PETS

sexta-feira, 31 de março de 2017

Dez empresas são donas de quase tudo o que você consome; saiba quais são

Divulgação dos dados veio no âmbito da campanha “Behind the Brands”, que monitora a atuação das marcas em relação à atuação nas áreas de transparência, respeito a mulheres, produtores e trabalhadores, terreno de plantio, controle do uso da água e clima

Um infográfico divulgado pela ONG britânica Oxfam revela que dez empresas do ramo alimentício controlam praticamente todas as marcas que populações do mundo inteiro compram e consomem.

As empresas são Nestlé, PepsiCo, Coca-Cola, Unilever, Danone, General Mills, Kellogg's, Mars, Associated British Foods e Mondelez; todas elas têm operações no Brasil, com diferentes produtos.



A divulgação dos dados veio no âmbito da campanha “Behind the Brands”, que monitora a atuação das marcas em relação à atuação nas áreas de transparência, respeito a mulheres, produtores e trabalhadores, terreno de plantio, controle do uso da água e clima. A ideia, com o infográfico, é conscientizar consumidores sobre as ações das marcas que consomem.

Fonte:Opera Mundi.

terça-feira, 28 de março de 2017

Este mapa incrível mostra os clássicos da literatura mundial

Cada país é representado por sua principal obra


Qual é a principal obra literária de cada país? O usuário Backfoward24, do Reddit, tentou responder a essa pergunta de forma criativa: criando um mapa-múndi no qual cada parte do mundo é representada por um livro clássico ali produzido.

O Brasil, por exemplo, é representado por Dom Casmurro, de Machado de Assis. Já os Estados Unidos e o Canadá são ilustrados pelos livros O Sol é para Todos, de Harper Lee, e Anne de Green Gables, de Lucy Maud Montgomery, respectivamente. O escolhido para a Rússia foi Guerra e Paz, de Liev Tolstói, e o da França, Os Miseráveis, de Victor Hugo.




Claro que o mapa está sujeito a diferentes interpretações, já que cada país possui várias obras marcantes. O bacana do projeto de Backfoward24 é a possibilidade de conhecer novos títulos e autores de diferentes partes do mundo. Confira — e veja a imagem em alta resolução aqui.

Fonte: Revista Galileu.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Especialistas temem queda de concursos públicos na educação após terceirização

A sanção do projeto de lei que libera a terceirização para todas as atividades de empresas poderá, na avaliação de especialistas, levar à redução de concursos públicos na área da educação e fortalecer a administração de escolas por Organizações Sociais (OS), que poderão também cuidar da contratação de professores. A questão gera polêmica entre sindicatos, que temem uma desvalorização dos docentes, e desperta discussões jurídicas sobre a viabilidade desse tipo de contratação.


Aprovado na semana passada pela Câmara dos Deputados, o projeto, que aguarda sanção presidencial, prevê a contratação terceirizada de trabalhadores sem restrições em empresas privadas e na administração pública. O empresariado apoia a medida e por entender que poderá ajudar na recuperação do emprego no país. O diretor do Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF), Cleber Soares, no entanto, teme que a medida tenha impacto negativo na educação com a redução de investimento e precarização do trabalho.

“O trabalhador passa a ser descartável. O reflexo, em um primeiro momento, é que o professor vai trabalhar muito, mas não se sabe quanto tempo conseguirá manter o ritmo. Vai adoecer e vai acabar sendo demitido. E vai sair sem nenhum amparo”, diz Soares.

A situação do magistério no Brasil é frágil, sobretudo na educação básica: o professor brasileiro recebe menos que a média mundial, e as avaliações mostram, ano a ano, que a qualidade do ensino precisa melhorar para garantir a aprendizagem. A rotina de trabalho dos professores, em muitos locais do país, é estafante. Dados da última edição da Prova Brasil, em 2015, mostram que a maioria dos professores trabalha 40 horas ou mais (66%) e que 40% deles lecionam em duas ou mais escolas. Pelo menos um terço (34%) tinha remuneração básica abaixo do que é determinado pela Lei do Piso (Lei 11.738/2008) para aquele ano, que era de R$ 1.917,78.

Para o professor Remi Castioni, da Universidade de Brasília (UnB), especialista em políticas públicas em educação, a terceirização deverá ocorrer nas escolas por meio da parceria com as chamadas OSs, algo que não é novo no setor. Essa possibilidade foi estabelecido na Emenda 20/1995, julgada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado. Segundo o professor, com a emenda, o projeto aprovado semana passada pouco deverá mudar o cenário público juridicamente.

Ele afirma, porém, que, em um cenário de crise econômica, municípios e estados podem acabar recorrendo às OSs ou à terceirização por questões financeiras, por já terem atingido os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal e por não poderem abrir concursos. “Diminui-se o comprometimento com pessoal e recorre-se a pessoas jurídicas para continuar ofertando o serviço. Estados e municípios vão lançar mão disso. É muito mais por necessidade de diminuir [gastos] e não sofrer sanções por parte do Tesouro. Acaba sendo melhor terceirizar ou contratar OSs.”

Recentemente, o governo de Goiás propôs um sistema de administração de escolas por OSs. O anúncio da medida gerou uma onda de ocupações e manifestações de professores e estudantes. As OSs são entidades privadas, sem fins lucrativos. Neste modelo, os repasses públicos passam a ser feitos às entidades que são responsáveis pela manutenção das escolas e pela garantia do bom desempenho dos estudantes nas avaliações feitas pelo estado. As OSs também ficam responsáveis pela contratação de professores e funcionários.

Escolas

A diretora da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), Amábile Pacios, diz que o setor privado ainda analisa juridicamente o que pode ocorrer com a nova medida. Ela ressalta, no entanto, que deve haver um cuidado grande na hora de contratar profissionais terceirizados. “As escolas têm resistência a contratar funcionários terceirizados, vão ter também com professores”, diz. Segundo Amábile, na educação básica, há resistência à terceirização exatamente pela importância do contato dos funcionários com os alunos. "É importante que porteiros, faxineiros conheçam os estudantes, as famílias.”

O presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Idilvan Alencar, defende também o vínculo do professor. “Pela natureza das escolas públicas, é muito importante o vínculo efetivo dos professores para que seja possível o contínuo processo de formação em serviço, motivação para atuar em todo o território nacional entre outros fatores que tornam o fortalecimento da carreira de docente estratégica para garantir uma educação de qualidade.”

