quinta-feira, 3 de maio de 2018

Milton Santos, um geógrafo brasileiro com prestígio internacional

Autor de livros que surpreenderam os geógrafos de todo o mundo pela originalidade e audácia, (entre os quais citamos: "O Futuro da Geografia" (53), "Por Uma Outra Globalização" e "Território e Sociedade no Século XXI"), Milton Santos foi um intelectual com profundo domínio da geografia, e homem compromissado para a construção de uma sociedade livre e despojada de preconceitos.



Nasceu em Brota do Macaúbas, Bahia, em 1926, vindo de família humilde. Os pais, professores primários, o incentivaram a estudar – ele sempre afirmava que o “ensinaram a olhar mais para frente do que para trás”. Milton formou-se em Direito em Salvador e, posteriormente, fez doutorado em Geografia na Universidade de Estrasburgo (França), disciplina que já havia lecionado durante o seu processo de formação. “Filósofo da geografia, um intelectual comprometido com os excluídos”, segundo o geomorfologista Aziz Ab’Saber. O governo militar no Brasil deixou suas marcas no geógrafo, inclusive físicas – teve derrame facial por ocasião de sua prisão, em 1964.

Mesmo com a ditadura militar, tentou ainda continuar sua vida de cidadão e de intelectual, mas o Brasil fechou-lhe as fronteiras. Seus aliados e importantes políticos intervieram junto às autoridades militares para negociar sua saída do país, após ter cumprido meio ano de prisão domiciliar. Milton achou que ficaria fora do país por 6 meses, mas acabou ficando 13 anos. Começa seu exílio em Toulouse, passando por Bordeaux, até finalmente chegar em Paris em 1968, onde lecionou na renomada Universidade de Sorbonne.


Permaneceu em Paris até 1971, quando se mudou para o Canadá. Trabalhou na Universidade de Toronto. Foi para os Estados Unidos, com um convite para ser pesquisador no Massachusetts Institute of Technology (MIT), onde trabalha com Noam Chomsky. No MIT trabalha em sua grande obra O Espaço Dividido. Dos EUA viaja para a Venezuela, onde atua como diretor de pesquisa sobre planejamento da urbanização do país para um programa da ONU. Neste país manteve contato com técnicos da Organização dos Estados Americanos. Estes contatos facilitaram sua contratação pela Faculdade de Engenharia de Lima, onde foi convidado pela Organização Internacional do Trabalho para elaborar um trabalho sobre pobreza urbana na América Latina.

Posteriormente, foi convidado para lecionar no University College de Londres, mas o convite ficou apenas na tentativa, já que lhe impuseram dificuldades raciais. Segue, posteriormente para Tanzânia, onde organiza a pós-graduação em Geografia da Universidade de Dar es Salaam. Permaneceu por dois anos no país, quando recebeu o primeiro convite de uma universidade brasileira, a Universidade de Campinas. Antes disso, regressa à Venezuela, passando antes pela Universidade de Colúmbia de Nova Iorque.

Após seu regresso definitivo ao Brasil, lecionou na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) até 1983. Em 1984 foi contratado como professor titular pelo Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP), onde permaneceu mesmo após sua aposentadoria.

Faleceu em São Paulo no dia 24 de junho de 2001, aos 75 anos, vítima de um câncer.

Embora pouco conhecido fora do meio acadêmico, Santos alcançou reconhecimento fora do país, tendo recebido, em 1994, o Prêmio Vautrin Lud (conferido por universidades de 50 países e considerado o ''Nobel da Geografia'').

Foi honrado com título de Doutor Honoris Causa por mais de 20 Universidades aos redor do mundo e recebeu ainda o ''Prêmio UNESCO'' na categoria Ciência, em 2000. 

Sua obra ''O Espaço Dividido'', de 1979, é hoje considerado um clássico mundial, onde desenvolve uma teoria sobre o desenvolvimento urbano nos países subdesenvolvidos.

Suas ideias de globalização, esboçadas antes que este conceito ganhasse o mundo, advertia para a possibilidade de gerar o fim da cultura, da produção original do conhecimento - conceitos depois desenvolvidos por outros estudiosos no mundo inteiro.

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