sexta-feira, 27 de novembro de 2015

História de Cunha, São Paulo – SP

Histórico do Município: Cunha, São Paulo – SP
Gentílico: cunhense

A primeira incursão do homem branco que se tem notícia data do ano de 1597, quando uma expedição liderada por Martin Correia de Sá saiu do Rio de Janeiro com destino ao porto de Parati.
Cerca de setecentos portugueses e dois mil índios subiram a serra do mar pela antiga trilha de Guaianás para combater os índios tamoios, aliados dos franceses na sua luta contra os portugueses. 
Este episódio deu início a utilização da trilha, particularmente por paulistas e paratienses, que a cavalo ou a pé, começaram a manter um comércio baseado na troca de produtos agrícolas próprios de cada região.
A Estância Climática de Cunha tem suas origens por volta do ano de 1695, quando os primeiros aventureiros que percorriam a chamada Trilha de Guaianases paravam, para descansar da subida da serra ou simplesmente para reabastecimento das provisões necessárias à retomada do percurso, com destino as Minas Gerais. Por causa desta parada obrigatório, Cunha passou a ser conhecida na época como "Boca do Sertão", por ser um local para o descanso e reabastecimento das tropas, no sopé da Serra do Mar.
Entre os primeiros viajantes que se fixaram na região compreendida entre o Taboão, Campo Alegre e Boa Vista, estava Luiz da Silva Porto, português abastado, que juntamente com outros pioneiros ergueu no bairro denominado Boa Vista, em 1724, um pequeno templo consagrado a Jesus, Maria e José. 
Nos anos subseqüentes, fixaram-se nas imediações da Boa Vista, entre outras, as família Alves, Monteiro, Galvão, Vaz, Siqueira, Macedo e Rodrigues. 
O ano de 1730 marcou o início da construção de um povoado na região. Juntou-se aos primeiros colonizadores, um homem de nome Falcão, com sua família e o Frei Manuel, que na capelinha existente nos arredores do Ribeirão Lavapés entronizou a imagem de Nossa Senhora da Conceição. A imagem três vezes alí colocada, outras tantas dalí desaparecida, era encontrada, sempre, no alto de um morro. Atribuindo esse fato a um milagre, o povo juntamente com o religioso, ergueu um templo, contando também com a ajuda de índios e escravos, no próprio local onde a imagem fora encontrada. 
Na mesma época a família Falcão erigiu uma capela dedicada a Sagrada Família, no bairro da Boa Vista, no lugar do pequeno templo construído por Luiz da Silva Porto, e por causa deste fato, durante um bom tempo, o povoado passou a ser conhecido como povoado do Falcão, e devido a uma corruptela lingüística popular, também ficou conhecido como povoado do Facão.
Em 1736, o povoado do Facão torna-se distrito de Guaratinguetá.
Mais tarde, entre 1748-1749, foi o povoado elevado à categoria de freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Facão. A essa altura, a Capela de Jesus, Maria e José, na Boa Vista, deixou de ser a capela principal da região, porque a Freguesia passou a ser Sede Paroquial. 
A fase áurea do ouro de Minas Gerais surgiu no início do século XVIII, época em que o pequeno povoado do Facão pode presenciar grande movimentação de pessoas de todas as espécies, atraídas pela facilidade com que se enriquecia.
A grande movimentação de tropas no local atraiu, também, muitos bandidos e saqueadores, que desviavam ou roubavam pelo caminho, o ouro provindo das Minas Gerais, que era embarcado em Parati rumo a Portugal e que, obrigatoriamente, passava pelo povoado do Facão. Diante disto houve a necessidade de se criar um posto de vigia e fiscalização do ouro vindo das Minas Gerais, surgindo dessa maneira a Barreira do Taboão, localizada entre o povoado do Facão (ou Falcão) e o porto de Parati.
Com o declínio da produção aurífera nas Minas Gerais muitos foram os aventureiros estrangeiros que se fixaram na região, atraídos pelo clima salubre, pela fertilidade do solo e pela topografia acidentada, que criava um ambiente idêntico ao da Europa. 
Pela ordem de 15 de setembro de 1785, a freguesia foi elevada à categoria de Vila, pelo então Governador da Província de São Paulo- capitão general Francisco da Cunha Menezes, passando a denominar-se Vila de Nossa Senhora da Conceição de Cunha, em sua homenagem, mais tarde, devido a este fato, ficou conhecida apenas como Cunha. 
No começo do século XIX com o início da produção cafeeira na região do Vale do Paraíba, começa um novo ciclo de desenvolvimento econômico para Cunha e o antigo caminho do ouro teve sua trilha ampliada e calçada para que as tropas pudessem escoar a produção do café para o porto de Parati.
Em 1858 veio a autonomia política com a então vila sendo elevada à categoria de cidade, tornando-se comarca no ano de 1883. Logo a seguir, no ano de 1888, veio a libertação dos escravos e conseqüentemente a decadência da produção cafeeira na região e um período de letargia econômica para a cidade.
Em 1932 , Cunha foi palco da Revolução Constitucionalista, quando um batalhão da marinha composto por quatrocentos praças subiu a Serra do Mar com a intenção de chegar à São Paulo, via Vale do Paraíba. Durante três meses houve intensos combates e foi dentro deste período que a cidade conheceu o seu grande herói e mártir, o lavrador Paulo Virgínio, morto por não revelar o local e a posição das tropas paulistas. Foi construído as margens da estrada que liga Cunha a Parati um monumento em homenagem a este ilustre cidadão, passando a estrada Cunha-Parati a ser denominada Rodovia Paulo Virgínio.
No ano de 1945 a prefeitura da cidade de Cunha protocolou junto ao governo do estado, um pedido de transformação do município em Estância Climática, promulgada pelo governador de São Paulo na época, de acordo com a lei nº 182, convertendo a cidade de Cunha em Estância Climática.
No ano de 1993 a Estância Climática de Cunha assumiu de vez sua identidade turística através de seu Conselho de Desenvolvimento, realizando neste ano a sua primeira temporada de inverno com calendário de eventos e roteiro de atrações turísticas. 