Legislação

Para a professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Direito Rio Juliana Bracks, o texto aprovado pela Câmara ainda precisará de esclarecimentos para que seja possível avaliar o real impacto da medida na educação. Juliana lembra que, caso uma escola privada queira terceirizar professores terá que obedecer a algumas regras. Se o professor for cobrado em relação ao cumprimento de horários ou outros comportamentos, isso configurará uma relação direta. Ele poderá então recorrer à Justiça trabalhista. “A partir do momento que o contratado trata com contratante com horário, por exemplo, acabou, o professor passa a ter vínculo direto.”

A questão muda no setor público, uma vez que não há relação direta entre o trabalhador e o ente federado. “Teremos um problema grave se os entes públicos saírem terceirizando a torto e a direito em vez de fazer concurso público. Não posso substituir a força de trabalho por concurso e terceirizar, criando uma relação mais leve e isenta de algumas responsabilidades”, diz.

De acordo com Juliana, a situação se agravará, caso seja aprovado pelo STF, o Recurso Extraordinário 760.931, que discute a responsabilidade subsidiária da administração pública por encargos trabalhistas gerados pelo inadimplemento de empresa terceirizada. O recurso chegou a ser votado e houve empate. O desempate caberá ao ministro recém-empossado Alexandre de Moraes. “Se a terceirizada quebrar e sequer o Estado tiver responsabilidade, os trabalhadores estarão abandonados”, enfatiza Juliana.

Empresários e governo

Para o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a aprovação do projeto flexibiliza as regras para terceirização de mão de obra e vai facilitar a contratação de trabalhadores. “Ajuda muito porque facilita a contratação de mão de obra temporária, facilita a expansão do emprego. Empresas resistem à possibilidade de aumentar o emprego devido a alguns aspectos de rigidez das leis trabalhistas”, disse no último dia 21.

Após a aprovação do projeto pelos deputados, vários setores da economia manifestaram-se a favor da terceirização. De acordo com os empresários, a contratação de trabalhadores terceirizados, inclusive na atividade-fim, permitirá aumento da competitividade e geração de emprego.

Edição: Amanda Cieglinski

Reforma da Previdência vai esvaziar combate à pobreza no campo

Quatro vezes maior que a Bolsa Família, a aposentadoria é o principal mecanismo de distribuição de renda na área rural. Com reforma, miséria deve aumentar

Antes de se aposentar, o agricultor Espedito Eusébio de Souza, 73 anos, percorria a pé 60 quilômetros do interior do Piauí até a divisa de Pernambuco em busca de “uma diariazinha aqui e outra acolá”. Desde que começou a receber sua aposentadoria rural, a seca deixou de ser motivo para medidas desesperadas. Primeiro porque ele não depende mais da pequena plantação de milho e feijão, ameaçada pela estiagem. Depois porque ele conseguiu pagar, em parcelas, R$ 4.800 por um poço artesiano.

Espedito escapou das estatísticas da extrema pobreza e passou a ser “apenas” pobre ao entrar para o grupo das 9,5 milhões de pessoas beneficiadas pela Previdência Rural, que conta com um orçamento quatro vezes maior que o Bolsa Família. “A Previdência Rural é o mecanismo mais importante de distribuição de renda e de redução das desigualdades, do ponto de vista regional e social”, afirma Guilherme Delgado, economista, ex-pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) e um dos maiores estudiosos brasileiros sobre a questão agrária.
Espedito e sua família saíram da linha da extrema pobreza quando ele e sua mulher se aposentaram.
As regras previstas na reforma da Previdência do governo federal colocam em risco esse que é considerado um dos mais importantes mecanismos de combate à desigualdade. Para entender quem são os beneficiados pela Previdência Rural, e quais seriam as consequências dessas mudanças, a Repórter Brasil passou quatro dias em Paulistana, no Piauí, o município com o maior índice de aposentados rurais do Brasil. Na cidade de 20 mil habitantes, 37% deles recebem o benefício.

É ali, na zona rural dessa cidade do semiárido nordestino, que Espedito vive. Com a renda da aposentadoria, sua família saiu do grupo de aproximadamente 7,3 milhões de trabalhadores rurais brasileiros que vivem na miséria.

A antiga situação de miséria de agricultores como Espedito é amenizada pela previdência rural. Apesar de estar presente em apenas 30% dos domicílios no campo, o programa contribui com um terço da redução da pobreza rural nos últimos anos, segundo Alexandre Arbex, pesquisador do Ipea.

Ampliada com a Constituição de 1988, a previdência rural brasileira beneficia hoje 9,5 milhões de moradores do campo – metade deles do Nordeste e um quarto da região do semiárido, segundo cálculos de Delgado.

Aposentadorias rurais impulsionam economia de pequenas cidades
As vendas do comerciante João Batista Oliveira aumentam 40% na época do pagamento das aposentadorias.
Além da redução da miséria, a Previdência Rural tem outro impacto claro: o estímulo à economia de pequenas cidades. “Se acabarem com as aposentadorias, 90% do comércio de toda a cidade será fechada”, calcula o comerciante João Batista Oliveira, que abriu há cinco anos uma loja de insumos agrícolas em Paulistana. Suas vendas aumentam 40% na época do pagamento dos benefícios.

Joaquim Júlio, proprietário de uma farmácia na cidade, também se preocupa com os possíveis efeitos futuros da reforma da Previdência. “Por conta das secas desde 2012, o que segura a venda são as aposentadorias. A maioria dos nossos clientes são aposentados,” diz o comerciante.

Apenas com as aposentadorias rurais, foram injetados em Paulistana R$ 77,7 milhões no ano passado, valor 59% maior do que a arrecadação total da Prefeitura, de cerca de R$ 46,2 milhões em 2015. O comércio é especialmente aquecido entre os dias 25 e 10 de cada mês – quando são pagos os benefícios do INSS e do Bolsa Família.

O prefeito da cidade, Gilberto José de Melo (PROS), conhecido como Didiu, também é comerciante, e confirma a percepção dos vendedores da cidade. “Antigamente, quando as aposentadorias eram de meio salário mínimo, não dava para nada. Quando passou a ser de um mínimo [com a Constituição de 1988], os comerciantes viram o dinheiro circular”, afirma.

