam-se os espaços em que o Pentágono participa e diluem-se os espaços próprios da região sul-americana. Um jogo nada sutil em momentos críticos, nos quais a região precisa estabelecer distância de Washington e afirmar sua identidade.

Fonte: Outras Palavras.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Inverno começa nesta quarta, com previsão de El Niño de baixa intensidade

O inverno no Hemisfério Sul começa nesta quarta-feira (21) à 1h24. A estação, que segue até o dia 22 de setembro às 17h02, é marcada por um período menos chuvoso nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e na maior parte do Norte do país. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), neste ano as chances de ocorrência do fenômeno El Niño diminuíram no último mês. Mesmo que haja confirmação do fenômeno, ele será de baixa intensidade.
O período também se caracteriza pela chegada de massas de ar frio, procedentes do Sul do continente, que derrubam as temperaturas. Essa queda pode provocar formação de geadas no Sul, Sudeste e em Mato Grosso do Sul; neve nas áreas serranas e de planalto no Sul do país; e friagem em Rondônia, no Acre e sul do Amazonas.

Estradas e aeroportos devem sofrer impactos pela formação de nevoeiros e/ou névoa úmida nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, que reduzem a visibilidade no período da manhã. Com a redução das chuvas, diminui a umidade do ar, que favorece o aumento de queimadas e incêndios florestais, assim como a ocorrência de doenças respiratórias.

Regiões

Na Região Centro-Oeste, o período seco já começou. A tendência é de que a umidade relativa do ar nos próximos meses fique abaixo de 30%, com picos mínimos abaixo de 20%. No Distrito Federal, por exemplo, que já enfrenta racionamento de água, a situação pode piorar. As chuvas devem ficar entre normal e abaixo da média para o inverno. O período seco deve vir acompanhado de temperaturas médias acima do normal, devido à permanência de massa de ar seco e quente, especialmente entre agosto e setembro.

O tempo seco também será uma característica da Região Sudeste para os meses de inverno, especialmente em Minas Gerais. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia é de que as chuvas devem permanecer dentro do esperado para o período, exceto em São Paulo e no sul do Rio de Janeiro, onde podem ocorrer acima da média. As temperaturas devem permanecer acima da média em grande parte da região, mas, em alguns pontos, massas de ar frio podem provocar declínio acentuado da temperatura e formação de geada.

No Sul do país, as chuvas foram acima da média no outono. O volume máximo ocorreu no noroeste do Rio Grande do Sul. Na segunda quinzena de abril, houve intenso resfriamento, com temperaturas abaixo de zero. Segundo o Inmet, na segunda semana de junho houve registro de neve na serra catarinense, devido à forte massa de ar de origem polar.

O Paraná, Santa Catarina e o nordeste do Rio Grande do Sul devem ter chuvas acima da média. O aumento de frentes frias vai contribuir para maiores variações de temperatura ao longo dos próximos três meses. Mesmo assim, elas se mantêm de normal a abaixo da média, o que favorecerá as geadas, mas devem ser menos intensas do que em 2016. “Novos episódios de neve podem ocorrer, principalmente em julho, nas áreas propícias ao fenômeno”, diz o Prognóstico de Inverno do Inmet.

A Região Norte deve permanecer com chuvas, variando de normal a abaixo do esperado. As exceções são o nordeste de Roraima e o centro-norte do Pará. Além disso, de acordo com o instituto, a possibilidade de ocorrência de temperaturas médias abaixo do normal favorecerão a incidência de friagem, principalmente no sul do Amazonas, Acre e de Rondônia.

No outono, as chuvas ocorreram com maior intensidade no leste da Região Nordeste, principalmente em Pernambuco, Alagoas, Sergipe e parte da Bahia. Segundo o Inmet, acumulados de chuva muito acima da média são comuns na área. O mesmo ocorreu nos anos de 1966, 1975, 1985 e 2009. O órgão chama a atenção para o fato de que a estação chuvosa na região segue até agosto, favorecendo a ocorrência de chuvas que podem ultrapassar o volume de 100 milímetros em um único dia.

