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Você pode obter um passaporte da Antártida

Você dever jurar lealdade ao continente austral e aos ideais de paz, igualdade e sustentabilidade

Você é cidadão da Antártida? A resposta é obvia: "não" - a Antártica não é um país, é um continente . Mas isso não é nenhum empecilho, afirmam os artistas Lucy Orta e George Orta. Eles estão concedendo passaportes para a Antártica, de qualquer jeito, diz  Allison Meier para  o site Hyperallergic.
Você é um cidadão global? Então você pode precisar de um desses. (Studio Orta)
Até agora, 53 países assinaram o Tratado da Antártida, que em 1959 estipulou que o continente austral "continue para sempre a ser utilizado exclusivamente para fins pacíficos e não se converta em cenário ou objeto de discórdias internacionais." Mas Lucy e George Orta não enxergam isso como uma barreira que possa impedir a emissão de passaportes para o continente gelado. Em vez disso, sua arte é inspirada e centrada em torno das possibilidades pacíficas de um continente dedicado à investigação científica e fraternidade humana.

Allison Meier relata que o casal desenvolveu um site chamado  Passaporte para o mundo Antártico  e todas as  pessoas que são adeptas aos princípios de sustentabilidade, paz e igualdade podem solicitar um passaporte virtual online.

O casal foi contratado para criar o programa de passaporte e mostrar o resultado dessa arte na  Bienal do Fim do Mundo de  2007, que trouxe artistas de todo o mundo para pensar no fim do mundo (Ushuaia, na Argentina é considerada pelos argentinos como a cidade do “fim do mundo”). 
O projeto da bandeira da Antártica de Lucy Orta e George Orta. (Studio Orta)
Mais tarde, ainda naquele ano, os artistas viajaram para a Antártida para levar a sua "Bandeira da Antártica" - a bandeira caleidoscópica combinando as bandeiras de todas as nações que representa a coexistência de todas as identidades do mundo. 
A efêmera aldeia antártica de Lucy e George Orta foi parcialmente construída com bandeiras e roupas. (Studio Orta)
A viagem para a Antártida também incluiu a construção de 50 habitações artesanais costuradas com bandeiras nacionais, roupas e outros objetos que simbolizam as possibilidades de um continente sem fronteiras.

Enquanto um passaporte oficial para a Antártica ainda seja impossível, este passaporte que os artistas chamam de um "passaporte universal para um continente sem fronteiras e o bem comum da humanidade" - parece ser uma boa alternativa. Até agora, mais de 12.000 pessoas já receberam o passaporte. 

Texto escrito por Erin Blakemore * Tradução livre, por Gabriel, com informações da Smithsonian Magazine. Data da publicação: 26/01/2016.

Esta cabana de madeira poderia ser o menor Palácio do Mundo

Existe uma coisa que não falta na cidade russa de São Petersburgo: palácios. Construções como o Palácio de Inverno, o Palácio Mikhailovsky, e o Palácio Stroganov, todos estes remontam à opulência, ao luxo e grandeza da Rússia czarista. Mas, no coração da cidade, sobre o rio Neva, uma pequena cabana de madeira poderia muito bem ser o menor palácio do mundo.

Tecnicamente, uma construção não precisa ter torres enormes e decorações luxuosas para ser considerado um palácio. De acordo com o dicionário Merriam-Webster, a definição  de um palácio é simplesmente "a residência oficial de um chefe de estado (como um monarca ou um presidente). Como tal, o Gabinete de Pedro o Grande, certamente está qualificado.

Apenas algumas semanas após o czar Pedro, o Grande, ter capturado uma fortaleza sueca sobre o Rio Neva, em 1703, ele decidiu construir ali a futura capital do império. Ele a chamou de São Petersburgo, que apesar de se tornar a joia da coroa da Rússia czarista, no início era pouco mais que terreno pantanoso. Mesmo assim, como czar, Pedro precisava de sua própria residência pessoal. Em apenas três dias, os trabalhadores construíram para ele, a cabana que ainda hoje está de pé, como Nikki Lohr diz em Untapped Cities.

A Cabana de Pedro é pequena - do tamanho de um apartamento confortável em Nova York. Embora possa parecer apenas mais uma cabana de madeira, o edifício é, na verdade, uma estranha mistura de arquitetura russa tradicional e arquitetura holandesa, que Pedro muito admirava, como está escrito no site Saint-Petersburg.com. 