A importância desses benefícios é semelhante em outras cidades do porte de Paulistana. A aposentadoria rural impacta diretamente a economia das cidades com menos de 50 mil habitantes, onde vivem 65 milhões de brasileiros. É nelas onde está a maior parte dos aposentados rurais: 4,7 milhões, o equivalente a 69% do total. Somente no ano passado, o INSS pagou R$ 49,2 bilhões a aposentados que vivem na zona rural dessas pequenas cidades.
Mudanças do governo colocam Previdência Rural em risco
Maria Tereza, mulher de Espedito, nunca recebeu Bolsa Família.
Em seu segundo mandato, o prefeito de Paulistana começou a entrevista sinalizando ser favorável à reforma da Previdência. Disse que os ajustes, apoiados pelo seu partido no Congresso, são necessários. No entanto, quando detalhamos os impactos das mudanças previstas sobre a população rural, ele titubeia. “Eu diria que é muito difícil para o povo da nossa região pagar contribuição previdenciária todo mês. São pessoas muito sofridas, muitos não têm condições para quase nada. Fui trabalhador da roça também, conheço essa realidade,” diz o prefeito.

Essas mudanças, até então desconhecidas pelo prefeito, foram propostas pelo governo Michel Temer em dezembro do ano passado. A reforma da previdência propõe duas alterações principais nos benefícios rurais: aumentar a idade mínima da aposentadoria para 65 anos para homens e mulheres (hoje homens podem se aposentar com 60 anos e as mulheres com 55) e exigir contribuição individual e obrigatória por 25 anos. Atualmente, aqueles que se dedicam à agricultura familiar e plantam apenas para subsistência, como Espedito e sua mulher, podem se aposentar sem contribuições, mas comprovando 15 anos de atividades agrícolas ou de vida na zona rural.


A proposta, caso aprovada, não teria impactos só no campo, mas na economia brasileira como um tudo e, a longo prazo, na produção de alimentos. Simulações feitas pela Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura) mostram que, caso essas regras valessem hoje, cerca de 60% dos atuais aposentados brasileiros não teriam esse benefício – por não terem condições de contribuir mensalmente.

Contribuição individual pode significar o fim da aposentadoria rural
Maria das Graças Conceição Almeida, que vive basicamente de Bolsa Família, afirma que não tem condições de contribuir mensalmente.

Obrigar cada trabalhador a contribuir para a Previdência Rural significaria praticamente acabar com esse benefício, segundo Evandro Morello, assessor jurídico da Contag. “A reforma vai aumentar a pobreza no campo e estimular o êxodo rural. Pode também impactar na produção de alimentos básicos. Pode ainda gerar, a longo prazo, aumento de preços e impactar na arrecadação de no comércio dos pequenos municípios”, diz Morello. A agricultura familiar responde por 70% dos alimentos que chegam à mesa do brasileiro, segundo o Censo Agropecuário, de 2006, última vez que o levantamento foi feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Estudo do Ministério do Desenvolvimento Agrário mostra ainda que 83,6% dos ocupados agrícolas brasileiros não contribuem à Previdência, já que a maioria deles, 67%, não são assalariados. Portanto, se as regras propostas valessem hoje, a maioria dos aposentados rurais brasileiros seria excluída da previdência.

Apesar de a reforma não detalhar de quanto seria a contribuição mensal dos trabalhadores rurais, o secretário de acompanhamento econômico do Ministério da Fazenda, Mansueto Almeida, disse na última segunda-feira (20) à imprensa que a ideia é cobrar, no máximo, 5% do salário mínimo (ou R$ 46,85).

Para a maior parte dos trabalhadores rurais é impossível contribuir com esse valor. Como mostra o caso de outra moradora de Paulistana, Maria das Graças Conceição Almeida, 51. Ela vive basicamente da renda do Bolsa Família. Recebe R$ 156 por mês, além de R$ 248 e R$ 124 para cada uma de suas filhas. Quando lhe pergunto se teria dinheiro para contribuir mensalmente ao INSS para se aposentar, ela sorri de maneira tensa antes de responder. “Tem como, não. É pesado. Outro dia estava precisando de 20 reais para comprar um leite para esses meninos e não achei. Todo mês, não tem como. É absurdo,” diz a agricultura.

O casebre onde Maria mora, construído a cerca de 25 quilômetros da sede da cidade, não tem água encanada ou poço artesiano, e a sua pequena plantação de feijão corre o risco de não dar safra por causa da estiagem. Sua cisterna está vazia e a família toma banho em um barreiro que tem nas redondezas. A situação era amenizada por uma renda que vinha justamente da aposentadoria rural. “Quem me ajudava muito era a minha mãe, aposentada. Mas ela morreu há um ano. Sinto uma falta”, diz a agricultora.

Reforma iguala situações distintas
Em Paulistana, adolescentes pastoreiam o gado.

A mudança na idade mínima é outro ponto que põe em risco a previdência rural, já que iguala trabalhadores urbanos e rurais, apesar da situação de ambos ser completamente diferente. Primeiro, porque cerca de 75% dos moradores da zona rural brasileira começam a trabalhar antes dos 14 anos de idade, de acordo com o estudo ‘Estatísticas do meio rural’, publicado em 2011 pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Segundo, porque o trabalho em zonas rurais é mais desgastante. Foi considerando essas diferenças que a Constituição de 1988 permitiu que os trabalhadores rurais se aposentassem cinco anos antes dos urbanos (na aposentadoria por idade). “O trabalho no campo é árduo e penoso, não tem hora para começar e nem para parar; quando esses trabalhadores chegam a 55 e 60 anos já estão com sua capacidade laboral bastante comprometida e com muitos problemas de saúde”, afirma José Wilson Gonçalves, secretário de Políticas Sociais da Contag.

Há ainda uma contradição nas mudanças propostas pelo governo: o mesmo Estado que gasta recursos com o Bolsa Família cobraria dessas mesmas pessoas contribuição previdenciária. “É distribuir com uma mão e tirar com a outra”, analisa Arbex.

Empresas contribuem pouco com a Previdência
Apenas com aposentadorias rurais, foram injetados em Paulistana R$ 77,7 milhões em 2016, valor 59% maior do que a arrecadação total.

Apesar da sua importância social, a previdência rural é criticada como a principal responsável pelo chamado déficit da Previdência. No ano passado o INSS pagou R$ 108,6 bilhões em benefícios rurais e arrecadou R$ 7,9 bilhões. Já a previdência urbana foi superavitária por oito anos, até 2015.

O plano nunca foi, porém, para que essa conta “fechasse”. Segundo a Constituição de 1988, a Seguridade Social é financiada por contribuições dos trabalhadores assalariados, das empresas e também de toda a sociedade. O sistema previdenciário, então, se estruturou sob a lógica de bem-estar social e de solidariedade. Segundo a Constituição, é toda a sociedade, e não apenas os trabalhadores e as empresas, que sustentam o sistema.

