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Exercícios de Literatura sobre Inocência, de Visconde de Taunay - com gabarito

1 - UNICENTRO 2023 - Leia o trecho do romance, a seguir. 
– Deixe-me falar, deixe contar-lhe o que me enche o peito... Depois ficarei sossegada... Sou filha dos sertões; nunca morei em povoados, nunca li em livros, nem tive quem me ensinasse coisa alguma... Se eu o magoar, desculpe, será sem querer... Lembra-me que, há já um tempão, pararam aqui umas mulheres com uns homens e eu perguntei a papai por que é que ele não as mandava entrar cá para dentro, como é de costume com famílias... O pai me respondeu: – Não, Nocência, são mulheres perdidas, de vida alegre. Fiquei muito assombrada. – Mas, então, melhor, se são alegres hão de divertir-me. – Aquilo é gente airada, sem-vergonha, secundou ele. – Tive tanto dó delas que mecê não imagina. Depois fui espiar... caíam tontas no chão... pitavam e cantavam muito alto com modos tão feios, que me fizeram corar por elas! E são os homens que fazem ficar ansim as coitadas! ... Antes morrer... 
(TAUNAY, Visconde de. Inocência. 2. ed. Porto Alegre: L&PM, 2008, p.140.) 

Sobre o romance Inocência, assinale a alternativa correta. 
a) Ao se apresentar como “filha dos sertões”, a personagem reforça a condição de Inocência como uma das importantes vertentes da prosa ficcional brasileira, o romance sertanejo do século XIX, em contraste com a ficção contemporânea que deixa de focalizar a vida do interior brasileiro. 
b) A falta de experiências da protagonista em concentrações urbanas é uma justificativa para a condição vulnerável de Inocência, exposta, portanto, sem maior resistência, de modo despreparado, às estratégias e às artimanhas de Manecão e Cirino para seduzi-la. 
c) A identificação entre a protagonista do romance e as “mulheres perdidas” representa o papel libertário de Inocência, que se insurge contra as normas sociais por meio de uma conscientização política muito fundamentada e amadurecida. 
d) O relato do diálogo entre a protagonista e o pai assim como a ressalva de uma eventual e involuntária mágoa causada a Cirino significam que a sabedoria de Inocência se expressa pela ironia calculada, a despeito do pequeno conhecimento livresco. 
e) A compaixão expressa por Inocência no episódio narrado a Cirino corresponde à preservação de sua pureza, que, nutrida pelo ambiente sertanejo dentro do qual circula, lhe proporciona interpretar como degradante aquela cena promovida pelas mulheres.

2 - UNICENTRO 2007/1 - Relativamente ao romance Inocência, de Taunay, todas as afirmativas abaixo são procedentes, EXCETO 
A) O autor desenvolve toda a história em cenário e meio tipicamente sertanejo. 
B) Numa atmosfera agreste e idílica, a gente rústica do sertão de Mato Grosso vive seus conflitos. 
C) Pereira decide casar a filha com Manecão, homem honrado e rude tal como o pai de Inocência. 
D) Órfã de mãe desde o nascimento, Inocência é criada pelo pai, Pereira, mineiro afetuoso mas turrão. 
E) Inocência, que vivia, desde menina, apaixonada pelo prático Cirino, deixa de aceitar o noivado imposto pelo pai.

3 - PUC-PR 2015 - Sobre o romance Inocência, de Visconde de Taunay, é CORRETO afirmar: 
a) É uma das principais obras da primeira fase do Romantismo, na qual ocorre uma idealização do caráter do indígena, retratado como exemplo de pureza e inocência. 
b) É com este romance que se inaugura o Naturalismo no Brasil, que, em seguida, terá em Aluísio Azevedo seu principal representante. c) É umas das principais obras da primeira fase do Modernismo brasileiro, representando com candura a vida e os costumes do sertão. 
d) Embora pertencendo ao Romantismo, já antecipa características do Realismo/Naturalismo, sobretudo, por sua caracterização do ser humano como produto do meio. 
e) Embora pertencendo ao Realismo, já traz traços do Naturalismo, sobretudo na caracterização do personagem Tico, um anão mudo que é o responsável pela reviravolta da trama.

4 - UFPR 2013 - Os capítulos do romance Inocência, de Visconde de Taunay, são introduzidos por epígrafes de autores variados, dentre as quais citamos: 
1. “Semeai promessas; a ninguém causam desfalque, e o mundo é rico de palavras. / A esperança quando outros nela creem faz ganhar muito tempo. – Ovídio, A arte de amar”. (Capítulo 3) 
2. “Sganarelo — De toda a parte vem gente procurar-me, e, se as coisas continuarem assim, sou de parecer que de uma vez devo dedicar-me à Medicina. Acho que de todos os ofícios é este o preferível, porque, ou se faça bem ou mal, sempre no fim há dinheiro. – Molière, O médico à força”. (Capítulo 3) 3. “Onde há mulheres, aí se congregam todos os males a um tempo. – Menandro”. (Capítulo 5) 
4. “Considerai a arte da composição das asas da borboleta: a regularidade das escamas, cobrindo-as, como se fossem penas; a variedade das cambiantes cores; a tromba enrolada, com que suga o alimento no seio das flores; as antenas, órgãos delicados do tato, que lhe coroam a cabeça cercada de uma rede admirável de mais de mil e duzentos olhos... – Bernardin de Saint-Pierre, Harmonias da Natureza”. (Capítulo 21) 
5. “Eis que vi um cavalo amarelo, e quem o montava era a morte. – São João, Apocalipse”. (Capítulo 30) 

A respeito da relação entre as epígrafes e o texto de Taunay, é correto afirmar: 
a) As ideias apresentadas pelas epígrafes não são ensinamentos morais preconizados pelo romance, já que o narrador e a trama romanesca desautorizam ideias como as das epígrafes 2 e 3, que expressam pensamentos de personagens. 
b) Por causa do diálogo construído entre a trama romanesca e as epígrafes de autores estrangeiros, o romance de Taunay assume um caráter universalizante, o que o distingue dos romances regionalistas, que tratam de questões nacionais. 
c) As epígrafes trazem para o romance ideias alheias que são discutidas pelos personagens, ao modo dos romances de ideias, nos quais são debatidos fragmentos de discursos de renomados poetas, ficcionistas e filósofos. 
d) O texto ficcional desenvolve as ideias sugeridas pelas epígrafes: a epígrafe 1 serve de comentário ao episódio no qual Cirino ilude os padres do Colégio do Caraça, estimulando-os a acreditarem que ele é médico formado. 
e) O romance dissemina ideias estrangeiras por meio das epígrafes oriundas de diferentes culturas e também pelos ensinamentos de Meyer, o naturalista alemão cujas ideias são responsáveis por civilizar os personagens sertanejos.

5 - ACAFE 2012/1 - Em relação a Cirino, personagem da obra Inocência, de Visconde de Taunay, é correto o que se afirma em: 
a) “Homem já de alguma idade, o recém chegado era gordo, de compleição sanguínea, rosto expressivo e franco. Trajava à mineira e parecia, como realmente era, morador daquela localidade.” 
b) Aprendeu a receitar e passou a fazer excursões pelo interior, medicando as pessoas, utilizando-se “de alguns conhecimentos de valor positivo, outros que a experiência lhe ia indicando ou que a voz do povo e a superstição ministravam”. 
c) Padrinho de Inocência, morava “para lá das Parnaíbas, já nos terrenos Gerais”. 
d) Depois de descobrir uma nova espécie de borboleta e denominá-la Papilio Innocentia, em homenagem à beleza de Inocência, continua a sua viagem.

GABARITO
1 - E
2 - E
3 - D
4 - A
5 - B

Exercícios de Literatura sobre Torto Arado, de Itamar Vieira Junior - com gabarito

1 - UNICENTRO 2023 - Leia, a seguir, o trecho de Torto arado. 
Na escola, sem Bibiana ao meu lado para me ajudar, minha vida se tornou um tormento. Desde o início, minha mãe avisou à dona Lourdes, a nova professora, da minha mudez. Ela foi cuidadosa, no começo, e bastante generosa para me ensinar as tarefas. Àquela altura eu já sabia ler, graças muito mais aos esforços de minha irmã mais velha e minha mãe, do que da professora sem paciência que dava aula na casa de dona Firmina. Para mim era o suficiente. Diferente de Bibiana, que falava em ser professora, eu gostava mesmo era da roça, da cozinha, de fazer azeite e de despolpar o buriti. Não me atraía a matemática, muito menos as letras de dona Lourdes. Não me interessava por suas aulas em que contava a história do Brasil, em que falava da mistura entre índios, negros e brancos, de como éramos felizes, de como nosso país era abençoado. Não aprendi uma linha do Hino Nacional, não me serviria, porque eu mesma não posso cantar. Muitas crianças também não aprenderam, pude perceber, estavam com a cabeça na comida ou na diversão que estavam perdendo na beira do rio, para ouvir aquelas histórias fantasiosas e enfadonhas sobre os heróis bandeirantes, depois os militares, as heranças dos portugueses e outros assuntos que não nos diziam muita coisa. 
(VIEIRA JÚNIOR, Itamar. Torto arado. São Paulo: Todavia, 2019. p. 97.) 

Com base no trecho de Torto arado, assinale a alternativa correta. 
a) O trecho, assim como o restante do romance, é narrado em primeira pessoa por Belonísia, irmã de Bibiana. 
b) O fato de essa narrativa aparecer na proximidade da metade do romance significa que a perspectiva de Bibiana, com seu conformismo e resignação, é superada dali em diante. 
c) A ressalva quanto ao cuidado e à generosidade da professora no início daquela experiência escolar aponta para as grandes expectativas de aprendizagem em Belonísia. 
d) O prazer de lidar com a roça representa a dificuldade da personagem e narradora para desenvolver um espírito crítico na abordagem de questões relativas ao conhecimento. 
e) O desinteresse pelas aulas decorre da pouca relevância atribuída àqueles assuntos e da distância daquilo em relação à realidade vivida por Belonísia e por seus colegas.