Por mais que ele amasse a  arquitetura holandesa, quando Pedro definiu fincar as primeiras raízes no assentamento que ele um dia faria sua capital, ele não podia dar-se ao luxo de construir sua casa de pedra ou construção de alvenaria, como os edifícios de Amsterdã que ele tanto admirava. Em vez disso, seus trabalhadores pintaram a cabana como se a construção fosse feita de tijolos, com linhas horizontais de branco, separadas por tiras finas de tinta vermelha. Apesar de Pedro, o Grande só ter morado na cabana por alguns anos antes de mudar para palácio melhor e maior, em 1723, pavilhões foram gradualmente anexados ao conjunto para protegê-lo contra o mau tempo, de acordo com o  Museu Russo.

O Gabinete de Pedro, o Grande tem visto muita mudança no decorrer dos séculos e tem resistido bravamente: ele sobreviveu a tudo, desde o levante da Revolução Russa ao cerco de Leningrado (como a cidade foi chamado durante o período em que a Rússia era parte da  União Soviética) e ainda permanece até hoje. Agora, a cabana é um museu em homenagem ao fundador da cidade e contém muitos de seus pertences. A cabana pode até ser o menor palácio do mundo, mas ainda é grande na sua própria maneira de existir.

Texto escrito por Danny Lewis * Tradução livre, por Gabriel, com informações da Smithsonian Magazine. Data da publicação: 26/01/2016.

O interior da cabana é preservado com muito dos pertences de Pedro, o Grande. (deror_avi, via Wikimedia Commons)
A cabana de pedro - construção original. (deror_avi, via Wikimedia Commons)
Imagem de 1853, do Gabinete de Pedro, o Grande. (The British Library via Wikimedia Commons).
O Gabinete de Pedro está protegido por um pavilhão ornamentado  de pedra. (Perfektangelll, via Wikimedia Commons)

Contos de fadas podem ser mais velhos do que você pode imaginar

Há centenas de anos atrás, coletores e escritores de conto de fadas como os irmãos Grimm, Hans Christian Andersen e Charles Perrault editaram contos mágicos de princesas, ogros malignos, florestas escuras, magias estranhas e amores frustrados. E essas histórias foram contadas para crianças de todos os lugares, em diversas épocas . Mas há quantos anos esses contos foram criados? Um novo estudo sugere que as suas origens podem nos levar a percorrer todo o caminho de volta à pré-história.
Nova pesquisa mostra que contos mágicos têm uma história mais longa do que se suspeitava anteriormente.
Fonte da ilustração: (Blue Lantern Studio/Corbis)
Em um novo estudo publicado na revista da Royal Society Open Science, uma folclorista (Sara Graça da Silva) e um antropólogo (Jamshid J. Tehrani) afirmam que histórias como as de Rumpelstichen (o antagonista de um conto de fadas de origem alemã, O Anão Saltador) e João e o Pé de Feijão são muito mais velhos do que se pensava inicialmente. Em vez de datarem dos anos de 1500, os pesquisadores dizem que algumas essas histórias clássicas possuem 4.000 e 5.000 anos de idade, respectivamente. Isto contradiz a especulação anterior de que os coletores de histórias, como os irmãos Grimm transcreveram contos que tinham apenas algumas centenas de anos de idade.

Acontece que é muito difícil de descobrir a idade dos velhos contos de fadas usando dados históricos simples. Uma vez que os contos foram transmitidos oralmente, pode ser quase impossível fazer a datação desse contos utilizando apenas os métodos de um historiador ou a tradicional caixa de ferramentas do antropólogo. 

Assim, a equipe pegou emprestado da biologia uma técnica chamada análise filogenética. Normalmente, a análise filogenética é utilizada para mostrar como os organismos evoluíram. Neste caso, os pesquisadores utilizaram estratégias criadas por biólogos evolucionistas para traçar as raízes de 275 contos de fadas, através de árvores complexas de língua, população e cultura.

Usando o Aarne-Thompson-Uther ou sistema ATU de contos populares, a equipe localizou a presença dos contos em 50 populações de línguas indo-europeias. Eles foram capazes de encontrar as ascendências de 76 contos, rastreá-los de volta no tempo usando árvores de linguagem.