Haverá predomínio de áreas com maior probabilidade de chuva dentro da faixa normal ou levemente abaixo do esperado para a estação. “As temperaturas estarão mais amenas ao longo da costa. No interior da região, começa o período seco, com temperaturas altas e baixos índices de umidade relativa”, diz o texto do prognóstico.

Camila Maciel - Repórter da Agência Brasil.
Edição: Graça Adjuto.

Solstício marca início oficial do inverno e traz a noite mais longa do ano

Neste ano, o Inverno começa oficialmente no próximo dia 21 de junho, às 1h24, horário de Brasília, quando ocorre o Solstício de Inverno e termina no dia 22 de setembro, quando acontece o Equinócio da Primavera, no Hemisfério Sul.

De acordo com a pesquisadora Josina Nascimento, da Coordenação de Astronomia e Astrofísica do Observatório Nacional (ON), as diferentes estações do ano ocorrem por causa da inclinação do eixo da Terra em relação ao plano de sua órbita em torno do Sol. Por causa disso, quando é Verão no Hemisfério Sul os raios solares incidem de forma perpendicular ao Trópico de Capricórnio (veja a fig.1) e nessa mesma época é Inverno no Hemisfério Norte.

Os raios solares incidem perpendicularmente ao Trópico de Capricórnio e é Verão no Hemisfério Sul. Os raios solares incidem perpendicularmente ao Trópico de Câncer e é Inverno no Hemisfério Sul.
Inversamente, quando é Inverno no Hemisfério Sul os raios solares incidem de forma perpendicular ao Trópico de Câncer e é Verão no Hemisfério Norte. (veja a fig.2 ).

No Inverno, além das temperaturas mais baixas, notamos que as noites são mais longas e os dias são menores. À medida que a Primavera se aproxima, o comprimento dos dias vai aumentado até que no equinócio as noites e os dias tem o mesmo comprimento. O comprimento dos dias aumenta até o solstício de Verão e depois torna a diminuir até ficar igual ao comprimento da noite no equinócio de Outono.
O horário do início das estações varia a cada ano. De acordo com Josina, essa diferença se deve ao período de translação da Terra – aproximadamente 365 dias e 6 horas, ou precisamente 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 46,08 segundos. A cada quatro anos, ocorre o ano bissexto, com 366 dias para compensar essa defasagem.

Fonte: Jornal do Brasil.

V Congresso Nacional de Educação Ambiental e VII Encontro Nordestino de Biogeografia

Os quatro elementos da natureza na sustentabilidade dos biomas brasileiros.

De 9 a 12 de outubro de 2017 em João Pessoa, Paraíba - PB, acontecerá o V Congresso Nacional de Educação Ambiental e VII Encontro Nordestino de Biogeografia.




O V CNEA e VII ENBio são uma realização da Universidade Federal da Paraíba, possibilitando aos participantes desenvolver reflexões e apresentar proposições para conter a exploração desmesurada dos bens naturais, visando o equilíbrio da natureza e a equidade social. As atividades programadas incluem conferências, palestras, mostra de vídeos, grupos de trabalhos, cursos especiais e publicações dos artigos com ISBN.

Participe! Para maiores informações e inscrições acesse o site oficial do evento:

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Livro "Climatologia do Brasil" - Edmon Nimer - Faça o seu download aqui!




Download - PDF: Nimer, Edmon. Climatologia do Brasil. IBGE, Departamento de Recursos Naturais e Estudos Ambientais, 1989. 422 p.

O presente volume constitui uma série de importantes estudos a respeito da Climatologia do Brasil, não só pelas substanciadas informações nele contidas, mas, principalmente pelo modo que o autor procura enfatizar a moderna orientação metodológica da climatologia dinâmica, cujos princípios básicos apoiam-se nos estudos das massas de ar. 

Esta moderna linha de investigação pode ser perfeitamente observada no capítulo em que se estuda a precipitação pluviométrica no Cariri cearense, onde o autor chama a atenção para o fato de que a análise estatística da precipitação fundamenta-se na variabilidade das condições climáticas, fugindo daquela visão tradicional fornecida pelo estudo das "normais climatológicas", ou seja, pela análise dos valores médios de um longo período de observação, cujos resultados representam um esboço do quadro climático de uma determinada região, principalmente ao se considerar a pluviosidade nas regiões tropicais, caracterizada por uma grande variabilidade. 

