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Sandra de Sá

Sandra Cristina Frederico de Sá nasceu no Rio de Janeiro em 27 de agosto de 1955 e é considerada a rainha do soul brasileiro. É chamada por alguns de “Tim Maia de saias”, por se identificar com o cantor no balanço e no timbre grave da voz, além de suas histórias juntos, como o famoso clipe do hit “Vale Tudo”, em que Tim a escolheu para fazer o dueto com ele.
Seu pai era baterista e, por isso, em sua adolescência Sandra frequentava os bailes de gafieira,samba e soul, além de aprender sozinha a tocar violão e começar a escrever canções. Por suas letras de forte conscientização social, ganhou prêmios como cantora e compositora em diversos festivais de Música Brasileira. Em 1977, começou a estudar psicologia, na Universidade Gama Filho, curso que teve de abandonar quase no momento de concluir, pois despontou como compositora após a música “Morenando” ter sido gravada por Leci Brandão.

Na década de 1990, Sandra criou a expressão “Música Preta Brasileira”, brincando com a sigla MPB – Música Popular Brasileira. Segundo Sandra, “a nossa música é essencialmente preta (suingada/balançante), pois começa e termina no tambor, no suingue. Não há ritmo que cantemos ou toquemos aqui que não contenha um toque de brasilidade. Isto é a nossa pretitude. Até porque se é popular, é do nosso povo, que é altamente miscigenado.”

Tim Maia

No dia 15 de março de 1998, após passar sete dias internado no Hospital Universitário Antônio Pedro, para onde foi levado depois de passar mal no começo de um show no Teatro Municipal de Niterói, morria o cantor, compositor e instrumentista Sebastião Rodrigues Maia, o indomável Tim Maia, aos 55 anos, vítima de complicações cardiovasculares.

Sua vida foi reflexo de sua personalidade hiperbólica, intensa, divertida e ao mesmo tempo dramática. Caçula de 12 irmãos, nascido no bairro da Tijuca (Rio de Janeiro/RJ), em 1942, sua relação com a música e as composições iniciou-se precocemente. Já aos sete anos escrevia suas primeiras letras.

Em 1956, formou seu primeiro conjunto musical Os Tijucanos do Ritmo. No ano seguinte, aos quinze de idade, montou com Roberto Carlos, Edson Trindade (autor da música Gostava tanto de você), Wellington Oliveira e Arlênio Lívio (que viria a integrar o grupo Renato e seus Blue Caps) o grupo vocal The Sputinks, chegando a se apresentar no programa Clube do Rock, de Carlos Imperial. Esses garotos, juntamente com Erasmo Carlos, Jorge Ben e José Roberto, o China, faziam parte da turma do Bar do Divino, onde se reuniam para escutar e cantar rock’n roll.

No fim dos anos 1950, foi viver nos Estados Unidos. Lá, conheceu a soul music. Chegou a gravar com um grupo americano, The Ideals. Morou inicialmente em Tarrytown, trabalhando em lanchonetes, e posteriormente em Nova Iorque, mas após decidir viajar mais três amigos pelo sul do país, realizando pequenos furtos como forma de financiar a excursão, findou sendo preso na Flórida, por porte de maconha, e deportado para o Brasil, em 1964.

De volta às terras cariocas, Tim Maia se deparou com o sucesso de seus amigos da turma do Bar do Divino. Isso, contudo, não significou acesso facilitado ao mainstream da nascente indústria fonográfica brasileira. Tim teve que se submeter a alguns padrões estéticos para participar dos programas televisivos da Jovem Guarda. Por outro lado, atuando como arranjador e produtor de alguns álbuns e cedendo composições para Roberto e Erasmo Carlos, se tornou o responsável por introduzir a levada da soul music para o Iê-iê-iê.

Após 4 anos vivendo nos bastidores da música, Tim Maia lança seu primeiro trabalho solo, um compacto simples (disco composto apenas por duas faixas), em 1968, pela CBS. O sucesso, todavia, só chega dois anos depois com a gravação de seu primeiro LP. Intitulado simplesmente de Tim Maia, o disco traz algumas canções que se tornaram clássicos do que é conhecido como música popular brasileira: Azul da cor do mar, Primavera e Coronel Antônio Bento.

Outros três discos homônimos foram lançados nos anos seguintes, alçando o nome de Tim Maia, que emplacava novos sucessos a cada lançamento, como Gostava tanto de você, Não quero dinheiro e Réu confesso, ao posto destinado apenas aos grandes artistas.

or trás e para além de sua voz potente, capaz de atingir notas graves, bem como agudas, por meio de falsetes, do groove e do swing de suas batidas que oscilavam entre baladas e sons frenéticos, bem como do teor dramático ou desbundado de suas composições, Tim Maia inaugurava o que ficou conhecido como a moderna música negra brasileira. Juntamente com Cassiano, Banda Black Rio e Hyldon, Tim construiu um novo espaço para o negro na música brasileira, dissociando-o do samba, o que até a década de 1960 era praticamente sua única via de expressão musical.