A previdência rural possui outras fontes de financiamento que são pouco exploradas, devido a grande quantidade de empresas isentas e até mesmo de sonegação. Quando foi criada durante a ditadura militar com o nome de Funrural, a Previdência Rural começou com a cobrança obrigatória de 1% da produção vendida pelos trabalhadores do campo. Na prática, beneficiou apenas os empregados da indústria canavieira, que se aposentavam com meio salário mínimo. Foi apenas em 1971 que o governo começou a permitir a aposentadoria de trabalhadores da agricultura familiar, sem a obrigatoriedade da contribuição. O sistema era bancado pela contribuição sobre a produção vendida – quando vendida – e também das empresas que contratavam agricultores.

Essa política rompeu com a lógica de que a aposentadoria deve corresponder a uma contribuição obrigatória do segurado e equivaler ao padrão de seus rendimentos. O benefício, porém, era destinado a apenas um membro da família – o que praticamente excluía as mulheres do campo da seguridade.

Foi com a Constituição de 1988 que o valor da aposentadoria subiu para um salário mínimo, e as trabalhadoras rurais passaram a ter direito a se aposentar. “Não é um exagero dizer que o aposento rural contribuiu para a emancipação da mulher”, afirma Tadeu Arrais, autor do livro ‘Risco Social no Espaço Rural’.

Atualmente, trabalhadores do campo assalariados – que representam apenas 33% do total – são obrigados a contribuir à Previdência. Além disso, produtores rurais que vendem sua produção também devem destinar 2% do valor vendido ao INSS. Essa alíquota, no entanto, é retida pela empresa compradora, responsável pelo repasse aos cofres da Previdência. “A fragilidade desse sistema é deixar o repasse na mão da empresa, porque incentiva a fraude. Além disso, boa parte da produção é vendida de forma informal, sem notas”, afirma Júnior César Dias, pesquisador do Dieese.

Outra questão que colabora para a baixa arrecadação da previdência rural são as desonerações às empresas exportadoras de produtos agrícolas. Elas deixaram de recolher R$ 5,9 bilhões ao INSS em 2015, segundo a Receita Federal.



Enquanto parlamentares debatem a Previdência, e movimentos sociais protestam em todo o país contra a reforma, Espedito me conta da primeira vez que trabalhou na vida. Tinha sete anos. Passou uma semana agachado sob o sol, tirando a terra dos buracos cavados pelo pai, onde entrariam galhos retorcidos para uma cerca de pau a pique, de pé até hoje nos arredores da sua casa.

Naqueles tempos, não conhecia café nem açúcar. Tomava chá de mucunã, uma semente roliça e avermelhada que catava no mato para depois macerar e lavar em nove águas. De doce, apenas o mel de munduri, quando tinham a sorte de encontrar um favo por aí.

Com a aposentadoria, mais do que subir um degrau no porão da escala social brasileira, Espedito e Maria Tereza puderam fazer planos, investir em um poço artesiano, trocar a telha da casa, dar ração para as cabras e comprar remédios. Puderam também ajudar suas duas filhas e três netos a terem diariamente leite, cuscuz, tomate, arroz, feijão, açúcar e um mínimo de dignidade. “Agora, pelo menos temos o café certo no fim do mês”.

Rio Amazonas é mais velho do que se pensava; gigante tem 9 milhões de anos

Cientistas da UnB (Universidade de Brasília) e da Universidade de Amsterdã chegaram à conclusão de que a idade do rio Amazonas está entre 9,4 milhões a 9 milhões de anos. Os resultados do estudo foram publicados na revista Global and Planetary Change nesta semana.
Estimativas propostas em literatura recente diziam que o rio seria mais jovem (cerca de 2,6 milhões de anos) e um estudo anterior com base nessa mesma perfuração falava em 1 milhão a 1,5 milhão de anos.

O novo estudo fez uma análise geoquímica e palinologia (estudo de grãos de pólen e esporos) de sedimentos de uma perfuração para exploração marinha de hidrocarbonetos que atingiu 4,5 km abaixo do nível do mar. “Aplicamos técnicas de análise de alta resolução que não haviam sido usadas antes na região”, diz Farid Chemale, um dos pesquisadores envolvidos no estudo.

Eles observaram uma mudança diferente na composição dos sedimentos e matéria residual de plantas durante o período do final do Mioceno (9,4 a 9 milhões de anos). Isso representa uma mudança na área do rio desde as terras baixas tropicais até o alto dos Andes, revelando o início do rio Amazonas.

Maior bacia do mundo

O rio Amazonas contribui com um quinto do abastecimento de água dos oceanos e tem a maior bacia hidrográfica do mundo. O início do rio representa um momento de definição da reorganização da paleogeografia da América do Sul, formando tanto uma ponta quanto uma divisão para a biota na paisagem amazônica.

A história do rio Amazonas e da bacia são difíceis de desvendar, pois os registros continentais são escassos e fragmentados. Os registros marinhos são mais completos, mas o acesso a eles é difíiacute;cil.

Os sedimentos na proximidade de grandes rios geralmente guardam registros contínuos de material terrestre acumulado pelo rio ao longo do tempo. Esses registros fornecem material fundamental para o estudo do clima, da geografia e da evolução do bioma terrestre.

A pesquisa faz parte do projeto Clim-Amazon, que une cientistas brasileiros e europeus para estudar clima e geodinâmica dos sedimentos da bacia do Rio Amazonas.

Fonte: UOL / Amazonas.

terça-feira, 21 de março de 2017

Escândalo da carne adulterada agita mercados e cria tensão no Brasil

Brasília - A China, o Chile e a União Europeia (UE) fecharam segunda-feira, total ou parcialmente, os seus mercados às carnes brasileiras, após a revelação de suspeitas de produtos adulterados para o consumo humano em 21 frigoríficos, informou a AFP.



As denúncias atingem em cheio a JBS e BRF, dois gigantes do sector no país, primeiro exportador mundial de carne de boi e de frango, que luta para sair de dois anos de recessão.

Também colocaram sob tensão a relação do Brasil com alguns dos seus parceiros comerciais, a começar com o Chile, contra quem ameaçou retaliações em caso de encerramento total do mercado.

"Esperamos que mais de 30 países questionem o Brasil por este assunto", disse o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, em conferência de imprensa em Brasília.

Mas se todos impedirem a entrada das carnes, será "um desastre" para o Brasil, admitiu.

Maggi destacou que os funcionários brasileiros estavam a explicar aos importadores que a denúncia da Polícia Federal sobre o comércio de produtos expirados ou em mau estado de conservação supostamente adulterados, em alguns casos com ácido, está restrita "a 21 frigoríficos", cujas atividades de exportação já foram suspensas.