2 - UESB 2023Leia o trecho a seguir da obra Torto arado do escritor brasileiro Itamar Vieira Junior: 
A agressividade de Tobias cresceu nos meses que se seguiram, a ponto de minha mãe fazer chegar a mim um recado de meu pai: estava preocupado comigo e queria que voltasse para a casa. Não seria vergonha alguma para a família meu retorno. Apenas queria zelar por sua filha, para que nada de ruim acontecesse. Tobias reclamava por pouca coisa, e quase sempre a culpa de tudo estava em mim. Bebia grande quantidade de cachaça, seus olhos ficavam vermelhos e pousavam no meu corpo quase sempre para acompanhar os insultos que me dirigia: lembrar que eu era muda, que passado tanto tempo não havia gerado filho como minha irmã, que não cozinhava bem, que perdia muito tempo adornando o quintal, que não queria me ver na companhia de Maria Cabocla. 
VIEIRA JUNIOR, Itamar. Torto arado. São Paulo: Todavia, 2019. 

Considerando o excerto da obra Torto arado, do escritor baiano Itamar Vieira Junior, e tendo em vista características, contexto histórico e tendências da literatura contemporânea, assinale a alternativa INCORRETA. 
A) Torto arado aborda questões recorrentes na literatura contemporânea, como conflitos identitários e a condição social de representantes das minorias. 
B) Assim como a geração de 1930, conhecida como a fase Regionalista do Modernismo, a literatura contemporânea, por vezes, apresenta um discurso engajado com causas sociais. 
C) O excerto apresenta uma situação típica do patriarcalismo e suas implicações para a condição feminina, que é reduzida ao seu “papel” de gênero na sociedade. 
D) A literatura de autoria feminina e o protagonismo de personagens negros surgem no Brasil a partir do Modernismo com escritoras como Rachel de Queiroz e Conceição Evaristo. 
E) A representação da condição feminina na literatura contemporânea subverte a tradição romântica focada na idealização da mulher e das relações amorosas.

3 - FGV 2022 - É um romance brasileiro de 2019 escrito pelo autor baiano Itamar Vieira Junior. Conta a história de duas irmãs, Bibiana e Belonísia, marcadas por um acidente de infância, e que vivem em condições de trabalho escravo contemporâneo em uma fazenda no sertão da Chapada Diamantina. O romance foi originalmente publicado em Portugal, pela editora Leya, após vencer o prêmio de mesmo nome. No Brasil, é publicado pela editora Todavia. Além do Prémio Leya, venceu também importantes competições como o Prêmio Jabuti 2020 e o Prêmio Oceanos 2020. (adap. wikipedia) 

O texto refere-se ao romance 
A) Torto Arado. 
B) Baixo Esplendor. 
C) Tudo é Rio. 
D) Vista Chinesa. 
E) Anos de Chumbo e Outros Contos.
 
GABARITO
1 - E
2 - D
3 - A

Exercícios de Literatura sobre o Trovadorismo - com gabarito

1 - EsPCEx 2013 - É correto afirmar sobre o Trovadorismo que 
a) os poemas são produzidos para ser encenados. 
b) as cantigas de escárnio e maldizer têm temáticas amorosas. 
c) nas cantigas de amigo, o eu lírico é sempre feminino. 
d) as cantigas de amigo têm estrutura poética complicada. 
e) as cantigas de amor são de origem nitidamente popular.

2 - ESPM 2014/1 - O amor cortês foi um gênero praticado desde os trovadores medievais europeus. Nele a devoção masculina por uma figura feminina inacessível foi uma atitude cons­tante. A opção cujos versos confirmam o exposto é: 
a) Eras na vida a pomba predileta (...) Eras o idílio de um amor sublime. Eras a glória, - a inspiração, - a pátria, O porvir de teu pai! (Fagundes Varela) 
b) Carnais, sejam carnais tantos desejos, Carnais sejam carnais tantos anseios, Palpitações e frêmitos e enleios Das harpas da emoção tantos arpejos... (Cruz e Sousa) 
c) Quando em meu peito rebentar-se a fibra, Que o espírito enlaça à dor vivente, Não derramem por mim nenhuma lágrima Em pálpebra demente. (Álvares de Azevedo) 
d) Em teu louvor, Senhora, estes meus versos E a minha Alma aos teus pés para cantar-te, E os meus olhos mortais, em dor imersos, Para seguir-lhe o vulto em toda a parte. (Alphonsus de Guimaraens) 
e) Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar? amar e esquecer amar e malamar, amar, desamar, amar? (Manuel Bandeira)

3 - Mackenzie - Sobre a poesia trovadoresca em Portugal, é INCORRETO afirmar que:
a) refletiu o pensamento da época, marcada pelo teocentrismo, o feudalismo e valores altamente moralistas.
b) representou um claro apelo popular à arte, que passou a ser representada por setores mais baixos da sociedade.
c) pode ser dividida em lírica e satírica.
d) em boa parte de sua realização, teve influência provençal.
e) as cantigas de amigo, apesar de escritas por trovadores, expressam o eu-Iírico feminino.

4 - UFMG - Interpretando historicamente a relação de vassalagem entre homem amante/mulher amada, ou mulher amante/homem amado, pode-se afirmar que: 
a) o Trovadorismo corresponde ao Renascimento. 
b) o Trovadorismo corresponde ao movimento humanista. 
c) o Trovadorismo corresponde ao Feudalismo. 
d) o Trovadorismo e o Medievalismo só poderiam ser provençais. 
e) tanto o Trovadorismo como Humanismo são expressões da decadência medieval.

5 - Mackenzie - Assinale a alternativa incorreta a respeito do Trovadorismo em Portugal.
a) Durante o Trovadorismo, ocorreu a separação entre poesia e a música.
b) Muitas cantigas trovadorescas foram reunidas em livros ou coletâneas que receberam o nome de cancioneiros.
c) Nas cantigas de amor, há o reflexo do relacionamento entre o senhor e vassalo na sociedade feudal: distância e extrema submissão.
d) Nas cantigas de amigo, o trovador escreve o poema do ponto de vista feminino.
e) A influência dos trovadores provençais é nítida nas cantigas de amor galego-portuguesas.

GABARITO
01 - C
02 - D
03 - B
04 - C
05 - A

Exercícios de Literatura sobre Fernando Pessoa - com gabarito

1 - UFRGS 2016 - Assinale a alternativa CORRETA a respeito da vida e da obra do poeta português Fernando Pessoa. 
a) Pessoa foi um dos líderes da revista de literatura Orpheu, juntamente com Mário de Sá-Carneiro e Eça de Queiroz. 
b) A criação da revista de literatura Orpheu identifica Pessoa como um dos fundadores do Modernismo português. 
c) Pessoa foi responsável pelo espírito derrotista, em que Portugal estava mergulhado no final do século XIX. 
d) Os heterônimos de Pessoa, tais como Álvaro de Campos e Ricardo Reis, podem ser vistos como pseudônimos, utilizados pelo poeta para burlar a censura. 
e) A criação de heterônimos é uma prática comum aos poetas colaboradores da revista Orpheu.

2 - PUC-RS 2019 - Considerando as particularidades de cada um dos heterônimos de Fernando Pessoa, é possível afirmar que os versos 
“Há metafísica bastante em não pensar em nada. 
O que penso eu do mundo? 
Sei lá o que penso do mundo! 
Se eu adoecesse pensaria nisso.” 

pertencem a 

a) Alberto Caeiro. 
b) Álvaro de Campos. 
c) Ricardo Reis. 
d) Sá-Carneiro.

3 - UM-SP - A respeito de Fernando Pessoa, é incorreto afirmar que: 
a) não só assimilou o passado lírico de seu povo, como refletiu em si as grandes inquietações humanas do começo do século. 
b) os heterônimos são meios de conhecer a complexidade cósmica impossível para uma só pessoa. 
c) Ricardo Reis simboliza uma forma humanística de ver o mundo do espírito da Antiguidade Clássica. 
d) junto com Mário de Sá-Carneiro, dirige a publicação do segundo número de Orpheu, em 1926. 
e) a Tabacaria, de Alberto Caeiro, mostra seu desejo de deixar o grande centro em busca da simplicidade do campo.

4 - Unilus 2021 - Atente para a declaração abaixo, do poeta português Fernando Pessoa: Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: “Navegar é preciso, viver não é preciso”. Quero para mim o espírito desta frase, transformada a forma para a casar com o que sou: viver não é necessário, o que é necessário é criar. 

Nessa declaração, Fernando Pessoa 
a) demonstra que mesmo um poeta criativo não imagina o quanto navegar importava para os velhos marujos. 
b) retoma uma frase de antigos navegadores para contestá-la em nome do espírito da literatura moderna. 
c) recorre a uma frase tradicional de navegadores antigos para valorizar sua presente necessidade de artista. d) considera que a criação poética não é tão fascinante quanto a vida que os antigos marujos deviam prezar. e) traduz o sentido enigmático de uma frase gloriosa atribuída aos antigos navegadores portugueses.

5 - URCA 2017/1
Segue o Teu Destino
Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós próprios.
Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como exvoto
aos deuses.
Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizerte.
A resposta
Está além dos deuses.
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.
Ricardo Reis, in "Odes"

São heterônimos de Fernando Pessoa: 
a) Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. 
b) Ricardo Reis, João Ubaldo e Álvares de Azevedo. 
c) Umberto Eco, Álvares de Azevedo e Ricardo Reis. 
d) Álvaro de Campos. Saramago e Alberto Caeiro. 
e) Fernando Veríssimo, Ricardo Reis e João Ubaldo.