Na verdade, a preocupação de direcionar as pesquisas climatológicas para o campo da climatologia . dinâmica é uma constante ao longo deste volume, mesmo porque o clima é, em sua essência, um fenômeno dinâmico.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Geografia para Crianças na TV: National Geographic Kids chega ao Brasil

Fox lançará canal National Geographic Kids no Brasil em breve: 01 de Setembro de 2017 é a data prevista.

A partir de Setembro deste ano, o Brasil vai pode acessar o canal de TV (por assinatura) de uma das marcas mais reconhecidas em todo o mundo, agora também coma  programação infantil.

Construído sobre os pilares da National Geographic e criado no mesmo espírito, NatGeo Kids é um canal destinado a crianças de quatro a sete anos para desfrutar os conteúdos de ciência, exploração, aventura e preservação do meio ambiente. 

De sua casa, a qualquer hora, através de qualquer dispositivo, on e off line, a NatGeo Kids devem disponibilizar completos episódios, vídeos, jogos e imagens para acompanhar o crescimento do público.

"Nossa missão é despertar a curiosidade das crianças", disse Diego Reck, diretor de marketing do Grupo Fox (na América Latina).

NatGeo Kids: As Aventuras de Blinky Bill.
A série apresenta histórias de conservação da natureza através das atividades de Blinky Bill e dos seus familiares e amigos.

Assim, o grupo entra em um novo segmento de mercado: as crianças. "O lançamento do NatGeo Kids é uma oportunidade que nos permite oferecer aos nossos clientes na América Latina conteúdo exclusivo com a qualidade da National Geographic,  disse Carlos Maríinez , presidente do Grupo Fox (na América Latina).

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Qual é a origem dos nomes dos países da América do Sul?



HOMENAGEM AO DESCOBRIDOR

Colômbia significa algo como “Terra de Colombo”, numa homenagem óbvia ao navegador italiano Cristóvão Colombo (1451-1506), que, como todo mundo sabe, descobriu o continente americano em 1492.

DIVISÃO IGUALITÁRIA

O Equador foi batizado com o mesmo nome da linha imaginária que atravessa seu território e corta o nosso planeta ao meio. A palavra deriva do latim aequus, ou “igual”, numa referência à divisão da Terra em duas partes iguais, os hemisférios Norte e Sul.

POLÊMICA INCA

A origem do nome Peru é controversa, com duas interpretações conflitantes. A primeira afirma que se trata de derivação do nome Birú, um importante chefe inca. Para a segunda, a mesma palavra significa também “terra de riqueza e esperança”.

HERÓI LIBERTADOR

O general e estadista Simon Bolívar (1783-1830) tornou-se um dos principais heróis sul-americanos ao lutar pela independência de vários países da região, inclusive da própria Bolívia, batizada em homenagem a seu libertador.

O FIM DA TERRA

Antes mesmo da colonização, o Chile já era chamado assim pelos índios aimarás, que habitavam o norte do país. Na língua deles, a palavra chilli quer dizer “onde acaba a terra”, referência à posição geográfica do território: o extremo oeste do continente.

PEQUENA VENEZA

A Venezuela deve seu nome a Américo Vespúcio (1454-1512), explorador italiano naturalizado espanhol. Ao visitar a região, ele encontrou indígenas que construíam suas casas em palafitas sobre as águas do lago Maracaibo, no noroeste do país. Isso o fez chamar o lugar de “Pequena Veneza”: Venezuela.

PRATA FARTA

A Argentina impressionou seus descobridores pela grande quantidade de riquezas minerais encontradas em seu solo, principalmente prata. Daí vem seu nome, inspirado em argentum: prata, em latim.

ADEUS INDÍGENA

O Suriname tomou seu nome dos índios surinen, habitantes originais da região. Uma lembrança triste, uma vez que, quando os primeiros exploradores ali chegaram, a tribo já havia praticamente desaparecido, expulsa e dizimada por outros grupos indígenas que passaram a ocupar a área.