Em meados da década de 1970, Tim se envolveu com a Cultura Racional, doutrina criada por Manuel Jacinto Coelho, e embebido em seus dogmas lançou dois álbuns conhecidos como Tim Maia Racional (volume I e II). Embora essas obras tivessem, à época, basicamente o papel de disseminar a seita que prometia a imunização racional, por meio de letras de teor essencialmente doutrinário, os discos são considerados verdadeiras obras-primas.

O fato de ter parado de fumar, beber e consumir outras substâncias psicoativas, fez com que sua voz atingisse uma qualidade ímpar. Para muitos críticos e admiradores, os dois álbuns captam suas melhores performances. Aliado a isso, os arranjos da “fase racional” tinham uma marcante pegada soul e funk.

Foi também neste período que Tim Maia criou o seu próprio selo, o Seroma, inverso da palavra amores e abreviação de seu próprio nome de registro. Vale registrar ainda, que o lançamento do Tim Maia Racional Vol. I coincidiu com o nascimento de seu filho Carmelo Maia.

Assim como entrara “de cabeça” na Cultura Racional, o pai da soul music brasileira largou repentinamente os ensinamentos do mestre Manuel e voltou às músicas seculares e à sua vida de excessos. O final da década de 1970, abrigou o álbum Tim Maia Disco Club, em que, aproveitando a febre da disco music, Tim gravou dois de seus maiores sucessos, Acenda o farol e Sossego. A década de 1980 foi marcada pela consolidação de seu nome entre os grandes artistas brasileiros. Inúmeras músicas atingiram as primeiras posições nas rádios de todo o país: Do Leme ao Pontal, Vale tudo, Descobridor dos sete mares. Grandes duetos foram registrados, como os com Gal Costa, Roberto Carlos, Jorge Ben Jor e Sandra de Sá. Tim também selou parcerias bem-sucedidas, a exemplo da celebrada com os compositores Michael Sullivan e Paulo Massadas, autores de Me dê motivo e Um dia de domingo. Como ao longo da carreira, acumulou inimizades e disputas judiciais com as grandes gravadoras, na década de 1990 retomou o projeto da editora Seroma e da gravadora Vitória Régia Discos, passando a ser um dos primeiros artistas do mainstream a aderir ao movimento de música independente. Nesse período, Tim Maia passou a ser regravado por músicos e bandas da nova geração, como Marisa Monte, Paralamas do Sucesso e Titãs.

Em 1993, o grande frontman da música tupiniquim volta às paradas de sucesso por meio da regravação de Como uma onda (Lulu Santos/ Nelson Motta) e por uma inusitada homenagem feita por seu amigo Jorge Ben Jor no refrão da música W/Brasil, em que lhe apelida de Síndico do Brasil. Passou a gravar freneticamente, chegando a lançar 5 discos no ano de 1997, mostrando toda sua versatilidade ao interpretar desde funk, bossa nova e soul a standarts americanos e hinos de clubes cariocas de futebol. Tendo acumulado vários problemas de saúde, decorrentes do uso exagerado de drogas lícitas e ilícitas, além do excesso de peso, Tim Maia, ganhador por seis vezes do Prêmio da Música Brasileira na categoria melhor cantor, se despediu dos palcos e da vida no apagar das luzes do século XX, por coincidência ou não, também chamado de O Século dos Extremos. 

Não obstante, seu nome e sua obra continuam a ecoar por meio de homenagens, tributos, regravações e na memória e ouvidos de milhões de brasileiras e brasileiros. Além de Carmelo, responsável pelo acervo da Vitória Régia Discos e detentor dos direitos autorais do pai, Tim deixou outros dois filhos, José Carlos da Silva Nogueira e o cantor Léo Maia. A vida desse genial artista foi contada por Nelson Motta, no livro de Vale Tudo: o som e a fúria de Tim Maia (2007), que se tornou base para o filme de Mauro Lira, Tim Maia: não há nada igual, lançado em 2014.

Fonte: Fundação Cultural Palmares.

Clementina de Jesus

Biografia: Cantora brasileira de samba, mais conhecida por Clementina de Jesus e Quelé.