Mais de 30 pessoas foram detidas e três dos 21 frigoríficos investigados estão fechados temporariamente.

A China - segundo comprador de carne de boi e de frango do Brasil – congelou a entrada deste produto, à espera de explicações sobre o caso.

O Chile, sexto importador de carne vermelha brasileira, decretou um bloqueio temporário.

Maggi advertiu que se o país não restringir o veto aos 21 frigoríficos investigados, poderá haver "uma reação mais forte" do Brasil, e assegurou que já tem o aval do presidente Michel Temer.

"Nós somos grande importadores de produtos do Chile - peixes, frutas - e os produtores brasileiros reclamam que deveríamos criar barreiras", acrescentou o ministro.

A Coreia do Sul, que tinha suspenso a distribuição de frangos já importados para "verificar a qualidade da mercadoria", cancelou a medida na manhã desta terça-feira, após verificar que as
aves procedentes do Brasil estão em bom estado.

A União Europeia (UE), por sua vez, pediu ao Brasil "que elimine de imediato todos os estabelecimentos envolvidos no escândalo da lista aprovada pela UE", disse o porta-voz da Comissão Europeia, Enrico Brivio.

A investigação chamada "Carne Fraca" coincide com os esforços para acelerar o acordo de comércio-livre entre o Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) e a UE, que tem no sector alimentício uma das suas maiores preocupações.

Temer afirmou no domingo que "a maneira como se deu a notícia pode ter criado uma preocupação muito grande" e convidou um grupo diplomático para ir a uma churrascaria em Brasília.

As imagens do presidente a comer com entusiasmo pedaços de carne estamparam os jornais.

Com a economia em queda e o desemprego a afetar 13 milhões de brasileiros, uma crise na produção de carne é a última coisa que o país necessita.

A indústria faturou mais de 13 bilhões de dólares em 2016 e emprega direta ou indiretamente seis milhões de pessoas.

Em 2016, as exportações de carne de frango superaram os 5,9 bilhões de dólares e as de carne bovina chegaram a 4,3 bilhões, segundo dados do Ministério de Desenvolvimento e Comércio Exterior (MDIC).

O setor frigorífico e os exportadores de carnes alertaram que colocar em xeque a qualidade dos produtos brasileiros favorecerá a concorrência.

Fonte: ANGOP.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Prova Brasil: metade dos professores não consegue cumprir conteúdo planejado

Metade dos professores do ensino fundamental (51%) conseguiu desenvolver pelo menos 80% do conteúdo previsto para o ano. Na outra ponta, 11% concluíram menos de 60% daquilo que deveria ter sido ensinado aos alunos.

Os dados são do questionário da Prova Brasil 2015, aplicado a diretores, alunos e professores do 5º e do 9º ano do ensino fundamental de todo o país. As informações foram organizadas e divulgados hoje (20) na plataforma QEdu (www.qedu.org.br)

Quando considerados apenas os professores do 9º ano, menos da metade (45%) desenvolveu pelo menos 80% do conteúdo previsto para as turmas que fizeram a Prova Brasil em 2015. Já entre os professores do 5º ano, a porcentagem chega a 55%. A questão foi respondida por mais de 262 mil professores.

A maioria dos professores (91%) disse ainda que gasta até 20% do tempo da aula com tarefas administrativas como fazendo a chamada ou preenchendo formulários. Outros 20% da aula são gastos para manter a ordem e a disciplina em sala de aula para 70% dos professores.

O tempo que resta para atividades de ensino e aprendizagem é de menos de 80% do total para 57% dos professores. Considerando uma aula de 50 minutos, isso significa que, nos melhores cenários, menos de 40 minutos são dedicados de fato ao ensino.

Segundo o pesquisador da Fundação Lemann, sediada em São Paulo, Ernesto Faria, os dados são preocupantes. "Os alunos não estão tendo acesso a conteúdos importantes. Os professores conseguem cumprir uma parte, mas conteúdos importantes sequer são apresentados", disse.

O resultado pode ser visto no desempenho dos estudantes brasileiros na última divulgação da Prova Brasil. A avaliação de 2015 mostrou que, ao deixar a escola, no fim do ensino médio, apenas 7,3% dos estudantes aprendem o mínimo adequado em matemática e 27,5% em português.

De acordo com Faria, esses dados podem ser usados para se pensar a Base Nacional Comum Curricular, que atualmente está em discussão no Ministério da Educação. A base deverá orientar o que deve ser ensinado em cada etapa escolar.

"Não basta só ter um documento e currículo de altas expectativas e não resolver problemas de material didático e estratégias para aprendizagem. Não adianta ter um currículo bom, mas não cumprido na sala de aula", afirma. Os questionários foram respondidos por 52.341 diretores, 262.417 professores e 3.810.459 estudantes.

Condições de trabalho
Os problemas nas escolas são diversos. Segundo a maior parte dos diretores (70%), o ensino foi dificultado por falta de recursos financeiros. Mais da metade (55%) disse ter enfrentado dificuldades por falta de recursos pedagógicos.

Os dados mostram ainda que a maioria dos professores trabalha 40 horas ou mais (66%) e que 40% deles lecionam em duas ou mais escolas. Pelo menos um terço (34%), ganhavam, como professores, menos do que o piso salarial estabelecido pela Lei do Piso (Lei 11.738/2008) para aquele ano, que era de R$ 1.917,78.

A professora Cleonice Santos, 43 anos, concilia mais de um trabalho. Durante o dia, dá aulas de português para o 9º ano do ensino fundamental no Centro de Ensino Fundamental 10 do Gama, no Distrito Federal. À noite, leciona no ensino médio do Centro de Ensino Médio 2 do Gama.

"Tenho uma vida muito corrida. Trabalho de manhã, saio da escola, ajudo minhas filhas com o dever de casa, deixo nas escolas onde estudam, volto para a minha à tarde. Depois busco as minhas filhas, ajudo com o dever do dia seguinte e vou para a escola à noite. É corrido, cansativo, mas consigo levar com planejamento. Cleonice disse gostar muito da profissão. Consegue concluir o conteúdo do ensino fundamental, mas não do médio. Quando perguntada se se sente desvalorizada, Cleonice responde: "Estou em greve".

Assim como Cleonice, 30% dos professores acreditam que a sobrecarga, que dificulta o planejamento da aula, atrapalha a aprendizagem dos alunos; e 29% opinam que a insatisfação e o desestímulo com a profissão impactam também no aprendizado dos estudantes.