TERRA DAS ÁGUAS

A Guiana e sua vizinha Guiana Francesa – situadas entre os rios Orinoco, Amazonas e Negro, além de serem banhadas pelo Oceano Atlântico – eram conhecidas pelos nativos como guyana, termo que, em seu idioma, significa “terra de muitas águas”. A Guiana Francesa obviamente leva esse adjetivo por ser possessão da França.

ÁRVORE EM BRASA

Essa aqui é moleza, hein? Produto de grande importância comercial no século XVI, a árvore de pau-brasil batizou nosso país, onde os colonizadores portugueses encontraram florestas fartas dessa madeira. “Brasil” quer dizer algo como “em brasa”, referência à forte coloração avermelhada do tronco, utilizado para fazer corante.

O RIO É REI

O Uruguai acabou ganhando o mesmo nome que os índios tupis e guaranis haviam dado ao grande rio que atravessa seu território. No idioma deles, a palavra significa “rio dos caracóis”.

CAMPEÕES AQUÁTICOS

Quando o Paraguai foi descoberto pelos espanhóis, a região era habitada por índios chamados payaguaes. Excelentes nadadores e hábeis navegadores, eles viviam às margens do rio que dava nome à tribo. O termo pode ser traduzido como “rabo de mar”, “rio ornado” ou “rio que dá origem ao mar” – mas também identifica um tipo de papagaio.

Fonte: Mundo Estranho.

Qual a origem dos nomes dos continentes?

África, Ásia, Europa e Oceania são nomes emprestados de divindades gregas. Europa, segundo a mitologia grega, foi uma ninfa muito bela que despertou os amores de Zeus, deus-rei do Olimpo. Arrebatado pela paixão, ele transformou-se em touro branco e raptou-a.


A Ásia e a Oceania não são continentes próximos apenas na geografia. As divindades que têm esse nome também são parentes. Oceano, o deus dos rios, deu origem à Oceama, e sua filha Asia, mãe das fontes e rios, ao continente de mesmo nome.

África é uma deusa com porte oriental que carrega um chifre numa mão e um escorpião na outra. Ao contrário dos outros continentes, a América e a Antártida têm origens pagãs. Nas cartas que o explorador Américo Vespúcio (1454-1512) enviou ao monarca italiano Lorenzo di Piero de Mediei (1492-1519), existe um mapa no qual as terras do nordeste brasileiro, supostamente descobertas por Vespúcio, são designadas Terra Ameriei, ou Terra de Américo.

Para harmonizar-se com os outros nomes femininos, Américo tomou-seAmérica. Antártida deve a denominação a uma estrela. A palavra deriva do grego árktos, que significa ursa, usada para denominar as constelações da Ursa, no hemisfério norte. Como o continente está no hemisfério sul, acrescentou-se o prefixo anti. Antártida é, então, o antiártico.

Fonte: Revista Superinteressante.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Qual é a Origem dos Nomes dos Estados Brasileiros?

Os Estados brasileiros foram batizados de acordo com basicamente três fontes: nomes indígenas relacionados à região, acidentes geográficos ou nomes de santos. Veja a origem de cada um.

Acre - o nome provavelmente vem de 'aquiri', corruptela de 'uwákürü', vocábulo do dialeto Ipurinã que denominava um rio local. Conta a História que, em 1878, o colonizador João Gabriel de Carvalho Melo fez um pedido por escrito a um comerciante paraense de mercadorias destinadas à 'boca do rio Aquiri'. Só que o comerciante não entendeu a letra de Melo, que parecia ter escrito algo como 'acri' ou 'aqri', e as compras foram entregues ao colonizador com o destino 'rio acre'

Alagoas - deriva dos numerosos lagos e lagoas que banham a região. Só Maceió, a capital, possui 17 lagoas, entre mais de 30 em todo o Estado

Amapá - a origem desse nome é controversa. Na língua tupi, o nome Amapá significa 'o lugar da chuva' - 'ama' (chuva) e 'paba' (lugar, estância, morada). A tradição diz, no entanto, que o nome teria vindo do nheengatu, uma espécie de dialeto tupi jesuítico, que significa 'terra que acaba', ou seja: 'ilha'. Também pode se referir à árvore amapá (Hancornia amapa), muito comum na região. Sua seiva é usada como fortificante e estimulador do apetite