GABARITO
1 - B
2 - A
3 - E
4 - C
5 - A

Teste de Literatura: Vidas Secas, de Graciliano Ramos (01)

Lista de Exercícios sobre  Vidas Secas, de Graciliano Ramos (01)

1 - FDF 2016 - De Graciliano Ramos e sua obra Vidas Secas é INCORRETO afirmar que 
a) novela que integra o chamado “ciclo da seca” do nordeste brasileiro, apresenta personagens heroicos e épicos que ilustram a afirmação de que o sertanejo é antes de tudo um forte. 
b) principal expoente do chamado “romance de 30” no Brasil, Graciliano Ramos ultrapassou em muito o regionalismo que marcou a obra de tantos autores do movimento. 
c) em Vidas Secas o sertão não vira mar, é sempre árido com areias escaldantes, animais moribundos e mortos e vegetação retorcida. 
d) a obra retrata o camponês nordestino em sua caminhada infrutífera em terra sempre alheia, sem direitos e despojado até da fala.

2 - FDF 2015 - – Fabiano, você é um homem, exclamou em voz alta.

Conteve-se, notou que os meninos estavam perto, com certeza iam admirar-se ouvindo-o falar só. E, pensando bem, ele não era homem: era apenas um cabra ocupado em guardar coisas dos outros. Vermelho, queimado, tinha os olhos azuis, a barba e os cabelos ruivos; mas como vivia em terra alheia, cuidava de animais alheios, descobria-se, encolhia-se na presença dos brancos e julgava-se cabra.

Olhou em torno, com receio de que, fora os meninos, alguém tivesse percebido a frase imprudente. Corrigiu-a, murmurando:

– Você é um bicho, Fabiano.

Do trecho acima, de Vidas Secas, obra de Graciliano Ramos, pode-se admitir que 
a) é delimitado pelo discurso direto e pelo vocativo, sem apresentar antagonismo na nomeação do personagem. 
b) se marca pelo discurso descritivo que se faz presente na caracterização do personagem e de seu contexto. 
c) tem no discurso narrativo a base do texto, inexistindo qualquer outro tipo de caracterização. 
d) revela oposição entre homem e bicho, circunscrita apenas no uso do discurso indireto livre. 
e) apresenta um narrador de terceira pessoa que impede o uso do monólogo interior e submete o personagem ao seu controle onisciente.

3 - FDF 2011 - "Alguns dias antes estava sossegado, preparando látegos, consertando cercas. De repente, um risco no céu, outros riscos, milhares de riscos juntos, nuvens, o medonho rumor de asas a anunciar destruição. Ele já andava meio desconfiado vendo as fontes minguarem. E olhava com desgosto a brancura das manhãs e a vermelhidão sinistra das tardes." O trecho acima que integra a obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos, apresenta uma linguagem em que predomina 
a) a construção poética, evidenciada pelo processo de seleção e combinação em que figuras estilísticas e jogo de cores criam plasticamente o cenário da desolação e da seca. 
b) apenas a preocupação informativa que referencializa o espaço e o mostra como cenário desolador e inóspito ao ser humano. 
c) a caracterização do meio como força positiva capaz de atuar sobre as criaturas e de equilibrar as tensões que as afligem. 
d) ausência de recursos emotivos, uma vez que, narrado em terceira pessoa, reflete apenas a visão de um narrador descomprometido com a realidade. 
e) construção gramatical rigorosa marcada por uma sintaxe complexa, capaz de impedir o entendimento imediato do texto.

4 - FDF 2014 - Fabiano, meu filho, tem coragem. Tem vergonha, Fabiano. Mata o soldado amarelo. Os soldados amarelos são uns desgraçados que precisam morrer. Mata o soldado amarelo e os que mandam nele. 
Considerando o trecho do livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos, e o conhecimento que se possa ter da obra inteira, o sentimento expresso por Fabiano contra o soldado amarelo justifica-se plenamente por ele ter 
a) sido forçado pelo soldado amarelo a participar de um jogo de cartas no qual perdeu o pouco que tinha. b) sido incapaz de vingar-se do soldado amarelo porque via nele o representante da autoridade inquestionável do governo. 
c) sido o soldado a causa de sua prisão e espancamento, ao reagir a uma agressão sofrida. 
d) sido complacente com o soldado amarelo, diante da oportunidade de matá-lo com um facão, quando topou com ele, sozinho, na catinga. 
e) armado uma cilada para atrair o soldado, surpreendendo-o em situação de fragilidade e ter-se acanalhado diante dele, submetendo-se à sua vontade.

5 - FDF 2013 - Texto 1. - Eram todos felizes. Sinha Vitória vestiria uma saia larga de ramagens. A cara murcha de Sinha Vitória remoçaria, as nádegas bambas de Sinha Vitória engrossariam, a roupa encarnada de Sinha Vitória provocaria a inveja das outras caboclas.

Texto 2. - Sinha Vitória achou que sim. Fabiano agradeceu a opinião dela e gabou-lhes as pernas grossas, as nádegas volumosas, os peitos cheios. As bochechas de Sinha Vitória avermelharam-se e Fabiano repetiu com entusiasmo o elogio. Era. Estava boa, estava taluda, poderia andar muito.

Os trechos acima referem-se a dois momentos diferentes vividos pela mesma personagem, na novela Vidas Secas, de Graciliano Ramos. E envolvem a mudança e a fuga, ou seja, o começo e o fim da narrativa. Assim, indique a alternativa que NÃO confirma a relação entre os trechos.

a) O primeiro representa um estado de desejo, indiciado pelo uso dos tempos verbais. 
b) Ambos servem para confirmar um processo de transformação positiva ocorrido na vida de Sinha Vitória e sua família. 
c) O segundo confirma as previsões do primeiro e apresenta um quadro de melhoria verificada na vida de Sinha Vitória. 
d) O primeiro revela uma situação de carências resultantes do quadro de penúria e miséria vivido pela personagem. 
e) Há entre eles uma relação de complementaridade configurada em diálogos de tempos e vozes diferentes.

GABARITO
01 - A
02 - B
03 - A
04 - C
05 - B

Teste de Literatura: Iracema, de José de Alencar (04)

Lista de Exercícios sobre Iracema, de José de Alencar (04)

1 - PUC-SP 2020 - Leia o fragmento a seguir, extraído do capítulo IV de Iracema, lenda do Ceará, para responder à questão.

O maior chefe da nação tabajara, Irapuã, descera do alto da serra Ibiapaba, para levar as tribos do sertão contra o inimigo pitiguara. Os guerreiros do vale festejam a vinda do chefe e o próximo combate.
O mancebo cristão viu longe o clarão da festa; passou além e olhou o céu azul sem nuvens. A estrela morta que então brilhava sobre a cúpula da floresta guiou seu passo firme para as frescas margens do rio das garças.
Quando ele transmontou o vale e ia penetrar na mata, surgiu o vulto de Iracema. A virgem seguira o estrangeiro como a brisa sutil que resvala sem murmurejar por entre a ramagem.
- Por que, disse ela, o estrangeiro abandona a cabana hospedeira sem levar o presente da volta? Quem fez mal ao guerreiro branco na terra dos tabajaras?
O cristão sentiu quanto era justa a queixa e achou-se ingrato.
- Ninguém fez mal ao teu hóspede, filha de Araquém. Era o desejo de ver seus amigos que o afastava dos campos dos tabajaras. Não levava o presente da volta; mas leva em sua alma a lembrança de Iracema.
- Se a lembrança de Iracema estivesse n'alma do estrangeiro, ela não o deixaria partir. O vento não leva a areia da várzea, quando a areia bebe a água da chuva
(ALENCAR, José de. Iracema: lenda do Ceará. Cotia: Ateliê Editorial, 2006, p.111-112.)

A respeito dos cenários em que transcorrem as ações de Iracema, é CORRETO afirmar que, no fragmento em questão, José de Alencar
a) atribui, de modo fantasioso ao colonizador português, a ousadia de desbravar o caminho entre a serra e a região litorânea do Ceará, trajeto que mesmo os indígenas que habitavam a região temiam percorrer 
b) mesclou pesquisa histórico-geográfica à imaginação romântica, ao situar em territórios reais do estado do Ceará – como a “serra de Ibiapaba” e o “rio das garças” – as fictícias tribos inimigas dos tabajaras e pitiguaras. 
c) deu vazão à sua imaginação de romancista ao situar em regiões distintas do Ceará as tribos dos tabajaras e dos pitiguaras, desrespeitando as evidências históricas de que tais tribos, no período da colonização portuguesa, conviviam na região litorânea do estado. 
d) manteve-se fiel às informações históricas e geográficas que sustentam o romance, conforme as referências à “serra de Ibiapaba” e às “margens do rio das garças”, territórios habitados, respectivamente, por tabajaras e pitiguaras no início da colonização portuguesa.

2 - FAAP 2017 - Leia a descrição a seguir da heroína Iracema, protagonista do romance homônimo de José de Alencar. 

A virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que o talhe de palmeira. O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque com seu hálito perfumado. Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação Tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas. 

Ao caracterizar Iracema, está incorreto afirmar que o escritor: 
a) descreve uma heroína não idealizada, que deveria ser forte para enfrentar os perigos da mata. 
b) valoriza a natureza, haja vista a descrição apresentada de Iracema: mel, asa da graúna, palmeira, etc. 
c) faz uso de comparações. 
d) valoriza a mulher pura quando diz a “virgem dos lábios de mel”, característica da personagem feminina romântica. 
e) apresenta a cor local brasileira.