Clementina de Jesus da Silva, a Clementina de Jesus, ou, como os amigos carinhosamente a chamavam, Quelé. Nasceu, provavelmente, na comunidade de Carambita, bairro da comunidade de Valença, município localizado no Sul do Estado do Rio de Janeiro. Há divergências quanto à data de seu nascimento, pois alguns pesquisadores consideram o dia 7 de fevereiro de 1901 e outros a data de 17 de fevereiro de 1902. Nasceu em uma família que pulsava ritmo e musicalidade. Seu pai foi mestre de capoeira e violeiro. Com a mãe aprendeu os cantos de trabalho, partido-alto, ladainhas, jongos e pontos de macumba.

Clementina de Jesus.

Em torno dos 8 anos de idade, mudou-se, com a família, para o bairro Oswaldo Cruz, cidade do Rio de Janeiro, onde passou a adolescência. Quando tinha aproximadamente 12 anos, saía como pastorinha no bloco carnavalesco Moreninha das Campinas. Nesse período, possivelmente em torno dos 15 anos, passou a cantar no couro da igreja do bairro Oswaldo Cruz e começou a frequentar rodas de samba.
Em 1940, casou-se com o mangueirense Albino Pé Grande e, consequentemente, foi morar no Morro da Mangueira.

Inicialmente, costumava cantar somente para os amigos. Conciliava o trabalho doméstico, que exerceu por mais de 20 anos, com as rodas de samba. No início da década de 1960, em uma dessas rodas de samba, conheceu o poeta e compositor Hermínio Bello de Carvalho, que, fascinado por sua voz melodiosa, a convidou a participar do show “O menestrel”, iniciativa que ambicionava integrar as músicas popular e erudita.

Seu lançamento para o grande público aconteceu meses depois, ainda na década de 1960, ao participar do musical “Rosa de Ouro”, organizado por Hermínio Bello de Carvalho, contando com a presença de vários artistas, dentre os quais Elton Medeiros e Araci Cortes. Clementina, nesse período, tinha provavelmente 64 anos.

Em 1965, o musical “Rosa de Ouro” foi transformado pela Odeon em LP, constituindo-se, portanto, na estreia de Clementina em disco. Em 1966, viaja para Dacar, Senegal, representando o Brasil no “Festival de Arte Negra”, juntamente com Paulinho da Viola, Elisete Cardoso e Elton Medeiros.

Clementina continuou colhendo os frutos do show “Rosa de Ouro”, pois em 1967 teve o lançamento do LP Rosa de Ouro – Volume II. Nesses discos, cantou diversos jongos, como “Benguelê” e “Boi não berra” (de domínio público), dentre outros sambas consagrados.
O show “Rosa de Ouro” foi um marco na vida artística de Clementina. Além do estrondoso sucesso, que lhe possibilitou gravar dois LPs, os sambistas que participaram das gravações a homenagearam com a gravação do partido-alto criado por Elton Medeiros “Clementina, cadê você?”. Desde então, a cantora, com sua voz grave e melodiosa de partideira, passou a ser convidada para tomar parte em vários espetáculos, inclusive no exterior, assim como a participar em gravações de diversos LPs.

No ano de 1968, Clementina, ao lado de Pixinguinha e João da Baiana, participou da gravação do LP Gente da antiga e do LP Mudando de conversa, ao lado de Ciro Monteiro e Nora Ney, ambos pela gravadora Odeon. Já consagrada, no ano de 1970, Clementina lançou um LP individual cujo título é Clementina, cadê você?.

Em 1973, meses depois de ter tido um trombose, com força e perseverança, gravou mais um LP individual, Clementina de Jesus – Marinheiro só, pela Odeon, interpretando, “Marinheiro só” (folclore popular adaptado por Caetano Veloso), dentre outras canções antológicas.

No ano de 1976, lançou o LP Clementina de Jesus – convida Carlos Cachaça. No ano seguinte, em 1977, participou como convidada de Clara Nunes no LP As forças da natureza. No ano de 1982, a Escola de Samba Lins Imperial apresentou-se com enredo em sua homenagem, “Clementina – Uma Rainha Negra”. Nesse mesmo ano, gravou o LP Canto dos escravos, com Tia Doca e Geraldo Filme, lançado pela gravadora Eldorado. Em 1983, Clementina foi homenageada com um espetáculo no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com participação de Paulinho da Viola, Elisete Cardoso, João Nogueira, Gilberto Gil, Beth Carvalho, Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal e da bateria da Mangueira. No ano de 1984, participou do disco Partido-alto nota 10, de Aniceto do Império.

Em 1985, gravou pela EMI Music o disco Clementina e convidados. O LP contou com a participação de João Bosco, Roberto Ribeiro, Martinho da Vila, Dona Ivone Lara e Clara Nunes, dentre outros cantores consagrados no mundo do samba. Nesse disco, Clementina também expressou-se como compositora.