Amazonas - o nome, que se transmitiu do rio à região e, depois, ao Estado, deve-se ao explorador espanhol Francisco de Orellana que, em 1541, ao chegar à região, teve de guerrear com uma tribo indígena. O cronista da expedição relatou que os guerreiros eram, na verdade, bravas índias. Elas foram comparadas às amazonas, mulheres guerreiras que, segundo lenda grega, retiravam o seio direito para melhor manejarem o arco-e-flecha

Bahia - deriva da Baía de Todos os Santos, região onde atracou uma esquadra portuguesa em 1º de novembro de 1501, dia dedicado a Todos os Santos. Em 1534, quando o Brasil foi dividido em capitanias, havia uma orientação para que elas fossem batizadas com nomes dos acidentes mais notáveis nos seus territórios

Ceará - vem de 'ciará' ou 'siará' - 'canto da jandaia', em tupi, um tipo de papagaio pequeno e grasnador

Espírito Santo - o Estado originou-se de uma capitania doada a Vasco Fernandes Coutinho, que chegou à região no dia 23 de maio de 1535, um domingo do Espírito Santo (ou Pentecostes, 50 dias após a Páscoa), razão pela qual a capitania recebeu esse nome

Goiás - deriva do nome dos índios guaiás, que ocupavam a região no final do século 16, quando lá chegaram os bandeirantes em busca de ouro

Maranhão - outro nome com origem controversa. Uma das hipóteses é que venha do nheengatu 'mara-nhã', outra é que tenha origem no tupi 'mbarã-nhana' ou 'pára-nhana', que significa 'rio que corre'. Outra possível origem está no cajueiro, árvore típica da região conhecida como 'marañón' em espanhol

Mato Grosso - a denominação tem origem em meados da década de 1730 e foi dada pelos bandeirantes que chegaram a uma região onde as matas eram muito espessas. Embora a vegetação do Estado não seja cerrada e densa em toda a sua superfície, o nome foi mantido e se tornou oficial a partir de 1748

Mato Grosso do Sul - a criação do Estado é resultado de um longo movimento separatista que teve sua origem em 1889, quando alguns políticos propuseram a transferência da capital de Mato Grosso para Corumbá. Na primeira metade do século 20, com a chegada de seringueiros, criadores de gado e exploradores de erva-mate à Região Sul, ficou clara a diferença entre as duas metades do Estado. E em 1977 ele foi desmembrado

Minas Gerais - a existência na região de inúmeras minas com metais preciosos, descobertas pela exploração dos bandeirantes paulistas no final do século 18, deu origem ao nome do Estado. O motivo da junção do adjetivo 'gerais' para 'minas' pode ser por conta dos vários tipos de minérios ou também para diferenciar das minas particulares

Pará - vem da palavra tupi 'pa'ra', que significa 'mar'. Esse foi o nome dados pelos índios para o braço direito do rio Amazonas que, ao confluir com o Rio Tocantins, se alonga muito parecendo o mar

Paraíba - vem da junção do tupi 'pa'ra' com 'a'iba', que significa 'ruim, impraticável para a navegação'. O nome foi inicialmente dado ao rio e depois ao Estado

Paraná - também formado pela junção de 'pa'ra' com 'aña', que significa 'semelhante, parecido'. A palavra serviria para designar um rio semelhante ao mar

Pernambuco - o nome vem do tupi-guarani 'paranambuco', junção de 'para'nã' (rio caudaloso) e 'pu'ka' (rebentar, furar) e significa 'buraco no mar'. Os índios usavam 
essa palavra para os navios que furavam a barreira de recifes

Piauí - do tupi 'pi'awa' ou 'pi('ra)'awa', que significa 'piau, peixe grande', com 'i' (rio). Ou seja, rio das piabas ou dos piaus

Rio de Janeiro - em 1º de janeiro de 1502, uma expedição portuguesa sob o comando de Gaspar Lemos chegou ao que lhes parecia a foz de um grande rio, denominando o local como Rio de Janeiro, ao que é, na realidade, a entrada da barra da Baía de Guanabara

Rio Grande do Norte - recebeu esse nome por conta do tamanho do Rio Potengi

Rio Grande do Sul - primeiro chamado São Pedro do Rio Grande, por causa do canal que liga a lagoa dos Patos ao oceano.