Considerando todas as escolas em que o professor trabalha, atualmente 36% gastam menos de um terço da carga horária para o planejamento das aulas. Pela Lei do Piso, esse é o tempo garantido ao professor para que planeje as atividades a serem desenvolvidas em sala de aula.

"Infelizmente, continuamos com muitas dificuldades. A começar pela própria infraestrutura das escolas. Temos reclamações de professores com salas superlotadas, salas muito quentes, que atrapalham o aprendizado, falta de luz, de água. Isso tudo somado ao não cumprimento da Lei do Piso", afirmou o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Heleno Araújo. "Os governantes dizem que os alunos são prejudicados só quando tem greve. Isso não é verdade, eles precisam tomar uma atitude porque os alunos são prejudicados o ano inteiro", finaliza.

Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil.
Edição: Kleber Sampaio.

domingo, 19 de março de 2017

Livro “Biomas do Brasil” - Faça o seu download aqui!

Lançamento da Edição Digital do livro BIOMAS DO BRASIL: da exploração à convivência. 

A informação foi publicada por Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social, 13-03-2017. 

Está sendo lançada a edição digital do livro BIOMAS DO BRASIL – da exploração à convivência

Escrito por Ivo Poleto e disponibilizado gratuitamente para todas as pessoas que desejarem

– conhecer melhor os biomas brasileiros,

– refletir criticamente sobre a situação atual em que se encontram

– e repensar o Brasil a partir deles.

A versão digital, em pdf, pode ser acessada aqui: 

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos - IHU.

Turquia: Iniciou construção de ponte suspensa mais longa do mundo


Turquia - As obras de construção da ponte suspensa mais longa do mundo começaram neste sábado na Turquia com o objetivo de abrir uma nova via de união entre a Europa e a Ásia, sobre o estreito de Dardanelos.

A ponte, que terá seis pistas, deixará um espaço livre de 2.023 metros entre seus pilares principais para facilitar a navegação entre os mares Egeu e de Mármara, indicou a agência de notícias do governo, Anatólia.

A construção deverá ser inaugurada em seis anos, para o centenário de criação da República turca por Mustafa Kemal Atatürk, em 2023.

O projeto, com um custo estimado de 2,76 bilhões de dólares, está a cargo de um consórcio integrado pelas empresas sul-coreanas SK e Daelim, associadas às empresas turcas Limak e Yapi Merkezi.

O início dos trabalhos coincide com o dia de comemoração da batalha dos Dardanelos, que começou em Março de 1915, em que durante nove meses as tropas francesas e inglesas enfrentaram as do Império Otomano na Primeira Guerra Mundial.

Esta ponte será a primeira sobre o estreito de Dardanelos. Seu espaço entre os pilares superará em 32 metros a japonesa Akashi Kaikyo como a ponte suspensa mais longa do planeta.

*Com informações da Angop.

sábado, 18 de março de 2017

Pobre sai, rico fica

A Justiça trata de maneira “diferenciada” os ricaços que têm mansões perto do Jardim Botânico – entre eles, o atual secretário de Habitação do Rio, Índio da Costa

por Anne Vigna / Agência Pública

Se comparadas com Condomínio Canto e Mello, as casinhas da comunidade do Horto parecem pequenas, minúsculas, escondidas no meio de floresta. É que, além da comunidade – onde a maioria ganha até três salários mínimos – ao longo das últimas décadas surgiram e cresceram ao redor da floresta, cujas terras são da União, condomínios fechados, privados e muito exclusivos. E a diferença não está só no tamanho e no valor das moradias: esses condomínios receberam um tratamento bem diferenciado na Justiça.

Construído na década de 1980, o condomínio Canto e Mello tem uma parte dentro do terreno do Jardim Botânico, acima da cota 200 – o que significa que é uma zona de proteção ambiental e de risco, onde não poderia haver construções.

Depois de uma longuíssima ação civil do Ministério Público Estadual e da Prefeitura do Rio, a Justiça proibiu a construção de mais casas. O laudo técnico atesta que “resultou absolutamente comprovado o dano ambiental provocado pelos réus, e acentuado ao longo dos mais de vinte anos de tramitação do feito, por isso que ao tempo da distribuição da ação, em 1991, havia apenas 8 casas edificadas, e em 2003, quando realizada a perícia, malgrado a liminar deferida nos autos, a proibir o prosseguimento e o início de novas construções, outros 17 imóveis foram erguidos, e o vigésimo sexto, ao arrepio da referida decisão judicial, já se encontrava em construção”.

Em 2012, o condomínio foi regularizado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), em troca do pagamento de multa pelos danos ambientais causados. A administração recorreu e a contenda está no Supremo Tribunal Federal – por isso, o valor não foi determinado ainda. O argumento que garantiu a permanência do condomínio não é diferente daquele usado pelos 2 mil moradores da comunidade do Horto sob ameaça de expulsão, onde há mais de 200 pedidos de reintegração de posse já concedidos pela Justiça.

“O direito à moradia que está na Constituição Federal foi invocado no nosso caso, mesmo sendo área da União”, explica o advogado do Canto e Mello , Felipe Amorim. “Era o direito que eles tinham de já ter construídas as casas; então, se as casas fossem demolidas, essas famílias não teriam onde morar. Foi um dos argumentos pelos quais o Tribunal entendeu também que não deveria demolir as casas.”

O condomínio Canto e Mello é formado por uma rua que sobe abruptamente. Subindo a ladeira, se entende de fato o que diz o laudo técnico sobre o “declive de 45° e sua cota 200”. Com guarita e segurança na porta, ninguém que não seja convidado pode entrar. Mesmo assim, há um montão de vans e motos que sobem todo o tempo para levar o que precisar para cima. Olhando as casas – na verdade, 26 mansões – pode-se imaginar o tamanho das obras de construção e seus impactos ambientais. Para levantar o condomínio foram desmatados 7,55 hectares de floresta para as edificações e infraestrutura, segundo o laudo judicial. “Mas agora é muito verde, muito preservado, eles cuidam muito do meio ambiente”, explica o advogado.

É verdade: verde, tranquilo, com uma vista para o mar azul. Parece que a natureza entra nas casas. O advogado garante que há ações ambientais tomadas pelos moradores, mas não enviou mais detalhes até o fechamento dessa reportagem. Também não permitiu à Pública entrar no local.

De todo modo, o fato é que o condomínio ocupa uma área de reserva florestal – e de risco. Por isso, o TJRJ considerou que, mesmo sendo construções ilegais, seria ainda pior para o meio ambiente destruir as casas: “Nos seus esclarecimentos, acrescenta o expert, a demolição das edificações seria ‘medida de extremo radicalismo’ porque a biofragilidade local não suportaria tais intervenções (demolições, movimentos de máquinas e caminhões, etc.)”.