3 - FDF 2017 - Iracema é a personagem que dá título ao romance indianista, de mesmo nome, de José de Alencar. A respeito dela NÃO É CORRETO afirmar que 
a) carrega em seu nome o anagrama de América e ela se mostra ligada, simbolicamente, à fundação do estado do Ceará. 
b) mostra-se como uma figura real e concreta do contexto brasileiro e sua descrição física obedece a um exagero retórico que compromete a figura feminina dentro do Romantismo. 
c) dá corpo a uma alegoria, e se configura como a representação mais complexa de Pindorama, símbolo da nacionalidade brasileira. 
d) constrói-se a partir de muitas metáforas e comparações tomadas à natureza brasileira, de sua flora e sua fauna.

4 - Albert Einstein 2017/1Os olhos de Iracema, estendidos pela floresta, viram o chão juncado de cadáveres de seus irmãos; e longe o bando dos guerreiros tabajaras que fugia em nuvem negra de pó. Aquele sangue que enrubescia a terra, era o mesmo sangue brioso que lhe ardia nas faces de vergonha. 
O pranto orvalhou seu lindo semblante. 
Martim afastou-se para não envergonhar a tristeza de Iracema. 

O trecho acima integra a obra Iracema, publicada em 1865 por José de Alencar. Considerando este romance em sua inteireza, do trecho em questão, NÃO É CORRETO afirmar que 
a) revela o desfecho da luta entre os pitiguaras e os tabajaras, tribos inimigas, no meio da qual Iracema sofre as consequências de uma opção amorosa. 
b) configura o dilema afetivo da virgem posta entre o amor do esposo, amigo dos inimigos de sua tribo e a lealdade aos irmãos vencidos em guerra pelos pitiguaras. 
c) desvela as imagens trágicas que os olhos de Iracema refletem e o sentimento de vergonha que a faz corar e que a acomete pela escolha inescapável que fizera. 
d) indicia o choro de arrependimento e remorso pela aventura amorosa vivida entre Iracema e Martim, cujo desenrolar pressagia um destino final trágico para o par romântico.

5 - UEA 2014 - Leia o trecho de Iracema, de José de Alencar.

Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta. Ergue a virgem os olhos, que o sol não deslumbra; sua vista perturba-se.

Diante dela e todo a contemplá-la, está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito da floresta. Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar; nos olhos o azul triste das águas profundas. Ignotas armas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo.

Foi rápido, como o olhar, o gesto de Iracema. A flecha embebida no arco partiu. Gotas de sangue borbulham na face do desconhecido.

De primeiro ímpeto, a mão lesta caiu sobre a cruz da espada; mas logo sorriu. O moço guerreiro aprendeu na religião de sua mãe, onde a mulher é símbolo de ternura e amor. Sofreu mais d’alma que da ferida.

O sentimento que ele pôs nos olhos e no rosto, não o sei eu. Porém a virgem lançou de si o arco e a uiraçaba, e correu para o guerreiro, sentida da mágoa que causara.
(www.objdigital.bn.br)

O romance trata das consequências do encontro entre Iracema e Martim. Com o romance, José de Alencar tem a intenção de 
a) mostrar que o povo indígena, símbolo da nação brasileira, era culturalmente superior ao colonizador europeu. 
b) inventar um mito fundador para o Brasil, pela interação do povo indígena e do povo branco europeu. c) descrever o interior brasileiro, com seus diversos habitantes, em particular os sertanejos, os fazendeiros e os jesuítas. 
d) imitar os romances europeus que narram a destruição da vida de um homem gentil por uma mulher fatal. 
e) documentar, com rigor científico, o encontro entre populações que formaram o Brasil: indígenas, portugueses e africanos.

GABARITO
01 - D
02 - A
03 - B
04 - D
05 - B

Teste de Literatura: Iracema, de José de Alencar (03)

Lista de Exercícios sobre  Iracema, de José de Alencar (03)

1 - UNEMAT 2009/1 - A propósito do romance Iracema, de José de Alencar, pode-se afirmar
a) No capítulo que abre o romance, Martim está levando Moacir – seu filho com Iracema – para longe da terra natal. 
b) Simbolicamente, através da história de amor entre o português Moacir e a índia Iracema, Alencar discute o processo de formação do brasileiro. 
c) Paralelamente à história de amor entre Martim e Iracema, Alencar aborda a temática da invasão holandesa e da fundação da cidade de Olinda. 
d) A mitificação da índia Iracema não tem nenhum compromisso com o contexto do Romantismo. 
e) Ao partir para a Europa com o filho, Martim realiza o grande sonho de retornar à sua terra com o fruto do seu amor tropical.

2 - UNEMAT 2010/1 - No primeiro capítulo de Iracema, de José de Alencar, a descrição da protagonista se faz através da comparação com elementos da natureza.

Numere a coluna 2 de acordo com a coluna 1, identificando as referências à natureza que correspondem às características da personagem.

COLUNA 1
1-Cor dos cabelos
2-Doçura do sorriso
3-Perfume do hálito
4-Agilidade
5-Voz

COLUNA 2
( ) favo de jati
( ) baunilha
( ) asas da graúna
( ) sabiá da mata
( ) ema selvagem

Assinale a alternativa correta
a) 1, 2, 3, 4, 5 
b) 2, 1, 3, 4, 5 
c) 3, 2, 5, 4, 2 
d) 3, 1, 2, 5, 4 
e) 2, 3, 1, 5, 4

3 - UCS 2011 - Assinale a alternativa correta em relação à obra Iracema, de José de Alencar. 
a) É um exemplo de romance histórico, que tem como característica principal a idealização da mulher. 
b) O nacionalismo é revelado, principalmente, pela linguagem irônica que permeia a obra. 
c) O romance narra o encontro do homem europeu com o índio, simbolizando o nascimento do Estado de Pernambuco. 
d) A natureza, em franca harmonia com a personagem principal, sugere a pureza de caráter de Iracema. 
e) Martim, Iracema e Moacir, filho do casal, no final, partem juntos para construir um mundo novo.

4 - UNIMONTES 2018 - Para responder à questão, considere a obra Iracema, de José de Alencar, e especialmente, o fragmento abaixo:

“O dia enegreceu; era noite já.
O pajé tornara à cabana; sopesando de novo a grossa laje, fechou com ela a boca do antro. Caubi chegara também da grande taba, onde com seus irmãos guerreiros se recolhera depois que bateram a floresta, em busca do inimigo pitiguara.
No meio da cabana, entre as redes armadas em quadro, estendeu Iracema a esteira da carnaúba, e sobre ela serviu os restos da caça, e a provisão de vinhos da última lua. Só o guerreiro tabajara achou sabor na ceia, porque o fel do coração que a tristeza espreme não amargava seu lábio.
O pajé bebia no cachimbo o fumo sagrado de Tupã que lhe enchia as arcas do peito; o estrangeiro respirava ar às golfadas para refrescar-lhe o sangue efervescente; a virgem destilava sua alma como o mel de um favo, nos crebros soluços que lhe estalavam entre os lábios trêmulos.”
Disponível em: http://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/Livros_eletronicos/iracema.pdf. Acesso em: 4 out. 2018.

Todas as afirmativas abaixo sobre a obra Iracema, de José de Alencar, são verdadeiras, EXCETO
a) Essa prosa romântica indianista contribui para a construção de uma metáfora da transfiguração étnica da história da nação brasileira. 
b) A personagem-título, anagrama de América, representa a tensão experimentada em uma nação mestiça. 
c) O lirismo da composição alencariana não apaga o presságio de uma certa marginalização feminina. 
d) Trata-se de uma adequada abordagem da representação do índio na literatura brasileira contemporânea.

5 - UEA 2018 - Leia o trecho do romance Iracema, de José de Alencar, para responder à questão.

Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.

Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira.

O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.

Mais rápida que a corça selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.

Um dia, ao pino do Sol, ela repousava em um claro da floresta. Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica, mais fresca do que o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os úmidos cabelos. Escondidos na folhagem os pássaros ameigavam o canto.

Iracema saiu do banho: o aljôfar d’água ainda a roreja, como à doce mangaba que corou em manhã de chuva. Enquanto repousa, empluma das penas do gará as flechas de seu arco, e concerta com o sabiá da mata, pousado no galho próximo, o canto agreste.

A graciosa ará, sua companheira e amiga, brinca junto dela. Às vezes sobe aos ramos da árvore e de lá chama a virgem pelo nome; outras remexe o uru de palha matizada, onde traz a selvagem seus perfumes, os alvos fios do crautá, as agulhas da juçara com que tece a renda, e as tintas de que matiza o algodão.

Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta. Ergue a virgem os olhos, que o sol não deslumbra; sua vista perturba-se.

Diante dela e todo a contemplá-la está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito da floresta. Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar; nos olhos o azul triste das águas profundas. Ignotas armas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo.

Foi rápido, como o olhar, o gesto de Iracema. A flecha embebida no arco partiu. Gotas de sangue borbulham na face do desconhecido.

De primeiro ímpeto, a mão lesta caiu sobre a cruz da espada; mas logo sorriu. O moço guerreiro aprendeu na religião de sua mãe, onde a mulher é símbolo de ternura e amor. Sofreu mais d’alma que da ferida.

O sentimento que ele pôs nos olhos e no rosto, não o sei eu. Porém a virgem lançou de si o arco e a uiraçaba, e correu para o guerreiro, sentida da mágoa que causara.

A mão que rápida ferira, estancou mais rápida e compassiva o sangue que gotejava. Depois Iracema quebrou a flecha homicida: deu a haste ao desconhecido, guardando consigo a ponta farpada.
(Iracema, 2006.)