Rondônia - originalmente criado como Território do Guaporé em 1943, trocou de nome em 17 de fevereiro de 1956, em homenagem ao marechal Cândido Rondon (1865-1958), que desbravou a região

Roraima - nome indígena local que significa serra verde ou monte verde. A palavra é formada pela junção de 'roro' ou 'rora' (verde) com 'imã' (serra ou monte)

São Paulo - o nome está relacionado com a data de fundação do Real Colégio de São Paulo de Piratininga, em 25 de janeiro de 1554, que originou a cidade de São Paulo. Essa data é comemorada pela Igreja Católica como o dia da conversão de Paulo ao cristianismo

Sergipe - do tupi 'si'ri-ï-pe', que significa 'rio dos siris'

Santa Catarina - há duas possíveis origens para o nome. A primeira se refere a Sebastião Caboto, italiano a serviço da Espanha, que chegou à ilha por volta de 1526 e teria lhe dado esse nome em homenagem a sua mulher Catarina Medrano. Alguns historiadores, entretanto, acreditam que se trata de um oferecimento a Santa Catarina de Alexandria, festejada pela Igreja no dia 25 de novembro

Tocantins - nome de um grupo indígena que teria habitado a região junto à foz do Rio Tocantins. A palavra tupi significa 'bico de tucano'.

Porto Rico decide ser 51º estado americano; medida depende de aprovação dos EUA

Eleitores de Porto Rico foram às urnas nesse domingo (11) para que a ilha se torne o 51º estado dos Estados Unidos. A abstenção no plebiscito foi alta, mas mesmo assim 98% dos moradores da ilha disseram sim à união com Washington. Mesmo assim o cenário é indefinido para a ilha caribenha. De um total de 2,2 milhões de eleitores registrados, cerca de meio milhão saiu para votar na consulta.

O governador de Porto Rico, Ricardo Rosselló (ao centro), e a representante sem direito a voto da ilha na Câmara de Representantes em Washington, Jenniffer González (a terceira à esquerda),
comemoram o resultado do referendo para que a ilha se torne um estado norte-americanoThais Llorca/ EFE.

O referendo foi realizado sem o aval do Departamento de Justiça norte-americano. Até o momento, a Casa Branca não se pronunciou sobre o resultado.

A votação aconteceu no mesmo dia do tradicional desfile anual em Nova York. No segundo domingo de junho, os portorriquenhos residentes na cidade vão ao Central Park (o parque mais visitado da cidade) para celebrar o Dia de Porto Rico, que é um território sem personalidade jurídica, vinculado aos Estados Unidos.

Este ano, além da tradicional festa com música e danças, os portorriquenhos protestaram por melhores condições de vida e saúde e pediram uma solução para a situação econômica da ilha que acumula uma alta dívida externa.

Porto Rico foi tomada da Espanha pelos Estados Unidos, mas depois recebeu o estatuto de "estado livre associado", o que significa que os cidadãos também são americanos, mas com algumas ressalvas. A população não pode votar, a menos que resida nos Estados Unidos.

Mesmo com o referendo, a última palavra será de Washington: a aceitação de Porto Rico como estado depende de aprovação do Congresso norte-americano, onde o partido republicano de Donald Trump tem maioria no Senado e na Câmara.

A gestão do presidente Trump tem apontado para um distanciamento dos latinos, com medidas como a construção de um muro na fronteira com o México e o endurecimento das leis de imigração. O presidente Donald Trump não fez nenhum comentário sobre o referendo até agora.

Mas em abril, antes de enviar a proposta orçamentária ao congresso, Trump reclamou dos gastos com a ilha, por exemplo, o Obamacare, como ficou conhecido o programa de subsídios do governo para ajudar famílias a pagar um plano de saúde, que atendia 900 mil portorriquenhos.