Para os habitantes do Horto, comunidade seriamente ameaçada de expulsão desde que seu território passou para a administração do Jardim Botânico, chama atenção a diferença de tratamento em um e o outro caso. Segundo um levantamento socioeconômico feito pela FAU/UFRJ, mais de 60% dos moradores ganham até três salários mínimos, 20% ganham até cinco e menos de 3% ganham de cinco até oito.

De um lado, moradores do Canto e Mello regularizados para não tomar uma “medida de extremo radicalismo”. De outro, o ministro Raimundo Carreiro, do Tribunal de Contas da União (TCU), afirmou peremptoriamente que os moradores do Horto deveriam ser “realocados dentro do programa Minha Casa Minha Vida”. O TCU decidiu, em novembro do ano passado, que o domínio pleno das terras onde está a comunidade está sob administração do Jardim Botânico. E o diretor do Jardim, Sérgio Besserman, deixou claro, em entrevista à Pública, que quer ver a comunidade fora das suas terras.

O problema, diz o diretor do Jardim Botânico, é que a comunidade vai se expandir. “Será que é justo pegar aquela linda floresta que é um terreno da União, instalar um pequeno grupo de pessoas, mas ter absoluta certeza que daqui a algum tempo essa floresta não vai existir mais?”, pergunta.


Lei pra rico, lei pra pobre

Nas mesmas terras da União, um clube privado, o Clube dos Macacos, ou Club 17, também entretém os moradores dos bairros do Jardim Botânico e da Gávea, que estão entre os mais caros do Rio. Fundado em 1964, o clube tem três piscinas, quadras de tênis e salão de festas, onde ocorrem baladas noturnas – bem diante da casa da senhora Olívia da Silva Alves, que vive na comunidade do Horto há 60 anos: “Por que o clube nunca teve problema com a Justiça, e só a gente?”, pergunta ela. Quem quiser ser sócio do clube tem que pagar R$ 10 mil, além de uma mensalidade de R$ 300 por mês.

“Todos podem ficar, menos a comunidade. Os ricos podem expandir suas casas, menos os pobres”, comenta Emerson de Souza, presidente da Associação dos Moradores do Horto (AMAHOR). “Aqui no Brasil, tem lei pra rico e lei pra pobre.”

Ele levou a reportagem a conhecer outro condomínio perto do Horto. Dentro do Parque da Cidade – outra Unidade de Conservação – fica outro condomínio irregular que também pertence à família Canto e Mello.

Segundo os guardas do parque, em poucos anos o condomínio passou de duas para 14 casas. Porém, a Secretaria Municipal de Conservação e Meio Ambiente – que confirmou à Pública que o condomínio está dentro de uma área conservada –, não vê problema: “Não houve recentemente aumento da quantidade de casas dentro da Unidade de Conservação, tendo sido realizadas, no entanto, ações de melhorias e expansões verticais dos imóveis já existentes na área”, explicou a secretaria por e-mail.


Os moradores do Horto se preocupam com o seu destino porque não se esquecem da expulsão de outra pequena comunidade, de 20 casas, na década de 1990, que ficava na rua Sara Vilela, ao lado da Floresta da Tijuca. “[Eles foram expulsos] com o mesmo discurso de preservação ambiental”, explica Emerson. “Agora essas famílias estão em um mangue em Jacarepaguá e as ricas famílias expandiram suas mansões justo nessa zona de proteção ambiental.”

No lugar da comunidade, está hoje o bairro conhecido como Alto Jardim Botânico, que tem uma associação própria e um serviço de segurança diferenciado. É um dos acessos ao Parque Nacional da Tijuca. Entre os proprietários das terras está a família Mariani, proprietária do antigo Banco da Bahia, hoje chamado Banco BBM. Em sua tese de mestrado em engenharia urbana ambiental na PUC-RJ, um dos membros da família, Tomás Mariani, que preside a Associação dos Amigos do Jardim Botânico, escreveu sobre a “Expansão das áreas de favela e de risco em torno do Parque da Tijuca”. Nessas cem páginas de pesquisa, não há sequer uma linha sobre o crescimento dos condomínios e das mansões de luxo. Tomás não quis dar entrevista à Pública.

Para o diretor do Parque Nacional da Tijuca, Ernesto Viveiros de Castro, o condomínio Alto Jardim Botânico é, sim, uma preocupação. “Tem expansão urbana dentro das florestas perto do parque, mas não dentro do parque. Isso nos preocupa porque, com menos florestas ao redor do parque, menos o parque está protegido.” O diretor confirma que a última casa do condomínio que ainda está em construção, a poucos metros da trilha de entrada, “recebeu, sim, uma permissão em regra da Secretaria Municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação”.

A casa em questão tem um proprietário famoso, o ex-deputado federal Índio da Costa, atual secretário municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação do Rio de Janeiro. Segundo o diretor do parque, Índio da Costa já havia recebido “a permissão de construir e cortar árvores antes de ser o novo secretário”. Uma reportagem da revista Veja relata que a propriedade, estimada em R$ 8 milhões, terá três andares e 841 m2 quando concluída.

O desmatamento feito para a construção está na mira do Ministério Público Estadual. O MP negocia agora com o novo secretário um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para compensar a derrubada de árvores do terreno de 1.800 m2 .

Procurado pela Pública, Índio da Costa não respondeu aos questionamentos.

Crédito da imagem destacada: Marie-Charlotte Devise/Agência Pública.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Questão - O Período Regencial (1831-1840) foi marcado por uma série de revoltas em vários pontos do Brasil

O Período Regencial (1831-1840) foi marcado por uma série de revoltas em vários pontos do Brasil. Sobre as revoltas ocorridas no Período Regencial, indique qual das alternativas abaixo está incorreta:
a) Balaiada, no Maranhão.
b) Sabinada, na Bahia.
c) Inconfidência Mineira, em Minas Gerais.
d) Revolta Farroupilha, no Sul do país.

Resposta: letra C.

CESGRANRIO - O período regencial que se iniciou em 1831 teve no Ato Adicional de 1834

O período regencial que se iniciou em 1831 teve no Ato Adicional de 1834 um alento de abertura e um ensaio de um regime menos centralizado. Para os monarquistas conservadores, a Regência foi uma “verdadeira” República, que mostrou sua ineficiência. Tal período é caracterizado como sendo de crise.
Segundo o texto, pode-se dizer que a crise ocorreu porque:
a) a descentralização de um desejo antigo dos conservadores;
b) a centralização “encarnava” bem o espírito republicano;
c) a partilha do poder não se coadunava com o espírito republicano;
d) a descentralização provocou a reação dos meios conservadores;
e) a descentralização se opunha aos princípios liberais.