O romance Iracema, que se inicia com o encontro entre Iracema e Martim, configura 
a) a descrição dos fatos históricos, como eles realmente aconteceram, de modo a documentar a formação do povo brasileiro. 
b) um elogio a uma suposta superioridade da civilização europeia sobre a ingenuidade rústica do indígena americano. 
c) um mito de fundação de uma nova raça mestiça, fruto da união do índio americano e do branco europeu. 
d) uma tese segundo a qual brancos e índios deveriam se manter em comunidades separadas a fim de preservar sua pureza étnica. 
e) uma perspectiva sombria para o futuro da nação que surgia, decorrente da aproximação entre o branco europeu e o índio americano.

GABARITO
01 - B
02 - E
03 - D
04 - D
05 - C

Teste de Literatura: Iracema, de José de Alencar (02)

Lista de Exercícios Iracema, de José de Alencar (02)

1 - FACISA 2018/2 - Leia o trecho abaixo, do romance “Iracema”, de José de Alencar:
“Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.
Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira.
O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.
Mais rápida que a corça selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.”

Na descrição de Iracema, personagem do romance de José de Alencar, pode(m)-se perceber
I. a beleza pura, nívea, harmônica e suave da mulher como vista na era Clássica.
II. fortes traços indianistas, típicos do romantismo brasileiro da primeira geração.
III. a visão romântica do homem civilizado europeu em relação ao nativo brasileiro.

Está correto o que se afirma 
a) apenas na proposição III. 
b) apenas na proposição I. 
c) apenas na proposição II 
d) apenas em II e III. 
e) nas proposições I, II e III.

2 - FAAP 2016 - Sobre a personagem Iracema, de José de Alencar, apenas está correto afirmar que: 
a) protagoniza a história de uma virgem indomável que, apaixonada por um colonizador, não sucumbe ao amor. 
b) não sofre por amor como as típicas heroínas românticas. 
c) simboliza a terra americana, vista como mãe fecunda, daí seu nome ser um anagrama de América. 
d) não se apresenta idealizada pelo narrador. 
e) é retratada em desarmonia com a natureza.

3 - Albert Einstein 2017/2 - Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira.

O favo da jatí não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.

Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.

Do trecho acima que integra o romance Iracema, de José de Alencar, não se pode afirmar que 
a) a caracterização de Iracema, da forma como é feita no romance, revela, acima de tudo, sua alma e o fino tratamento psicológico de uma personagem feminina o qual lhe é atribuído pelo autor. 
b) as sucessivas comparações servem para idealizar a protagonista, e em todas elas a personagem Iracema é dada como superior. 
c) a profusão de linguagem figurada, usada ao longo do romance, tanto para caracterizar a personagem quanto suas ações, pode dar a ele o estatuto de um poema em prosa. 
d) as inúmeras comparações de seus atos com o comportamento de diferentes animais e vegetais na selva, demonstram que a personagem é pura aparência, reveladora de sua beleza original.

4 - UNEMAT 2009/2 - Considerando que José de Alencar, em sua obra Iracema, traz como protagonista uma índia, assinale a alternativa incorreta. 
a) A heroína é representativa do idealismo romântico do período em que o romance foi escrito. 
b) Iracema não foge aos padrões heróicos vigentes na fase indianista do autor. 
c) A protagonista não tem participação relevante na intriga do romance. 
d) A descrição idealizada da natureza é a mesma dedicada à heroína. 
e) Iracema pode representar a terra virgem brasileira no encontro com o colonizador português.

5 - UPF 2015 - Sobre o romance Iracema, de José de Alencar, é incorreto afirmar que: 
a) apresenta um narrador onisciente, em terceira pessoa. 
b) incorpora inúmeros termos indígenas, com o intuito de forjar uma língua literária nacional. 
c) simboliza o consórcio do português e do indígena na formação da nação rasileira. 
d) possui, como argumento histórico, fatos relacionados ao estado de Pernambuco, terra natal do autor. 
e) vale-se da prosa poética na representação do espaço e das personagens.

GABARITO
01 - D
02 - C
03 - A
04 - C
05 - D

Teste de Literatura: Iracema, de José de Alencar (01)

Lista de Exercícios Iracema, de José de Alencar (01)


1 - PUC-SP 2017 - Desde então os guerreiros pitiguaras que passavam perto da cabana abandonada e ouviam ressoar a voz plangente da ave amiga, afastavam-se com a alma cheia de tristeza, do coqueiro onde cantava a jandaia. E foi assim que um dia veio a chamar-se Ceará o rio onde crescia o coqueiro, e os campos onde serpeja o rio. 
O trecho acima integra o romance Iracema, de José de Alencar. Considerando a obra como um todo, o trecho em pauta se refere 
a) à morte de Iracema após o nascimento de Moacir e seu sepultamento junto a uma carnaúba, na fronde da qual canta ainda a jandaia. 
b) às consequências das guerras entre as tribos pitiguara e tabajara pela conquista e manutenção da terra brasileira contra o domínio dos invasores franceses. 
c) ao desfecho trágico do relacionamento amoroso de Iracema e Martim, provocado pela vingança de Irapuã, pretendente preterido pela virgem. 
d) ao castigo recebido por Iracema, guardadora dos segredos da jurema, por quebra do voto de castidade ao tornar-se esposa de Martim.

2 - UPF 2010 - Leia as afirmações relativas ao romance Iracema, de José de Alencar.
I. É uma obra escrita no período do Romantismo, no contexto do projeto de nacionalismo desenvolvido pelos intelectuais e governo da época. Entretanto, devido à sua temática, não pertence ao conjunto de obras literárias que abordam o tema da expressão do Brasil recémindependente.
II. A primeira parte da narrativa mostra que a índia Iracema, a protagonista da história, vivia em perfeita harmonia com a natureza e os costumes de sua nação. Assim, o texto a inclui como mais um elemento da natureza americana.
III. Iracema, índia, tem um filho, Moacir, com o português Martim. Dessa forma, cria-se uma fábula do surgimento da raça brasileira: mestiça. Assim, afirma-se que este romance é de formação.

Qual(s) está(ão) correta(s)? 
a) I, II e III 
b) Apenas I e II 
c) Apenas II e III 
d) Apenas I e III 
e) Apenas III

3 - UEMG 2022 - O texto a seguir é um excerto da obra Iracema, do escritor do Romantismo brasileiro José de Alencar.

[...]

Iracema saiu do banho: o aljôfar d’água ainda a roreja, como à doce mangaba que corou em manhã de chuva. Enquanto repousa, empluma das penas do gará as flechas de seu arco, e concerta com o sabiá da mata, pousado no galho próximo, o canto agreste.

A graciosa ará, sua companheira e amiga, brinca junto dela. Às vezes sobe aos ramos da árvore e de lá chama a virgem pelo nome; outras remexe o uru de palha matizada, onde traz a selvagem seus perfumes, os alvos fios do crautá, as agulhas da juçara com que tece a renda, e as tintas de que matiza o algodão.

Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta. Ergue a virgem os olhos, que o sol não deslumbra; sua vista perturba-se. Diante dela e todo a contemplá-la está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito da floresta. Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar; nos olhos o azul triste das águas profundas. Ignotas armas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo.

[...]
ALENCAR, José de. Iracema. São Paulo: Ática, 2004.

Considerando esse excerto da obra e o contexto de toda a narrativa, assim como as características do Romantismo, analise as assertivas e assinale a alternativa correta
I. Iracema é uma obra romântica, exercendo, portanto, a função de literatura crítica, denunciando a desumanidade e o apagamento cultural dos nativos implicados no processo de colonização.
II. A representação da natureza no contexto do Romantismo ocorre de maneira idealizada, ressaltando as belezas do Brasil, o que indica a presença de um nacionalismo ufanista na obra.
III. O protagonismo feminino verificado em Iracema visa à representação da mulher como figura emancipada, dona de seu destino, surgindo heroínas independentes do poder masculino.
IV. A linguagem é um aspecto fundamental no Romantismo, de modo que, embora o texto de Iracema seja em prosa, observam-se marcas líricas, com aguçado tom poético, na construção da narrativa.
V. Em Iracema, o colono surge como herói da narrativa, sendo o par romântico da nativa, reforçando o discurso de harmonia entre os colonos e os indígenas.

a) Apenas II e V estão corretas. 
b) Apenas II, IV e V estão corretas. 
c) Apenas III e V estão incorretas. 
d) Apenas I está incorreta.

4 - FPP 2016 - Leia as seguintes sentenças sobre a obra Iracema, de José de Alencar. 
I. Constitui obra de exaltação da flora e fauna brasileira, mas apresenta o índio como representante de uma raça inferior e inculta. 
II. A obra representa o mito alencariano composto pelo herói, o índio, resistente à colonização e à presença do ‘outro’, e o branco, colonizador agressivo que deseja destruir o nativo. 
III. A personagem Martim, representação do colonizador europeu, apesar de seu amor por Iracema, resiste à cultura indígena e rejeita a língua e os costumes nativos. 
IV. A personagem Iracema, representação do índio exaltado pela literatura do período romântico, pode ser considerada um símbolo da terra mãe, o Brasil. 
V. O romance apresenta, por meio de estilo lírico, uma idealização do índio brasileiro. 

Considerando-se as características da obra e os princípios estéticos e ideológicos do período romântico brasileiro, pode-se afirmar que: 
a) somente as sentenças I e II estão corretas. 
b) somente as sentenças III, IV e V estão corretas. 
c) somente a sentença I está correta. 
d) somente a sentença IV está correta. 
e) somente as sentenças IV e V estão corretas.