*Matéria e título atualizados às 12h40 para correção de informações.
Leandra Felipe - Correspondente da Agência Brasil.
Edição: Lidia Neves

sexta-feira, 9 de junho de 2017

III OBG - Olimpíada Brasileira de Geografia

A Geo-Brasil 2017 tem muitas novidades!!!

Agora a participação é por equipes e teremos uma fase presencial. Além disso, ocorrerá em simultâneo a III Olimpíada Brasileira de Geografia e a I Olimpíada Brasileira de Ciências da Terra. 
Outra novidade é que as equipes vencedoras poderão participar da iGeo 2018 em Quebec no Canadá e da IESO 2018 na Tailândia.


O período de inscrição para a III OBG e I OBCT será entre os dias 01 de junho a 30 de julho de 201

Todos os estudantes das escolas públicas e particulares do Brasil, desde o 9° ano do Ensino Fundamental até o 3º ano do Ensino Médio, podem participar da seleção nacional da OGB. A idade máxima dos estudantes participantes é de 18 anos completos até dia 30 de Junho 2017.


quarta-feira, 7 de junho de 2017

O que está por trás do isolamento do Catar?

Por Diana Hodali

Foram Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Egito que suspenderam as relações com o Catar, mas foi o próprio presidente norte-americano, Donald Trump, a dar a direção da atual crise: em maio, em sua primeira visita ao exterior, ele fortaleceu a posição de poder saudita na região.

Paz na capital Doha sobreviverá à crise?
"O Irã financia, arma e treina terroristas, mercenários e outros grupos extremistas", afirmou Trump em Riad, em relação ao maior inimigo regional da Arábia Saudita. O rei saudita, Salman Ibn Abd-Aziz, mostrou-se entusiasmado com a intenção de Trump de formar um novo front contra o Irã. E o pequeno emirado do Catar é agora o primeiro a sentir isso na pele.

Por que? A justificativa oficial para a ruptura é que Catar apoiaria o terrorismo do Estado Islâmico (EI), da Irmandade Muçulmana e do grupo radical palestino Hamas, assim como de grupos extremistas na região de Qatif, no leste da Arábia Saudita, e no Bahrein.

Para Riad e seus aliados, o emirado de colocar em risco a estabilidade e a segurança na região. Numa mensagem no Twitter, o presidente dos EUA definiu a investida contra o Catar como "talvez o início do fim" do terror. E declarou-se satisfeito de que sua visita a Riad tenha rendido resultados tão imediatos.

Extraoficialmente, contudo, a questão não parece ser tanto o terrorismo, mas sim a relação entre Doha e Teerã, que há muito é uma pedra no sapato para os dirigentes sauditas. A nova crise se acirrou quando, algumas semanas atrás, o emir do Catar, Tamim bin Hamad al-Thani, se pronunciou de forma positiva sobre o papel estabilizador do Irã na região do Golfo Pérsico.

Mais tarde, a mídia saudita noticiou, indignada, que o ministro do Exterior do Catar, Mohammed Bin Abdulrahman al-Thani, se encontrara com o chefe da tropa de elite das Guardas Revolucionárias iranianas. Além disso, Doha teria parabenizado o presidente do Irã, Hassan Rohani, por sua reeleição.

Na terça-feira, o chanceler do Catar declarou na emissora Al Jazeera que rechaça qualquer tipo de ingerência por outros países do Golfo, embora não deseje uma escalada da atual crise. Além dos EUA, também o Kuwait se ofereceu para mediar o conflito.

Sunitas versus xiitas

Riad pensa ter em Donald Trump novamente um presidente americano do seu lado, para, juntos, colocarem o Irã no devido lugar – ao contrário do antecessor democrata Barack Obama, que firmou um acordo nuclear com Teerã.

Trump foi recebido em maio último pelo rei saudita, Salman Ibn Abd-Aziz (Mandel Ngan/AFP)
"Estamos vendo a primeira conta da viagem de Trump à Arábia Saudita", comentou o político do Partido Verde alemão Omid Nouripour à agência de notícias Reuters. "Depois do apoio demonstrativo dos EUA, a Arábia Saudita impõe agora com dureza seu papel de potência ordenadora na região."

