domingo, 8 de abril de 2018

O continente africano vai mesmo dividir-se em dois

Fenômeno Jangada de Pedra vai deixar a costa leste africana isolada no oceano Índico.
Os indícios de que a África vai ver parte do seu território tornar-se um pequeno continente autônomo são cada vez mais nítidos, defendem vários investigadores e geólogos. E a fissura que se abriu no Quênia, e que foi notícia há cerca de uma semana, só vem comprovar isso, garantem.

Lucia Perez Diaz, investigadora de pós-doutoramento do Grupo de Investigação das Dinâmicas das Falhas Tectónicas, da Faculdade Royal Holloway da Universidade de Londres, é um dos peritos que defendem essa tese.


Num artigo publicado este sábado pelo Daily Mail, a investigadora avança que, tal como aconteceu há 138 milhões de anos entre os continentes americano e africano, também a placa leste africana deverá acabar por se separar.

A divisão só deverá ocorrer, no mínimo, daqui a 10 milhões de anos. Quando tal acontecer, cinco países - a Somália, metade da Etiópia, o Quênia, a Tanzânia e o norte de Moçambique - deverão ficar num continente isolado (a que para já os geólogos chamam a Placa Somali) criando-se uma nova bacia oceânica.

A separação deverá acontecer ao longo do Rift Valley, ou Vale da Grande Fenda, no leste de África, que se estende ao longo de 3.000km, desde o Golfo de Áden, na costa somali, a norte, até Moçambique, a sul. Segundo cálculos de Lucia Perez Diaz, a fissura do Quênia começou há 30 milhões de anos na região de Afra, no norte deste país, e tem vindo a propagar-se para sul à velocidade de 2,5cm a 5cm por ano. 

A investigadora diz que a fissura agora posta em evidência por recentes movimentos tectônicos - que abriu uma fenda de cerca de 20m de largura e 50m de profundidade no Quênia e destruiu um troço de autoestrada - são "a fase inicial de uma desagregação continental". 

Assim, o panorama ficcional que José Saramago criou, em 1986, em a Jangada de Pedra, poderá mesmo verificar-se, só que em vez de ser na Península Ibérica, será na Costa Leste de África.

Fonte: Diário de Notícias (DN).

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