5 - FMABC 2017 - O romance Iracema, de José de Alencar, é considerado um verdadeiro poema em prosa. Há nele um proposital trabalho com a linguagem marcado por expressivo uso de figuras de estilo. Assim, indique abaixo o enunciado que apresenta uma prosopopeia. 
a) Em torno carpe a natureza o dia que expira. Soluça a onda trépida e lacrimosa; geme a brisa na folhagem; o mesmo silêncio anela de opresso. 
b) O mel dos lábios de Iracema é como o favo que a abelha fabrica no tronco da andiroba: tem na doçura o veneno. 
c) Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira. 
d) A tarde é a tristeza do sol. Os dias de Iracema vão ser longas tardes sem manhã, até que venha para ela a grande noite.

GABARITO
01 - A
02 - C
03 - B
04 - E
05 - A

Exercícios de Literatura sobre o Arcadismo - com gabarito

1 - FCMSCSP 2019  -O sentimento a ser expresso, geralmente, são as dores de amor do pastor por uma pastora que não corresponde ao seu amor e se mantém inflexível ante os apelos do amante. Este é o tema mais constante dos sonetos e expressa a vida do pastor, dedicada inteiramente ao amor, exaltando ou lamentando sua pastora, sem, em momento algum, lembrar do mundo das necessidades. Nesse universo de pastores e pastoras, que chamamos de locus amoenus, a única preocupação que vale ser vivida é a realização do amor. 
(Luiz Roncari. Literatura brasileira, 2002. Adaptado.) 
O comentário refere-se ao 
a) Arcadismo. 
b) Naturalismo. 
c) Romantismo. 
d) Barroco. 
e) Simbolismo.

2 - UCS 2018 -  No filme “Sociedade dos Poetas Mortos”, a mensagem de carpe diem é transmitida a jovens estudantes para lembrar a brevidade da vida e a urgência de vivê-la de forma extraordinária. Carpe diem é viver o hoje sem preocupações com o amanhã. É desfrutar a vida e os prazeres do momento em que se vive. Essa expressão tem o objetivo de lembrar que a vida é breve e efêmera, razão pela qual cada instante deve ser aproveitado. 
Disponível em: <https://www.significados.com.br/carpe-diem/>. Acesso em: 19 set. 17. (Parcial e adaptado.) 
Carpe diem é uma convenção do período literário denominado 
a) Parnasianismo. 
b) Romantismo. 
c) Realismo. 
d) Modernismo. 
e) Arcadismo.

3 - UFAM PSC 2018/1 - Sobre o Arcadismo no Brasil, assinale a alternativa CORRETA: 
a) A sorte está lançada (alea jacta est) foi um lema do Arcadismo no Brasil. 
b) A fuga da cidade para o campo (fugere urbem) foi uma característica do Arcadismo. 
c) Dirceu trocou cartas com sua amada Marília e estas correspondências foram organizadas e publicadas com o título de Cartas Chilenas. 
d) A Conjuração Mineira resultou na prisão de todos os poetas árcades, os quais escreveram todos os seus poemas no cárcere. 
e) Marília de Dirceu foi uma heroína fundamental à Conjuração Mineira.

4 - FACERES 2017/1 - No século XVIII, o centro econômico da colônia portuguesa deslocou-se do Nordeste para o Sudeste do Brasil (Vila Rica e Rio de Janeiro). Uma pequena burguesia culta faz ecoar nos trópicos as ideias do Iluminismo francês e da Revolução Americana (1776). Tais circunstâncias coincidem como um movimento de grande expressão na Literatura Brasileira. Trata-se do: 
a) Barroco. 
b) Arcadismo. 
c) Romantismo. 
d) Realismo. 
e) Modernismo.

5 - FAG 2017/1 - Sobre o Arcadismo, é correto o que se afirma em: 
a) Nesse período o homem é regido pelas leis físico-químicas, pela hereditariedade e pelo meio social. 
b) A poesia dessa época dá ênfase ao poder de vidência do artista. 
c) Destaca-se nessa fase certo gosto pelo equilíbrio, pela simplicidade e pela harmonia, a partir dos modelos clássicos antigos. 
d) Há nessa Escola Literária uma tendência à valorização do humor, com vistas a afugentar as circunstâncias desagradáveis da vida. 
e) Enfatiza-se na criação poética, desse momento, a utilização do valor sugestivo da música.

6 - UFRR 2016 - Sobre o Arcadismo, é correto afirmar que: 
a) expressa a sociedade medieval, teocêntrica, de caráter servil e fortemente religioso. Ao mesmo tempo, é marcado pelo surgimento de formas de expressões artísticas de caráter popular, vinculadas a classes sociais consideradas “inferiores” à época; 
b) é marcado pelo rebuscamento das formas, pela riqueza de detalhes e pelos contrastes. Influenciado pela Contrarreforma, foi concebido como uma reação ao Renascimento; 
c) é também chamado de Neoclassicismo, surge como uma releitura do Renascimento (ou Classicismo), preconizando uma arte pautada pela observância das formas clássicas e dos ideais humanistas. O bucolismo e o pastoralismo podem ser citados como características do Estilo no Brasil; 
d) surge como reação direta à arte e às concepções de mundo medievais, valorizando o passado greco-latino e a explicação científica do mundo; é teocêntrico, em contraponto ao antropocentrismo difundido pela Igreja; 
e) é marcado pelo rebuscamento das formas, pela riqueza de detalhes e pelos contrastes. Expressa a sociedade medieval, teocêntrica, de caráter servil e fortemente religioso. Surge como reação direta à arte e às concepções de mundo medievais e é marcado pelo surgimento de formas de expressões artísticas de caráter popular, vinculadas a classes sociais consideradas “inferiores” à época.

7 - UNESP 2016/2 - Os autores deste movimento pregavam a simplicidade, quer nos temas de suas composições, quer como sistema de vida: aplaudindo os que, na Antiguidade e na Renascença, fugiam ao burburinho citadino para se isolar nas vilas, pregavam a “áurea mediocridade”, a dourada mediania existencial, transcorrida sem sobressaltos, sem paixões ou desejos. Regressar à Natureza, fundir-se nela, contemplar-lhe a quietude permanente, buscar as verdades que lhe são imanentes – em suma, perseguir a naturalidade como filosofia de vida. 
(Massaud Moisés. Dicionário de termos literários, 2004. Adaptado.) 

O comentário do crítico Massaud Moisés refere-se ao seguinte movimento literário: 
a) Arcadismo. 
b) Simbolismo.
c) Romantismo. 
d) Barroco. 
e) Naturalismo.

8 - FDSM 2017 - Preencha corretamente a lacuna presente, no excerto, com uma das palavras constantes nas alternativas abaixo. 
Os poetas .............. cultuavam o desprezo pela vida urbana e o gosto pela paisagem campestre. Valorizavam uma vida simples integrada à natureza, bem como elementos da cultura greco-latina e o cultivo e formas clássicas. 
a) Românticos 
b) Naturalistas 
c) Simbolistas 
d) Árcades 
e) Modernistas

9 - EsPCEx 2014 - A temática do Arcadismo presente nos versos abaixo é o 
“Se o bem desta choupana pode tanto, 
Que chega a ter mais preço, e mais valia, 
Que da Cidade o lisonjeiro encanto” 

a) “carpe diem” 
b) paganismo. 
c) “fugere urbem”. 
d) fingimento poético. 
e) louvor histórico.

10 - UNCISAL 2012 - O Arcadismo foi um movimento artístico de caráter clássico, sobre o qual se pode afirmar que 
a) ocorreu no século XVIII e teve como principais poetas, no Brasil, Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga. 
b) tem como características centrais a reflexão sobre o fazer poético e as relações entre arte e mercado. c) não fazia referência à mitologia greco-latina e os poetas não escolhiam pseudônimos latinos para assinar seus textos. 
d) seu autor de maior destaque foi Santa Rita Durão, que escreveu diversos romances em prosa, em que exaltava a figura da mulher. e)foi iniciado em 1922, com a Semana de Arte Moderna, no Teatro Municipal, em São Paulo.

GABARITO
1 - A
2 - E
3 - B
4 - B
5 - C
6 - C
7 - A
8 - D
9 - C
10 - A

Exercícios de Literatura sobre sobre Várias Histórias, de Machado de Assis - com gabarito

1 - CAMPO REAL 2019 - Sobre os contos de Várias histórias, de Machado de Assis, assinale a alternativa correta. 
a) A ironia que marca os romances do autor está ausente dos contos reunidos nesse volume. 
b) A crítica social e histórica é desprezada pelo autor nos contos, que só tematizam dramas individuais e psicológicos. 
c) Contos como “A cartomante” e “Dona Paula” tematizam o adultério ou a suposição dele. 
d) O conto “O cônego, ou a metafísica do estilo” apresenta a crítica aos desvios morais da igreja católica. 
e) O conto “Uns braços” é uma fábula moderna em que animais se tornam personagens alegóricos.

2 - PUC-SP 2001 - O conto “A Cartomante” integra a obra Várias Histórias de Machado de Assis. Dele é incorreto afirmar que 
a) se desenvolve a partir da afirmação de Horácio de que há mais coisas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. 
b) apresenta um triângulo amoroso no qual Rita, casada com Vilela, o trai com o amigo Camilo. 
c) caracteriza a personagem feminina como uma dama formosa e tonta e mostra-a insinuante como uma serpente. 
d) apresenta um final feliz já que a previsão da cartomante sobre o amor dos dois realiza-se plenamente. 
e) se trata de uma narrativa tradicional com estrutura bem definida, conduzindo a história para um clímax inesperado, o chamado elemento surpresa.

3- UP 2017/2 - Em relação à obra Várias Histórias, de Machado de Assis, numere a coluna da direita de acordo com o nome da obra correspondente na coluna da esquerda. 
1. “A cartomante”. 
2. “Uns braços”. 
3. “O enfermeiro”. 
4. “A causa secreta”. 

( ) Um trio amoroso tem um fim trágico, após a revelação de uma traição. 
( ) Um copista aceita um cargo que o fará repensar a relação humana. 
( ) A relação entre dois médicos e o amor de uma mulher. 
( ) A descoberta da sensualidade por um jovem em relação a uma mulher mais velha. 

