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domingo, 14 de novembro de 2010

Ouça o que eu digo

Por Gabriel Egidio do Carmo

O que eu sei sobre música? Eu sei que é um assunto de bom gosto. Eu sei que Mozart era um excelente compositor. Eu sei que Milton Nascimento é um excelente compositor. Eu, sinceramente, só sei , expor a minha opinião sobre o assunto, como estou fazendo agora, numa tarde fria e nublada, direto da Universidade Federal de Viçosa.

As pessoas passam a vida escutando músicas pra lá de interessantes, ou esquisitas. Elas ouvem e cantam suas músicas favoritas a todos momentos seja em um mp3, rádio, ou telefone celular. O que eu sei sobre isso? Eu sei que ontem Gilberto Gil conquistou dois prêmios do Grammy Latino. Além dele, a Adriana Calcanhoto, Marina de Oliveira, Diogo Nogueira, João Donato Trio, a banda Charlie Brown Jr, e a dupla dupla Zezé di Camargo e Luciano também conquistaram o Grammy.

Eu sei - e sei por que vi em algum lugar - que os cantores brasileiros foram o destaque do Grammy. Com tanto talento espalhado por aí acho que as pessoas deveriam valorizar um pouco mais os nossos cantores. Ás vezes ligo o rádio e a maior parte das músicas que ouço são estrangeiras. Nada contra. Gosto de várias. Mas também gosto das músicas daqui do Brasil. 

Os mais versados no assunto dirão que isso é fruto da globalização cultural. Eu só associo música a gosto. A pessoa gosta e pronto. Mas para gostar é preciso ter ouvido pelo menos uma vez. Penso assim pois muitas músicas de gosto duvidoso - quem sou eu para falar disso - se espalham e viram febre a toda hora.

O que eu sei sobre o assunto é que a trilha do filme Cinco Vezes Favela – Agora por Nós Mesmo, a música feita por MV Bill e Afroreggae, ganhou um videoclipe feito pelo Rodrigo Felha, um dos diretores do filme.

O que eu sei sobre este assunto é que a música ficou ainda mais perfeita. 

Uma música que eu gosto: Pela Internet, de Gilberto Gil. É assim que o mundo da música caminha. E eu viajando vou "nesse informar".


sábado, 13 de novembro de 2010

Fome tem dia?

Gabriel Egidio do Carmo

“A Humanidade se divide em dois grupos: o grupo dos que não comem, e o grupo dos que não dormem com receio da revolta dos que não comem” Josué de Castro, 1961, Geopolítica da Fome.
Anos depois eu estou aqui falando sobre o fato. Falo porque é preciso falar.

É bom falar. Há dois aspectos marcantes na vida de Josué de Castro que considero profundamente humano: as suas obras Geografia da Fome e Geopolítica da Fome. Eu duvidaria se um dia, mesmo se fosse verdade, a fome acabasse no mundo.

A persistência da fome ainda hoje é uma necessidade hipócrita. Quem entende de necessidades básicas são os governantes. Eles sabem porque precisam da fome. Eu só sei o que muitos preferem: oferecer comida a quem precisa somente em ocasiões especiais, a exemplo do Dia Mundial da Alimentação e do dia de Natal.

De todos os nossos geógrafos, o primeiro que conseguiu mostrar esse lado perverso do desenvolvimento foi Josué de Castro. Eu sempre recorro a ele  quando quando me deparo com esse assunto. 

Josué de Castro foi capaz de entender que a persistência da fome no Brasil não era ligada com a origem do povo brasileiro. Para chegar a essa resposta ele percorreu as regiões brasileiras e analisou o processo de colonização, a produção de alimentos e o aparecimento de doenças.

E descobriu que grande parte dos males não advém de fenômenos naturais, como a seca, mas da prioridade dos governantes. Eu me pergunto como ele teria interpretado os programas sociais do governo, como o Bolsa Família.

Analisando a realidade brasileira, Josué de Castro delineou perfeitamente  a existência da fome no mundo. A humanidade era capaz de produzir muito mais alimentos do que consumia, existe alimentos disponíveis para todos desde que todos tenham dinheiro para adquiri-los, a fome era um flagelo feito pelos homens para outros homens.

Josué de Castro foi capaz de entender a persistência da fome no mundo. Enquanto isso eu ainda não me conformo com o combate contra a fome somente em dias especiais. Fome não tem dia marcado. Fome mata.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Fumaça!

Escrito por
Gabriel Egidio do Carmo

Calma, a Amazônia não virou fumaça.

A fumaça vem do relatório da proposta do "Novo Código Florestal" anunciada pelo deputado Aldo Rebelo. E onde tem fumaça, tem fogo!

Por que você deveria se importar com isso? Porque seu futuro, a saúde da sua família, o ar que você respira, a qualidade da água que você bebe, o preços dos alimentos que você consome, tudo o que você possa imaginar depende dessa nova lei.

O Brasil que emergiu após a sua aprovação na comissão especial da Câmara dos Deputados está dividido. De um lado, ambientalistas e Organizações Não Governamentais. Do outro, a bancada ruralista. E no meio termo, está a comunidade científica, que serve de argumento para ambos os grupos.

Para sustentar seus argumentos e impedir que as atuais propostas em jogo vire a regra do mesmo, os ambientalistas e as Ongs alegam que a redução das áreas de preservação permanente e a não obrigatoriedade da manutenção da reserva legal para as pequenas propriedades tem impactos negativos sobre a biodiversidade. Com a nova lei, a área de preservação permanente em rios de até 5 metros passaria de 30 para 15 metros. A maior parte dos peixes brasileiros de água doce ameaçados de extinção encontram-se nesses pequenos rios, justamente os mais afetados pela nova legislação. Para completar, com as APPs menores, anfíbios, répteis e mamíferos têm seu habitat ameaçado.

Some-se a isto, a necessidade de baratear os alimentos, ruralistas alegam que a atual legislação coloca grande parte dos produtores rurais na ilegalidade. Aliás, lembram que oc ultivo agrícola é feito tradicionalmente na várzea. Quando foi a última vez que você comeu arroz ou tomou café? Pois é. Grande parte da produção de arroz do Brasil é cultivada na várzea. E a maior parte do café que consumimos vem dos topos de morro. Acrescenta-se nesta lista as maçãs e as uvas.

Com o código florestal, chegou a hora de ver quem vai pagar a conta. Para isso, as negociações nesse "país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza" terão que andar. Isto acontecerá através de um debate acalorado - que torna a lei mais flexível - e uma grande concessão, que elimina os exageros da lei, forçando ambos os grupos a dialogarem. Desde 1965, enquanto foram feitas diversas alterações no Código Florestal, a população brasileira mais do que duplicou.

Num Brasil pós-crise, a questão ambiental novamente entra em cena. Tomara que isto aconteça sem que o radicalismo de ambos os lados se transforme em um fardo para a população carregar, arcando com os prejuízos e a falta de bom senso.

Para quem acha que o Código Florestal não deve ser repensado é bom saber que nem nos países desenvolvidos existe uma lei tão rígida quanto a nossa. Só que como sabemos a lei ambiental brasileira não devidamente respeitada. O Brasil mudou muito de 1965 até os dias de hoje. E a lei tem que estar de acordo com essa nova realidade. O atual Código Florestal brasileiro foi elaborado em um regime autoritário.Muitos tem medo da mudança. Por quê?

Se permanecer do jeito que está, é provável que a carestia vire rotina diária. E aí  fogo vai se espalhar...

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