quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Crônica: Todo Mundo Odeia o Chris

Gabriel Egidio do Carmo

“Todo Mundo Odeia o Chris” agora está colocado de segunda a sexta-feira, à tardinha, no horário juvenil. Confesso-me um assistente desse seriado. Como telespectador, curto as aventuras do personagem. Mas, como pessoa curiosa desta história de ficção e realidade, considero de extrema importância os elementos ali presentes. Volta e meia, volto ao assunto Chris, pois ele mostra sem medo as verdadeiras faces, do que muitos chamam de democracia racial.
A família do Chris
No seriado há uma clara mostra de diversas situações de racismo vivenciado pelo personagem. O Chris, mesmo na escola, muitas vezes não é aceito pelo simples fato de ser negro. Suas intenções e comportamenos são julgados de forma negativa, muitas das vezes, antes mesmo de tomar qualquer inciativa.

É importante salientar as peças cinematográficas e de animação como forma de dar mais dramaticidade aos fatos vivenciados pelo adolescente. Em minha humilde opinião, não existe qualquer diferença fundamental entre a situação vivenciada pelo Chris, morador da periferia de Bed-Stuy (Nova York, Estados Unidos), e a de milhares de adolescentes brasileiros moradores de periferia das grandes, médias e até mesmo pequenas cidades. Muda, sim, os locais onde ocorre. Mas, ambos vivenciam as inquietudes da adolescência e a condição árdua de sobrevivência da família.

Por isso considero o Chris algo merecedor de muitos estudos e por isso escrevo sobre ele: Chris é um personagem onde ele é quem termina mal (em geral, no fim das histórias o personagem principal acaba bem), mas mesmo assim sempre aprende alguma coisa que serve para a “escola da vida”. Esse ponto é original e novo neste seriado. Como representação da realidade, é isso o que cativa o telespectador. Em “Todo Mundo Odeia o Chris”, o personagem principal depois de adulto, conta a história de sua adolescência, ou seja, o seu passado. E assim ocorre. Aquela fase que muitos consideram que já passou e não volta mais é analisada de forma ficcional.

Ora, direis, mais que isso outros filmes e seriados já fizeram. É verdade, só que em Chris, o personagem busca compreender a origem do “ódio”, do por quê da sua não aceitação em grande parte da sociedade. Ele bota o dedo na ferida aberta, não cicatrizada. É sensato ao mostrar que nem todos são racistas. E mais sensato ainda ao mostrar personagens que embora neguem, são racistas. Mas outros personagens escancaram o ódio ao Chris através de atitudes e estereótipos: socos, pontapés, apelidos depreciativos, brincadeiras e piadas de péssimo gosto, ridicularização de sua traços físicos como cor da sua pele e a textura dos seus cabelos. O adolescente busca contornar a situação, sempre buscando renegar o lugar que a sociedade lhe quer conferir: o de fracasso.

Que está dizendo o “Chris” por trás do humor, da diferença social e do entretenimento puro? Está dizendo que “ódio” não é a verdadeira doença. Ele é o sintoma no qual a doença se disfarça: o racismo. Só com muita força e espírito coletivo, (e para nós, brasileiros, indo além da simples paranóia de que o Brasil é uma democracia racial), só encarando de frente o racismo presente em nossa sociedade, será encontrado a força capaz de vencer este “ódio” e a harmonia e convivência pacífica entre os povos triunfará.

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