Clementina estava em uma fase de grande energia criativa. Além de gravar vários LPs, apresentou-se com Nelson Cavaquinho em vários shows, em turnê no Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba. Incansável, Clementina atuou em shows até maio de 1987, quando fez sua última apresentação no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro. Clementina, a Rainha Quelé, faleceu em 19 de setembro de 1987, no Rio de Janeiro, deixando um legado de uma das mais finas expressões da música afro-brasileira.

Fonte: A Cor da Cultura.

Dandara dos Palmares

Guerreira do período colonial do Brasil, Dandara foi esposa de Zumbi, líder daquele que foi o maior quilombo das Américas: o Quilombo dos Palmares. Com ele, Dandara teve três filhos: Motumbo, Harmódio e Aristogíton. Valente, ela foi uma das lideranças femininas negras que lutou contra o sistema escravocrata do século XVII e auxiliou Zumbi quanto às estratégias e planos de ataque e defesa da quilombo.

Dandara dos Palmares.

Não há registros do local onde nasceu, tampouco da sua ascendência africana. Relatos e lendas levam a crer que nasceu no Brasil e se estabeleceu no Quilombo dos Palmares enquanto criança. Ela foi uma das provas reais de que a mulher não é um sexo frágil. Além dos serviços domésticos, plantava, trabalhava na produção da farinha de mandioca, caçava e lutava capoeira, além de empunhar armas e liderar as falanges femininas do exército negro palmarino.

Sempre perseguindo o ideal de liberdade, Dandara não tinha limites quando o que estava em jogo era a segurança do quilombo e a eliminação do inimigo. Ela defendia que a paz em troca de terras no Vale do Cacau, que era a proposta do governo português, seria um passo para a destruição da República de Palmares e a volta à escravidão. Suicidou-se depois de presa, em seis de fevereiro de 1694, para não voltar na condição de escravizada.

Fonte: Fundação Cultural Palmares.

Biografia de Zumbi dos Palmares

Zumbi nasceu em Palmares, em 1655. Era neto da princesa Aqualtune, filha de um importante rei do Congo. Ainda bebê, Zumbi foi aprisionado pela expedição de Brás da Rocha Cardoso e entregue ao padre Antônio Melo, em Porto Calvo. Recebeu o nome de Francisco e uma educação formal. Aos 10 anos, já sabia latim e português e, aos 12, tornou-se coroinha. A inteligência do menino recebia elogios do padre, segundo relatam registros existentes.

Zumbi dos Palmares (1655?–1695).

Com 15 anos, Francisco fugiu de volta a Palmares, adotando o nome de Zumbi e passando a fazer parte da Família Real, pois foi adotado pelo então rei Ganga Zumba. A nação palmarina começou a se formar por volta de 1597, com Aqualtune. Rapidamente a comunidade cresceu, porque era constantemente alimentada pela chegada de negros fugidos, de índios e de brancos pobres. Palmares chegou a ter 30 mil habitantes e, com sua organização e conseqüente fortalecimento, passou a ser visto como uma ameaça perigosa ao poder colonial. Além de praticarem uma agricultura considerada avançada para os padrões da época, desenvolveram uma atividade metalúrgica organizada para sua defesa e subsistência e chegaram a estabelecer comércio com localidades próximas.

Entre 1596 e 1716, os palmarinos resistiram a 66 expedições coloniais, tanto de portugueses como de holandeses. Foi a maior e mais longa expressão contestatória da escravidão em todo o mundo. De todos os líderes da resistência negra, dois se tornaram conhecidos: Ganga Zumba e Zumbi. Zumbi, porém, foi o líder mais famoso da confederação de quilombos de Palmares, que se estendia pelos territórios atuais de Alagoas e Pernambuco.

Ganga Zumba, cansado de muitas guerras, assinou um acordo de paz com os portugueses, em 1678. Isso desagradou uma parte significativa dos quilombolas, que viam a transferência para Cucaú como uma forma de controlar a comunidade, além de não resolver o problema da escravidão. Foi nesse momento que Zumbi rompeu com Ganga Zumba, sendo aclamado Grande Chefe por aqueles que ficaram em Palmares.

Durante um ataque em 1694, Zumbi caiu ferido em um desfiladeiro, o que gerou o mito de que o herói se suicidara para evitar a escravização. No entanto, em 1695, Zumbi voltou a comandar ataques, mostrando que estava vivo.

Depois de 17 anos de combates, Zumbi foi traído por um de seus principais comandantes, Antônio Soares, e assassinado durante expedição de Domingos Jorge Velho, em 20 de novembro de 1695. A cabeça de Zumbi foi decepada e levada para Recife, onde foi pendurada em local público até sua total decomposição. Palmares resistiu ainda por mais de 30 anos antes de sucumbir definitivamente. Em homenagem a Zumbi, a data de sua morte foi escolhida como Dia Nacional da Consciência Negra.

Fonte: A Cor da Cultura.