Assinale a alternativa que apresenta a numeração correta da coluna da direita, de cima para baixo. 
a) 1 – 4 – 3 – 2. 
b) 3 – 2 – 4 – 1. 
c) 2 – 3 – 1 – 4. 
d) 1 – 3 – 4 – 2. 
e) 2 – 4 – 3 – 1.

4 - UP 2019/2 - Sobre Várias histórias (1896), de Machado de Assis, assinale a alternativa INCORRETA. 
a) Em “Conto de escola”, o narrador em primeira pessoa, com base no modo machadiano de narrar, relembra um evento de sua infância no qual seu professor, Policarpo, pune-o por ter auxiliado, mediante pagamento, seu colega de classe, Raimundo, em uma lição de sintaxe. Essa punição tem um desfecho surpreendente: no dia seguinte, ao procurar a moedinha, o narrador mata aula, porque se encanta com o tambor de um batalhão de fuzileiros. 
b) Em “D. Paula”, o narrador em terceira pessoa conta a história da intervenção de uma tia em uma briga conjugal, da qual se desdobra uma segunda consequência para a narrativa: a briga do casal faz a viúva, austera e respeitável, relembrar, com certa nostalgia, um antigo caso extraconjugal que ela tivera com um homem, cujo parente, possivelmente o filho, é a razão da atual briga entre a sobrinha e seu esposo. 
c) Em “Mariana”, o narrador em terceira pessoa conta a história do reencontro de um casal de ex-amantes, Evaristo e Mariana, após um lapso de dezoito anos. Esse reencontro revela para Evaristo outra faceta sobre seu antigo caso: a efusão amorosa que pautou a relação adúltera – Mariana quase se suicidou por conta do rompimento entre os dois – desapareceu a ponto de tornar-se, segundo o comportamento da moça, indiferença, quando do reencontro. 
d) Em “O enfermeiro”, o narrador em terceira pessoa conta a história de Procópio, homem que se emprega na casa do coronel Felisberto, localizada em uma vila do interior, para auxiliá-lo por conta de uma doença terminal, um aneurisma. Por conta de sua dedicação e tolerância – o coronel era um homem temperamental e violento –, Procópio herda todos os bens de seu patrão, após acompanhar, caridosamente, o seu longo padecimento. 
e) Em “A desejada das gentes”, narrativa construída no modo dramático, conta-se a história do singular caso amoroso do personagem Conselheiro que, em sua juventude, depois de disputar com seu amigo João Nóbrega os amores de Quintília, moça bela e rica, desenvolve um laço afetivo que não consegue se concretizar em relação matrimonial até o momento da morte de sua amada, quando decide, então, casar-se com ele em seu leito de morte.

5 - Campo Real 2019 - Sobre o conto “A cartomante”, publicado no livro Várias histórias (1896), de Machado de Assis, é correto afirmar que o narrador: 
a) adere às perspectivas das personagens, Camilo e Rita, que, desejosos de não serem descobertos por Vilela, consultam uma cartomante que os deixa em alerta em relação ao marido traído. 
b) é Camilo, uma das personagens do triângulo amoroso, que conta, por meio de flashbacks e flashforwards, a sua visita com Rita à cartomante e a descoberta da traição por Vilela. 
c) conta a história de um triângulo amoroso, a partir de uma técnica de narração que consiste em utilizar flashback e focalizar os eventos a partir da perspectiva das personagens, em especial de Camilo. 
d) é Rita, esposa de Vilela e amante de Camilo, que conta, por meio de flashbacks, sua visita à cartomante para descobrir se Camilo ainda a ama e, sem querer, descobre que Vilela já está ciente do adultério. 
e) conta a história a partir de uma onisciência neutra, de modo a revelar o que motivou Camilo e Rita a traírem Vilela e o que se passou na cabeça do marido traído antes do assassinato.

6 - IFRR 2017/2 - Sobre a obra Várias Histórias, de Machado de Assis, é incorreto afirmar que: 
a) Mariana – é um conto de lição cruel, mas realista, ao narrar as mudanças por que passou uma paixão no espaço de 18 anos. 
b) O Enfermeiro – trata-se da história de Rangel, homem de sonhos gigantescos e ações minúsculas, quase nulas. 
c) Trio em Lá Menor – é um conto alegórico que apresenta a história de Maria Regina, sofredora de um dilema, pois não consegue decidir-se entre dois homens, Miranda e Maciel. 
d) A Desejada das Gentes – conto em que o protagonista rememora a um interlocutor a história de Otília, cobiçada dama da sociedade que costumava desenganar todos que tentavam estabelecer uma relação com ela. 
e) Um Apólogo – famoso conto que narra o desentendimento entre a agulha e a linha

7 - UFPR 2017 - Considere o parágrafo abaixo, extraído do conto “D. Paula”, que integra a coletânea Várias Histórias, de Machado de Assis:
Já se entende que o outro Vasco, o antigo, também foi moço e amou. Amaram-se, fartaram-se um do outro, à sombra do casamento, durante alguns anos, e, como o vento que passa não guarda a palestra dos homens, não há meio de escrever aqui o que então se disse da aventura. A aventura acabou; foi uma sucessão de horas doces e amargas, de delícias, de lágrimas, de cóleras, de arroubos, drogas várias com que encheram a esta senhora a taça das paixões. D. Paula esgotou-a inteira e emborcou-a depois para não mais beber. A saciedade trouxe-lhe a abstinência, e com o tempo foi esta última fase que fez a opinião. Morreu-lhe o marido e foram vindo os anos. D. Paula era agora uma pessoa austera e pia, cheia de prestígio e consideração.

Sobre Várias Histórias, assinale a alternativa correta.
a) “D. Paula” e “Entre santos” distinguem-se tematicamente dos demais contos da coletânea por tratarem do adultério feminino, antecipando assim o tema do ciúme de maridos enganados, que apareceria no romance Dom Casmurro, de Machado de Assis. 
b) O encantamento de um adolescente por D. Severina (no conto “Uns braços”) e a história revelada pela sobrinha à tia (em “D. Paula”) perturbam essas mulheres, por acenderem nelas, respectivamente, o desejo e a lembrança de sua realização. 
c) Nos contos “A Cartomante” e “D. Paula”, o narrador onisciente apresenta em detalhes os acontecimentos passados, dando a conhecer os fatos e o julgamento social sobre eles, permitindo que o leitor antecipe os desdobramentos da trama. 
d) Os personagens Evaristo (do conto “Mariana”) e D. Paula (do conto homônimo) lembram-se de episódios antigos de suas vidas afetivas. Referindo-se a esses episódios, os contos trazem digressões moralizantes a respeito das virtudes do casamento no século XIX. 
e) Nos contos desse livro, a moral cristã do século XIX impele as mulheres a viverem “à sombra do casamento”, isto é, distantes de aventuras extraconjugais, satisfeitas com a vida de prestígio e consideração que o matrimônio lhes assegura.

GABARITO
1 - C
2 - D
3 - D
4 - D
5 - C
6 - B
7 - B

Exercícios de Literatura sobre sobre Sermão de Santo Antônio aos peixes, de Padre Antônio Vieira - com gabarito

1 - UFRGS 2016 - Leia as seguintes afirmações sobre o Sermão de Santo Antônio aos peixes, de Padre Antônio Vieira. 
I - O Sermão apresenta a estratégia de se dirigir aos peixes, e não aos homens, estendendo o alcance crítico à conduta dos colonos maranhenses. 
II - O Sermão apresenta elogios aos grandes pregadores, através de passagens do Novo Testamento. 
III- A sardinha é eleita o símbolo do verdadeiro cristão, por ter sido o peixe multiplicado por Jesus. 
Quais estão corretas? 
a) Apenas I. 
b) Apenas II. 
c) Apenas I e III. 
d) Apenas II e III. 
e) I, II e III.

2 - UFPR 2018  - Sobre o Sermão de Santo Antônio aos peixes (século XVII), do Padre Antônio Vieira, assinale a alternativa correta. 
a) Trata-se de um texto barroco, o que se nota pelo reaproveitamento intertextual que faz de um texto clássico, isto é, do sermão que três séculos antes o próprio Santo Antônio havia pregado. 
b) O sermão é dirigido aos outros pregadores, indicando o que devem fazer para ser o sal da terra, ou seja, para que sejam eficazes em sua ação. 
c) Na segunda metade do sermão, ao apontar os defeitos dos peixes, o Padre Antônio Vieira relaciona esses defeitos aos problemas das sociedades humanas. 
d) Os peixes voadores são louvados no sermão, já que superam suas limitações de peixe para se levantarem o quanto possível na direção do céu, aproximando-se de Deus. 
e) Vieira se refere a peixes mencionados por santos, pela Bíblia e por autores clássicos, mas não a peixes da costa brasileira, o que denota seu desinteresse por temas locais.

3 - UFPR 2017 - Com base na leitura integral do “Sermão de Santo Antonio aos peixes”, de Antonio Vieira, assinale a alternativa correta. 
a) O texto se estrutura através de uma rede de analogias em que os peixes são equiparados à própria palavra de Deus. 
b) A palavra de Deus é comparada ao sal da terra, mas nunca consegue fertilizá-la, porque falta à terra a leveza dos peixes. 
c) Depois de ser lançado ao mar pelos homens, Santo Antonio foi reconduzido à praia pelos peixes, tornando-se exemplo da conduta cristã. 
d) O sal da terra é a palavra de Cristo e, segundo a parábola citada no sermão, ele preferiu pregar para os peixes a pregar para os homens. 
e) A terra, mesmo infértil, poderia ser melhor cultivada, caso houvesse pregadores que soubessem semear a boa palavra.

