Redes mundiais e funções centrais de comando
“A globalização das operações de uma empresa traz com ela a enorme tarefa de coordenação e gestão. Isso não é novo, mas o trabalho aumentou nas últimas duas décadas e se tornou mais complexo. Além disso, a dispersão das operações de uma empresa não ocorre por meio de uma única forma organizacional; pelo contrário, por trás dos números, há muitas formas organizacionais, hierarquias de controle e graus de autonomia diferentes. A rede global integrada de centros financeiros é mais uma forma dessa combinação de dispersão e complexidade crescente das funções centrais de gestão e coordenação.
Tem importância para esta análise a dinâmica que conecta a dispersão de atividades econômicas com o peso e o crescimento de funções centrais. Em termos de soberania e globalização, isso significa que uma interpretação do impacto da globalização como algo que cria uma economia espacial que se estende além da capacidade regulatória de um único Estado é apenas a metade da história; a outra metade é que as funções centrais se concentram desproporcionalmente nos territórios nacionais dos países muito desenvolvidos.
Com a expressão funções centrais, não quero dizer apenas as matrizes de alto nível; estou me referindo a todas as funções superiores financeiras, legais, contábeis, gerenciais, executivas e de planejamento que são necessárias para administrar uma organização corporativa que opera em mais de um país e, cada vez mais, em vários países. […] essas funções centrais estão parcialmente enraizadas nas matrizes, mas também estão em boa parte enraizadas naquilo que tem sido chamado de complexo de serviços corporativos – ou seja, a rede de empresas financeiras, legais, contábeis e de publicidade que lidam com as complexidades de operar em mais de um sistema legal nacional, em mais de um sistema contábil nacional, em mais de uma cultura de publicidade e assim por diante, e o fazem frente a rápidas inovações em todos esses campos. Esses serviços se tornam tão especializados e complexos que as matrizes cada vez mais os compram de empresas especializadas, em vez de produzi-los na sede. Essas aglomerações de empresas que realizam funções centrais para a gestão e coordenação de sistemas econômicos globais se concentram de maneira desproporcional nos países altamente desenvolvidos – particularmente, mas não exclusivamente, em cidades globais. Essas concentrações de funções representam um fator estratégico na organização da economia global.”
SASSEN, Saskia. Sociologia da globalização. Porto Alegre: Artmed, 2010. p. 55-56.
1. Relacione as questões abordadas no texto com
os temas desenvolvidos no capítulo.
2. O que você entende pela expressão “economia
espacial que se estende além da capacidade
regulatória de um único Estado”?
3. Explique o significado de “complexo de serviços
corporativos”.
RESPOSTAS:
1. A estruturação de redes geográficas globais possibilita fluxos de informações, capitais e mercadorias em escala mundial, além de facilitar dispersão de atividades econômicas em diferentes pontos do planeta. No entanto, as funções centrais das grandes corporações multinacionais estão concentradas nos países desenvolvidos, particularmente nos mais poderosos e ricos.
2. As estruturas produtivas, de circulação do capital e de distribuição que têm caráter global precisam lidar com legislações de vários países.
3. De acordo com o texto, é uma rede de empresas financeiras, legais, contábeis e de publicidade que lidam com as complexidades de operar em mais de um sistema legal nacional, em mais de um sistema contábil nacional, em mais de uma cultura de publicidade etc.
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