Com os contos rastreados, eles encontraram evidências de que parte deles, na verdade, foram baseados em outras histórias. Mais de um quarto das histórias acabou por ter raízes antigas - João e o Pé de Feijão foi rastreado até mais de 5.000 anos atrás.

Os resultados puderam confirmar uma teoria quase esquecida de conto de fadas do escritor Wilhelm Grimm, que afirmava que todas as culturas indo-europeias compartilhavam contos comuns. Mas o estudo ainda não prova que todos os contos de fadas são tão velhos assim. 

Então já é hora de usar registros históricos e pistas escritas para aprender mais sobre a história oral dos povos antigos? De jeito nenhum, diz a equipe de investigação. "Claro, isso não diminui o valor de buscar o registro literário para verificar as evidências sobre as origens e o desenvolvimento dos contos orais", escrevem eles. Tradução: Os pesquisadores ainda vão continuar procurando as origens dos contos de fadas em livros também. Entretanto, talvez seja hora de você pegar aquele livro de contos e imaginar uma nova versão das histórias contadas há milhares de anos atrás.

Texto escrito por Erin Blakemore * Tradução livre, por Gabriel, com informações da Smithsonian Magazine. Data da publicação: 25/01/2016.

Antropoceno: nós somos a força geológica dominante

Os seres humanos estão vivendo em uma nova era geológica. 

Em um novo estudo, publicado na revista Science no dia 7 de Janeiro de 2016, uma equipe internacional de cientistas concluíram que o impacto da atividade humana sobre a Terra é tão generalizada e persistente que merece o reconhecimento formal, com a criação de uma nova unidade de tempo geológico, chamada Antropoceno.

"Estamos dizendo que os seres humanos são um processo geológico", diz o co-autor do estudo Colin Waters, um geólogo do Serviço Geológico Britânico (BGS) "Nós somos a força geológica dominante moldando o planeta. Não são os rios, não são os ventos...São os seres humanos. "
Uma nuvem de cogumelo sobe no céu durante um teste de armas atômicas na década de 1950. (Roger Ressmeyer / Corbis . Cientistas concluíram que a idade dos seres humanos começou oficialmente no início da era nuclear.
O termo "Antropoceno" - de antropo, "homem"- foi popularizado pelo ganhador do prêmio Nobel de Química, Paul Crutzen.

Nos últimos anos, no entanto, tem havido um movimento crescente entre os cientistas para adotar formalmente o termo como parte da nomenclatura oficial da Geologia. Aqueles que defendem essa ação argumentam que a época atual dominado pela humanidade é muito diferente do Holoceno dos últimos 12.000 anos, o tempo durante o qual as sociedades humanas desenvolveram e floresceram.

O novo estudo não é o primeiro a propor a criação formal do Antropoceno - Simon Lewis e Mark Maslin, da University College London fizeram uma recomendação semelhante no ano passado - mas é um dos mais abrangente até o momento. Nela, Waters e seus colegas procuraram responder se as ações humanas deixaram sinais mensuráveis ​​nas camadas geológicas, e se esses sinais são marcadamente diferentes das do Holoceno. A resposta a ambas as perguntas, dizem os cientistas, é: sim:

Os pesquisadores realizaram uma revisão da literatura científica publicada e encontraram evidências de inúmeras maneiras que os seres humanos mudaram a Terra para produzir sinais em camadas de gelo e rocha que ainda serão detectáveis nos próximos milhões de anos. Entre eles: a preponderância de produtos humanos únicos, tais como concreto, alumínio e plásticos; níveis atmosféricos elevados de gases de efeito estufa; níveis mais elevados de nitrogênio e fósforo no solo, de fertilizantes e pesticidas; e os testes de armas nucleares acima do solo no século 20.

Os seres humanos tem uma atitude peculiar dentro do reino biológico, levando alguns animais domesticados e plantas cultivadas a se disseminarem enquanto empurra outras espécies à extinção.

"Eu acredito que essas mudanças são registros fósseis", diz Scott Wing, o curador do Museu Nacional de História Natural, dos EUA.

"Se encontrarmos uma planta que é agradável, dentro de alguns anos levamos essa planta para o mundo todo", diz Waters. "Normalmente, você tem que esperar a colisão de dois continentes para obter esse tipo de transferência de espécies, mas estamos fazendo isso em um período muito curto de tempo. "

O Antropoceno é um jovem: Waters e sua equipe afirmam que ele só começou por volta da metade do século XX, no início da era nuclear e da aceleração do crescimento da população, da industrialização e da utilização em grande escala dos combustíveis fósseis. 