ORIGEM DO NOME:
O sobrenome Cunha é antigo, datando do século XII ou XIV, e vem mesmo de Portugal. O nome refere-se a uma família que conquistou da monarquia portuguesa o direito e a função de cunhar, ou seja, de imprimir o selo real nas barras de ouros vindas do Brasil, e que, por isso mesmo, podia ostentar a denominação Cunha, posposta ao nome.
Isto leva a supor que esta seria mesmo a função do coronel Francisco da Cunha Menezes, conjectura que talvez se comprove pelo fato de que na vila, deve mesmo ter havido um posto de fiscalização e uma oficina de cunhagem do ouro mineiro.
O sobrenome do coronel acabou sendo usando para homenageá-lo e incorporado ao nome da vila que ele ajudou a criar: Vila de Nossa Senhora da Conceição de Cunha.
Em 1858 com a elevação da vila para a categoria de cidade, abreviou-se sua denominação, passando a ser conhecida simplesmente como Cunha.
Denominação promocional: "Cidade das Serras", ou "Os que aqui moram tem o prazer de viver".

FORMAÇÃO ADMINISTRATIVA
Freguesia criada com a denominação de Falcão, em 1736. 
Elevado à categoria de Município com a denominação de Nossa Senhora da Conceição de Cunha por ordem de 15 de setembro de 1875, desmembrado de Guaratinguetá. Constituído do Distrito Sede. Sua instalação verificou-se no dia 28 de outubro de 1785. 
Obs.: O Diploma Legal que altera a denominação anterior para atual, não foi localizado. 
Cidade por Lei Provincial nº 30, de 20 de abril de 1858. 
Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o Município de Cunha se compõe de 2 Distritos: Cunha e Campos Novos do Cunha. 
Nos quadros de apuração do Recenseamento Geral de 1-IX-1920, o Município de Cunha figura com 2 Distritos: Cunha e Campos Novos. Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, figura o Município de Cunha com 2 Distritos: Cunha e Campos Novos do Cunha. 
Em divisões territoriais datadas de 31-XII-1936 e 31-XII-1937, bem como no quadro anexo ao Decreto­lei Estadual nº 9073, de 31 de março de 1938, o Município de Cunha compreende o único termo judiciário da comarca de Cunha e se divide em 3 Distritos: Cunha, Campos Novos do Cunha e Lagoinha. 
No quadro fixado, pelo Decreto estadual nº 9775, de 30 de novembro de 1938, para 1939-1943, o Município de Cunha é composto dos Distritos: de Cunha, Campos de Cunha (ex-Campos Novos da Cunha) e Lagoinha, e é termo único da comarca de Cunha. 
Em virtude do Decreto-lei Estadual nº 14334, de 30 de novembro de 1944, que fixou o quadro territorial para vigorar em 1945-1948, o Município de Cunha ficou composto dos Distritos de Cunha e Campos de Cunha (ex-Campos Novos da Cunha) e constitui o único Município e o único termo judiciário da comarca de Cunha. 
Lei Estadual no 2456, de 30 de dezembro de 1953, desmembra do Município de Cunha o Distrito de Lagoinha. 
Permanece composto dos Distritos de Cunha e Campos de Cunha, comarca de Cunha, nos quadros territoriais fixados pelas Leis Estaduais nos 233, de 24-XII-1948 e 2456, de 30-XII-1953, para vigorar respectivamente, nos períodos 1949-1953 e 1954-1958. 
Em divisão territorial datada de 01-VII-1960, o município é constituído de 2 Distritos: Cunha e Campos de Cunha. 
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 15-VII-1999.

Fonte: Biblioteca do IBGE.

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