Resposta: letra D.

terça-feira, 7 de março de 2017

(MACKENZIE) Do ponto de vista político, podemos considerar o Período Regencial

Do ponto de vista político, podemos considerar o Período Regencial como:
a) uma época conturbada politicamente, embora sem lutas separatistas que comprometessem a unidade do país;
b) um período em que as reivindicações populares, como direito de voto, abolição da escravidão e descentralização política, foram amplamente atendidas;
c) uma transição para o regime republicano que se instalou no país a partir de 1840;
d) uma fase extremamente agitada com crises e revoltas em várias províncias, geradas pelas contradições daselites, classe média e camadas populares;
e) uma etapa marcada pela estabilidade política, já que a oposição ao Imperador Pedro I aproximou os vários segmentos sociais, facilitando as alianças na Regência.

Resposta: letra D.

PUC-Rio - Para muitos brasileiros que vivenciaram o período regencial (1831-1840)

Para muitos brasileiros que vivenciaram o período regencial (1831-1840), aquele foi um tempo de impasses, mudanças e rebeliões. Sobre esse período, é correto afirmar que:
I - a renúncia inesperada do Imperador D. Pedro I levou à nomeação de uma regência trina e à implantação, em caráter provisório, de um governo republicano.
II - a antecipação da maioridade de D. Pedro II, em 1840, garantiu o restabelecimento da ordem monárquica e a pacificação de todas as revoltas que ameaçavam a integridade territorial do Império.
III - houve uma série de revoltas envolvendo desde elementos das tropas regulares até escravos, destacando-se, entre elas, a Farroupilha, a Cabanagem e a Revolta dos Malês.
IV - a ausência provisória da autoridade monárquica estimulou a proliferação de projetos políticos destinados à reorganização do Estado imperial.
Assinale a alternativa:
(A) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
(B) se somente a afirmativa I estiver correta.
(C) se somente as afirmativas II, III e IV estiverem corretas.
(D) se somente as afirmativas III e IV estiverem corretas.
(E) se todas as afirmativas estiverem corretas.

Resposta: letra D.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Fuvest 1994 - Sabinada na Bahia, Balaiada no Maranhão e Farroupilha no Rio Grande do Sul

Sabinada na Bahia, Balaiada no Maranhão e Farroupilha no Rio Grande do Sul foram algumas das lutas que ocorreram no Brasil em um período caracterizado a. por um regime centralizado na figura do imperador, impedindo a constituição de partidos políticos e transformações sociais na estrutura agrária. 
b. pelo estabelecimento de um sistema monárquico descentralizado, o qual delegou às províncias o encaminhamento da “questão servil”.
c. por mudanças na organização partidária, o que facilitava o federalismo, e por transformações na estrutura fundiária de base escravista.
d. por uma fase de transição política, decorrente da abdicação de Dom Pedro I, fortemente marcada por um surto de industrialização, estimulado pelo Estado.
e. pela redefinição do poder monárquico e pela formação dos partidos políticos, sem que se alterassem as estruturas sociais e econômicas estabelecidas.

Resposta: letra E.

domingo, 5 de março de 2017

FUVEST 2002 - No Brasil, tanto no Primeiro Reinado, quanto no período regencial

No Brasil, tanto no Primeiro Reinado, quanto no período regencial,a) aconteceram reformas políticas que tinham por objetivo a democratização do poder.
b) ocorreram embates entre portugueses e brasileiros que chegaram a pôr em perigo a independência.
c) disseminaram-se as idéias republicanas até a constituição de um partido político.
d) mantiveram-se as mesmas estruturas institucionais
do período colonial.
e) houve tentativas de separação das províncias que puseram em perigo a unidade nacional.

Resposta: letra E.

sábado, 4 de março de 2017

UFRGS - 1998 - A frase “Mui leal e valorosa”, existente na bandeira da capital do Rio Grande do Sul

A frase “Mui leal e valorosa”, existente na bandeira da capital do Rio Grande do Sul, foi uma homenagem ao fato de que a administração de Porto Alegre:
(A) representou a corte do Rio de Janeiro durante a maior parte do movimento dos farrapos.
(B) ocupou terras no extremo sul do Brasil, em nome do rei de Portugal.
(C) comandou as tropas nas lutas com os vizinhos platinos, nas guerras de demarcações de fronteiras.
(D) conquistou, para a cidade, a condição de ponto mais importante da política externa do Império do Brasil.
(E) planejou a operação militar que culminou na destruição dos Sete Povos das Missões.

Resposta: letra A.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Questão - Uma das maiores preocupações da Antropologia brasileira

Uma das maiores preocupações da Antropologia brasileira é justamente a possibilidade da destruição das culturas indígenas que ainda resistem, em certa medida, no país. Em certos aspectos, o processo de aculturação, que de várias maneiras culminou na mudança cultural e na assimilação dessas culturas indígenas, pode ser visto na mudança da forma como se vestem, na construção de suas casas ou no gradual abandono de suas línguas.

Com base no trecho acima, podemos afirmar que a aculturação é equivalente à destruição completa de uma cultura?
a) Sim, já que as mudanças que uma cultura original sofre tornam-na impura e completamente diferente do que naturalmente era.
b) Não, já que a aculturação equivale à absorção recíproca de traços culturais entre culturas diferentes mediante a convivência.
c) Sim, uma vez que a aculturação só é possível mediante a imposição absoluta e sistemática de uma cultura sobre outra.
d) Não, pois vestimenta, construção de casas e a língua de um grupo não são traços culturais.

Resposta: letra B.

quarta-feira, 1 de março de 2017

UFAM 2014 - “Como dispositivo de múltiplos usos, o telefone celular tem servido cada vez mais de suporte para convergência de mídia

Como dispositivo de múltiplos usos, o telefone celular tem servido cada vez mais de suporte para convergência de mídia, potencialidade que o tem tornado alvo de investimentos por parte da indústria. Há previsões de que, em 2020, os dispositivos móveis serão o maior meio de acesso à internet.” (RODRIGUES, Carla. Revista Galáxia, São Paulo, n. 20, 2010).
O contexto da citação acima se refere a uma das principais características do:
a) Capitalismo industrial.
b) Capitalismo financeiro.
c) Capitalismo informacional.
d) Capitalismo comercial.
e) Capitalismo da exploração.

Resposta: letra C.

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