Wing diz que os seres humanos mudaram a Terra o suficiente para criar um sinais estratigráficos e geoquímicos distintos. "Eu não acho que haja qualquer dúvida sobre isso", diz ele. "Não é apenas um sinal distinto e visível, ele irá persistir por um longo período geológico de tempo, por isso vai poder ser reconhecido nos próximos milhares ou milhões de anos no futuro.Curiosamente, ao contrário da noção de mudança climática para a qual foi estabelecida um consenso científico muito antes de aceitação pública tornar-se generalizada, os membros do público em geral parecem estar mais dispostos a aceitar a ideia que estamos vivemos em uma nova era (Antropoceno) do que alguns cientistas.

"Os geólogos e estratígrafos" - cientistas que estudam as camadas da Terra, "estudam e observam as rochas que são de milhões de anos atrás, muitos deles têm dificuldade em aceitar que um pequeno intervalo de tempo pode ser uma época geológica ", diz Waters.

Waters e Wing dizer que além de ser cientificamente importante, reconhecendo formalmente a era antropocêntrica poderia ter um forte impacto sobre a percepção pública de como a humanidade está mudando o planeta.

"Não há dúvida de que, quando mais de 7 bilhões de pessoas colocam suas mentes para fazer alguma coisa, eles podem ter um grande impacto. Nós estamos vendo isso agora ", diz Waters. "Mas isso também significa que podemos reverter alguns desses impactos negativos se quisermos, se estamos conscientes do que estamos fazendo. Nós podemos modificar o nosso progresso ".

Wing concorda. "Acho que o Antropoceno é um mecanismo muito importante para levar as pessoas de todos os cantos do planeta a pensar sobre o seu legado", diz ele. "Nós, seres humanos estamos em um jogo que afeta todo o mundo e o futuro também. Deveríamos estar pensando em nosso legado de longo prazo, e o Antropoceno coloca um nome nesse legado ".

Texto escrito por Ker Than * Tradução livre, por Gabriel, com informações da Smithsonian Magazine. Data da publicação: 23/01/2016.

Estamos vivendo na Idade do Plástico?

Durante séculos, historiadores e arqueólogos definiram os períodos da história humana a partir de tecnologias ou materiais que tiveram o maior impacto na sociedade da época, como a Idade da Pedra, Idade do Bronze e a Idade do Ferro. 

Mas de que Idade nós somos agora? De acordo com Cara Giaimo, do site Atlas Obscura, essa pergunta pode ser respondida com uma palavra: plásticos. A ideia de dar nome às idades não deve ser confundida com subdivisões geológicas do tempo, como o Holoceno ou a proposta do Antropoceno - um período resultante do impacto humano em massa no planeta. 

Esta época geológica mais recente ainda não é oficial, mas já é muito aceita e utilizada. Um estudo recente diz que o Antropoceno começou durante meados do século 20 com a detonação das primeiras bombas nucleares, disse Ker Than para o site Smithsonian.com.
Plástico: os cientistas argumentam que este é o material
que melhor pode definir nosso período atual dentro do Antropoceno.
O Holoceno, foi assim denominado para abranger a Idade do Bronze e do Ferro. Mas nós ainda não temos uma ferramenta ou material para definir nossa época atual. Os cientistas apontam para algumas mudanças específicas: a energia nuclear, a rápida disseminação de materiais como alumínio, concreto, e silício como provas principais da influência da humanidade na Terra. 

Mas de acordo com o arqueólogo John Marston, o plástico "redefiniu a nossa cultura material" e "serão encontrados em camadas estratificadas em nossos depósitos de lixo".

Não há lugar na Terra em que os plásticos são naturalmente feitos e a grande variedade de polímeros sintéticos não existiria se não fosse pela ação humana. Desde a invenção dos primeiros polímeros, cerca de seis bilhões de toneladas de plásticos foram feitas e se espalharam pelo planeta. Junto com as primeiras detonações nucleares em 1945, os plásticos são uma das mudanças mais significativas que os seres humanos fizeram na história recente da Terra, relata Andrew C. Revkin para o New York Times

Para aumentar o problema, a maioria dos plásticos não são facilmente degradáveis, e a reciclagem não é uma solução para tudo. Nem todos os tipos de plástico são facilmente recicláveis, e há apenas algumas usinas de reciclagem (nos Estados Unidos) que podem processar todas as variedades de plástico.