4 - UP 2018/2 - Sobre o sermão “A pregação aos peixes” (1654), de Antônio Vieira, identifique como verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmativas: 
( ) Esse sermão foi inspirado em uma das pregações de Santo Antônio, conhecido popularmente como santo casamenteiro, principalmente no que diz respeito à situação discursiva de o orador dirigir-se aos peixes e não aos homens. 
( ) O propósito persuasivo desse sermão se constrói, em grande parte, a partir da exploração do versículo “Vós sois o sal da terra”, que pode ser localizado pelo leitor no evangelho de São Mateus. 
( ) Antônio Vieira utiliza algumas figuras de linguagem para convencer o público, como a hipérbole, que, segundo a tradição retórica, pode ser definida como recurso linguístico para dar destaque exagerado a uma ideia. 
( ) O Cultismo e o Conceptismo são dois aspectos literários presentes no sermão de Antônio Vieira, sendo que este está relacionado ao trabalho realizado com a linguagem, e aquele, ao desenvolvimento das ideias/raciocínio ao longo do texto. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo. 
a) V – F – V – F. 
b) V – V – V – F. 
c) F – F – V – V. 
d) V – V – F – V. 
e) F – V – F – V.

5 - UNICAMP 2021 - “ O vento da vida, por mais que cresça, nunca pode chegar a ser bonança; o vento da fortuna pode chegar a ser tempestade, e tão grande tempestade, que se afogue nela o mesmo vento da vida.” 
(Antônio Vieira, “Sermão de quarta-feira de cinza do ano de 1672”, em A Arte de Morrer. São Paulo: Nova Alexandria, 1994, p. 56.) 

No sermão proferido na Igreja de Santo Antônio dos Portugueses, em Roma, Vieira recorre a uma metáfora para chamar a atenção dos fiéis sobre a morte. Assinale a alternativa que expressa a mensagem veiculada pela imagem do vento. 
a) A vida dos fiéis é comparável à tranquilidade da brisa em alto-mar. 
b) A fortuna dos fiéis é comparável à força das intempéries marítimas. 
c) A fortuna dos fiéis é comparável à felicidade eterna. 
d) A vida dos fiéis é comparável à ventura dos navegadores.

RESPOSTA:
1 - A
2 - C
3 - E
4 - B
5 - B

Exercícios de literatura sobre Últimos Cantos, de Gonçalves Dias

Questão 01 - UFPR 2023  - O livro Últimos Cantos, de Gonçalves Dias, reúne poemas de gêneros e temáticas variados. Há elegia, idílio, poema épico, lírico, de temática nacionalista, indianista, amorosa, etc. Em cada alternativa abaixo, há uma estrofe de um poema desse livro; entre parênteses está o título do poema. Citam-se estrofes de poemas narrativos e apenas uma estrofe de poema não narrativo. Assinale a alternativa que contém uma estrofe não narrativa. 
(DIAS, Gonçalves. Poesia e prosa completas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1998.) 

a) “Eu sob a copa da mangueira altiva/ Nosso leito gentil cobri zelosa/ Com mimoso tapiz de folhas brandas,/ Onde o frouxo luar brinca entre flores.” (Leito de Folhas Verdes). 
b) “Meu pai a meu lado/ Já cego e quebrado,/ De penas ralado,/ Firmava-se em mi:/ Nós ambos, mesquinhos,/ Por ínvios caminhos,/ Cobertos d’espinhos/ Chegamos aqui!” (I-Juca-Pirama). 
c) “Vem meu amigo, dizia/ A bela fada engraçada,/ Pulsando a harpa dourada:/ — Sou boa, não faço mal,/ Vem ver meus belos palácios,/ Meus domínios dilatados,/ Meus tesouros encantados/ No meu reino de cristal.” (A Mãe d’Água). 
d) “Para as serras do Gerez/ Toca a rês,/ Toca a rês, gentil pastora;/ Lá te aguarda o bom pastor,/ Teu amor,/ Que te chama encantadora.” (A pastora).
e) “Beijos que são? — Ai do peito,/ Selo breve, laço estreito/ Dum cansado bem querer;/ Saibo de gozos divinos,/ Que nos lábios femininos/ Quis Deus bondoso verter.” (Os beijos).

Questão 02 - UFPR 2017  - Sobre o livro de poesia Últimos Cantos, de Gonçalves Dias, considere as seguintes afirmativas: 
1. A métrica em “I-Juca-Pirama” é variável e tem conexão com a progressão dos fatos narrados, o que permite dizer que o ritmo se ajusta às reviravoltas da narrativa. 
2. “Leito de folhas verdes” e “Marabá” tematizam a miscigenação brasileira ao apresentarem dois casais inter-raciais. 
3. A “Canção do Tamoyo” apresenta o relato de feitos heroicos específicos desse povo para exaltar a coragem humana. 
4. O poema “Hagaar no deserto” recria um episódio bíblico e apresenta uma escrava escolhida por Deus para ser mãe de Ismael, o patriarca do povo árabe. 

Assinale a alternativa correta. 
a) Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras. 
) Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras 
c) Somente as afirmativas 1 e 4 são verdadeiras. 
d) Somente as afirmativas 1, 2 e 4 são verdadeiras. 
e) Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras.

Questão 03 - UP 2018/1 - Sobre o livro Últimos Cantos (1851), de Gonçalves Dias, é correto afirmar: 
a) Trata-se de uma obra póstuma em que o autor antecipa as tendências da segunda geração romântica, denominada de Ultrarromantismo, como atestam os poemas “Sobre o túmulo de um menino” e “O que mais dói na vida”. 
b) O eu-lírico do poema “Leito de folhas verdes”, uma índia, canta as suas núpcias com Jatir, guerreiro timbira, simbolizando a origem do povo brasileiro. 
c) O poema “Canção de Bug-Jargal” pode ser considerado um modelo da poesia indianista, pois o autor, como era uso na época, aproveitou-se muito de termos e expressões das línguas indígenas. 
d) A musicalidade do poema “I-Juca-Pirama” está fortemente relacionada à construção dos eventos narrados pelo eu-lírico, que, na última parte, afirma ter tido conhecimento da história por meio de um velho índio. 
e) O poeta romântico rompe com a tradição clássica para fundar uma nova linguagem poética a partir da língua tupi.

Questão 04 - UFPR 2018 - A respeito dos poemas que compõem o livro Últimos Cantos (1851), do maranhense Gonçalves Dias, assinale a alternativa correta. 
a) O nacionalismo romântico se expressa no antológico poema “Canção do exílio”, que abre o livro com um tom laudatório: “Nosso céu tem mais estrelas, / Nossas várzeas têm mais flores, / Nossos bosques têm mais vida, / Nossa vida mais amores”. 
b) O embate entre tribos indígenas, com a consequente prisão de um guerreiro, é narrado em “I-Juca-Pirama”, poema marcado por variedade métrica: “O prisioneiro, cuja morte anseiam, / Sentado está, / O prisioneiro, que outro sol no ocaso / Jamais verá!”. 
c) A pureza racial dos indígenas brasileiros é exaltada no poema “Marabá” por meio da descrição da personagem-título: “— Meus olhos são garços, são cor das safiras, / — Têm luz das estrelas, têm meigo brilhar; / — Imitam as nuvens de um céu anilado, / — As cores imitam das vagas do mar!”. 
d) O aspecto fúnebre das lendas românticas é representado no poema “O gigante de pedra”, em que se destaca a monstruosidade do personagem: “Gigante orgulhoso, de fero semblante, / Num leito de pedra lá jaz a dormir! / Em duro granito repousa o gigante, / Que os raios somente puderam fundir”. 
e) O lirismo romântico prefere temas delicados, como as brincadeiras inocentes da criança em “Mãe-d’água”: “Minha mãe, olha aqui dentro, / Olha a bela criatura, / Que dentro d’água se vê! / São d’ouro os longos cabelos, / Gentil a doce figura, / Airosa leve a estatura; / Olha, vê no fundo d’água / Que bela moça não é!”.

Questão 05 - UFPR 2019 - Segundo Antonio Candido: 
Gonçalves Dias é um grande poeta, em parte por encontrar na poesia o veículo natural para a sensação de deslumbramento ante o Novo Mundo [...]. O seu verso, incorporando o detalhe pitoresco da vida americana ao ângulo romântico e europeu de visão, criou (verdadeiramente criou) uma convenção poética nova. Esse cocktail de medievismo, idealismo e etnografia fantasiada nos aparece como construção lírica e heroica, de que resulta uma composição nova para sentirmos os velhos temas da poesia ocidental. 
(Formação da literatura brasileira. Rio de Janeiro: Itatiaia (8. ed.) vol. 2, 1975, p. 73.) 

Considerando o trecho citado e a leitura integral do livro Últimos Cantos, de Gonçalves Dias, assinale a alternativa correta. 
a) A representação dos povos indígenas descreve as tradições coletivas dessas comunidades, mas pode, por vezes, apresentar os sentimentos individuais e particulares de alguns de seus membros. 
b) Gonçalves Dias demonstra em sua poesia americana o interesse de se distanciar da tradição indianista, apresentando temas universais, nos quais o gosto pelo exótico e pela tematização do nacional não deveria predominar. 
c) A tematização da miscigenação entre índios e brancos é considerada prejudicial, uma vez que apagaria os traços próprios da cultura indígena que deveriam ser preservados. 
d) O emprego exclusivo de poemas narrativos longos demonstra que o livro pretende ser uma epopeia que cultua os valores heroicos e descarta a expressão lírica amorosa. 
e) A diversidade de temas e de modelos formais se contrapõe ao emprego da mesma medida métrica em todos os poemas.

GABARITO:
1 - E
2 - C
3 - D
4 - B
5 - A