domingo, 4 de agosto de 2019

Caetano Veloso: a doença da desigualdade vem da escravidão

“Essas ilusões a respeito da ordem, da segurança, durante a ditadura, são ilusórias. Durante a ditadura, eu fui preso, fiquei dois meses na cadeia, sendo que uma semana fiquei numa solitária, deitado no chão, com uma porta de ferro, sem que ninguém me dissesse por quê. Não fui interrogado, que havia também desorganização e desrespeito pela pessoa humana, e eu não sofri tortura. Conheço pessoas que sofreram, algumas morreram, foram assassinadas. Tem gente que fica elogiando, achando que era bom, não era bom. Isso eu não admito. O respeito a cada pessoa é um direito que quando se conquista não se deve abrir mais mão, de jeito nenhum, sob nenhum pretexto. Isso tem acontecido no mundo inteiro e está acontecendo no Brasil. É uma neurose. É bom que se ponha pra fora. 

VÍDEO:
Caetano Veloso no "Lady Night" 26/11/2018, com Tatá Werneck, no Multishow. 

A gente tem que aguentar o que precisa ser posto pra fora, mas também tem que ter a maturidade de acompanhar. Nós somos um país gigante, de tamanho continental, no hemisfério sul, altamente miscigenado, com a maior quantidade de negros que qualquer país do mundo fora da África, e nós falamos português, não é nem espanhol, e ainda horrivelmente desigual. A distribuição de renda no Brasil é uma tragédia! É a doença da desigualdade. Vem da escravidão, e precisa vir a segunda abolição.”

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