Há muito o governo sunita-wahabita em Riad acusa o vizinho xiita Irã de interferir em seus assuntos, a fim de desestabilizar o reino e ampliar a própria influência no Oriente Médio. Um dos motivos para temer tal coisa é que a minoria xiita reprimida no leste saudita poderia se sentir encorajada a iniciar um levante – justamente lá onde se encontram importantes reservas de petróleo.

Também o Bahrein teme uma influência excessiva dos xiitas iranianos, uma vez que o país é liderado por sunitas, embora a maioria da população seja xiita. Além disso, Teerã ampliou consideravelmente seu papel no Iraque e na Síria durante a guerra civil síria. Mais do que nunca, a Arábia Saudita se sente cercada.

Independência política

Riad conta há muito com aliados confiáveis no mundo árabe-islâmico, tendo os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein inteiramente do seu lado. Afinal de contas, os sauditas dominam o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC). Também o Egito, com seu governo autocrático dependente das bilionárias injeções de capital saudita, em geral se mostra um parceiro fiel. Ainda assim, em 2016 Cairo intensificou as relações com Teerã, para desgosto dos sauditas.

A independência política do pequeno emirado do Catar, com seus menos de 3 milhões de habitantes, vem incomodando a liderança saudita há um bom tempo. Sob o reinado do xeique Hamad bin Khalifa al-Thani, as relações com Teerã se estreitaram consideravelmente, entre 1995 e 2013.

Seu filho Tamin aparentemente seguiu cultivando esse relacionamento. O que não é de espantar, pois tanto o Catar quanto o Irã reivindicam para si e compartilham o maior depósito de gás natural do Golfo Pérsico, a jazida South Pars ou North Dome. Apesar de os catarianos não contarem como aliados de Teerã, Riad acusa Doha de colocar os próprios interesses diante dos do GCC.

Além disso, ao fundar a emissora panárabe Al Jazeera, o xeique Hamad bin Khalifa conferiu a seu país um caráter moderno e autoconfiança política. Em 2011, o canal de TV irradiou imagens dos primeiros protestos da assim chamada "Primavera Árabe". O fato enfureceu Riad seriamente, pois na programação em idioma árabe da Al Jazeera, o Catar não ocultava sua simpatia pela Irmandade Muçulmana, a qual, na visão do clero saudita, ameaça o domínio wahabita.

Portanto é improvável e não há provas de que Doha tenha apoiado o EI, o qual, em parte, invoca as ideologias wahabitas. Por outro lado é sabido que particulares tanto catarianos quanto sauditas forneceram dinheiro aos jihadistas.

Catar encurralado

Arábia Saudita, Emirados Árabes, Bahrein e Egito estarem agora voltando as costas ao Catar não é um mero gesto de ameaça, mas sim para encurralar o país. Os catarianos dependem basicamente de importações, e em especial no tocante a gêneros alimentícios seus principais fornecedores são a Arábia Saudita e os Emirados.

A companhia aérea Qatar Airways não tem mais permissão para aterrissar ou levantar voo em nenhum desses países; os sauditas excluíram o Exército catariano de sua aliança militar na guerra do Iêmen. A realização da Copa do Mundo de 2022 no emirado está igualmente em questão, inclusive dentro da federação internacional de futebol Fifa, devido às acusações de apoio ao terror. Até mesmo o futuro da Al Jazeera é incerto.

Consta que, em carta oficial, a Arábia Saudita teria negado a legitimidade religiosa da dinastia Thani, que rege o Catar. Para alguns especialistas, isso já equivale a uma conclamação à derrubada dos governantes. O emir catariano se encontra diante de uma das mais graves crises já atravessadas por sua família.

Enquanto isso, Riad se sente tão seguro pelo apoio de Trump, que até procura convencer Washington a retirar do Catar a base aérea de Udayd, a maior instalação militar americana da região, com mais de 10 mil soldados.

Cabe perguntar de que modo justamente este presidente dos Estados Unidos será capaz de sanar a atual crise, desencadeada por sua visita de maio a Riad.

Fonte: Carta Capital.

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