Isso significa que grande parte dos materiais jogados em lixeiras de reciclagem pode circular pelo planeta várias vezes antes de serem processados ​​para produzir tapetes, blusas, ou outras garrafas, diz Debra Winter para o site The Atlantic. Embora milhões de toneladas de plástico sejam reciclados a cada ano, milhões acabam em aterros sanitários ou o nos oceanos. O problema atingiu o ponto em que é possível que em apenas algumas décadas poderia haver mais plástico nos oceanos do mundo do que peixes.

"O plástico pode demorar mais de 500 anos para se decompor na natureza, então é seguro dizer que cada garrafa de plástico que você usou ainda está em algum lugar deste planeta, de alguma forma ou de outra," afirma Winter. 

Mesmo que as pessoas em todo o mundo mudem suas maneiras de utilizar o plástico, o dano já está feito. A Idade do Plástico em breve poderá tomar o seu lugar ao lado da Idade do Bronze e da Idade do Ferro na história da civilização humana.

Texto escrito por Danny Lewis * Tradução livre, por Gabriel, com informações da Smithsonian Magazine. Data da publicação: 22/01/2016.

O buraco da camada de ozônio já assustou o mundo; mas o que aconteceu com ele?

Ele mudou a percepção pública sobre o meio ambiente para sempre, e mobilizou uma geração de cientistas no combate a essa ameaça para a nossa atmosfera. Mas 30 anos depois de sua descoberta, o buraco de ozônio simplesmente não tem as faces do terror que ele foi um dia. Como está a situação do buraco de ozônio hoje?

Para entender, você tem voltar no tempo, cerca de 250 anos. Os cientistas vêm tentando estudar o invisível desde o início da ciência, mas a primeira verdadeira compreensão da atmosfera da Terra veio durante os anos de 1700. Em 1776, Antoine Lavoisier mostrou que o oxigênio era um elemento químico, e na tabela periódica seu número atômico era o oito. A revolução científica estimulou descobertas novas. A partir de experiências com eletricidade,descobriu-se que passando eletricidade através de oxigênio produzia-se um odor estranho, ligeiramente picante.
Quando o buraco na camada de ozônio foi descoberto, ele se tornou uma sensação mundial.
Trinta anos depois, o que aconteceu com ele?
Na década de 1830, quando fazia experiência com faíscas elétricas, Christian Friedrich Schönbein descobriu que esse odor era o ozônio, uma molécula composta por três átomos de oxigênio. A partir de novos estudos os cientistas começaram a especular que o ozônio era um componente essencial da atmosfera e até mesmo que era capaz de absorver os raios do sol.

Uma dupla cientistas franceses, Charles Fabry e Henri Buisson utilizaram um interferômetro para fazer as medições mais precisas da presença de ozônio na atmosfera em 1913. Eles descobriram que o ozônio se acumula em uma camada na estratosfera,  e concentra-se na região entre 20 e 35 km de altitude.

O ozônio filtra a radiação ultravioleta que chega até o planeta Terra. Se não houvesse ozônio na atmosfera, diz a NASA ", raios UV intensos do Sol iria esterilizar a superfície da Terra." Ao longo dos anos, os cientistas descobriram que a camada é extremamente fina, e que varia ao longo do dia e das estações do ano e que ele tem diferentes concentrações nas diferentes áreas.

Os pesquisadores começaram a estudar os níveis de ozônio ao longo do tempo, e começaram a pensar se o ozônio era capaz de ser esgotado. Na década de 1970, eles estavam estudando como emissões provenientes de coisas como aeronaves supersônicas e de ônibus espacial, que emitia gases diretamente na estratosfera, poderia afetar essa camada da Terra.

Então, descobriu-se que esses rastros não eram o pior inimigo real da camada de ozônio. O perigo maior estavam nas substâncias químicas halogenadas contendo átomos de cloro (Cl), flúor (F) ou bromo (Br) presentes em coisas como garrafas de spray de cabelo e de creme de barbear. Em 1974, um estudo mostrou que os clorofluorocarbonetos (CFC) usados ​​em garrafas de spray destroem o ozônio atmosférico. A descoberta de Paul Crutzen, Mario Molina e F. Sherwood Rowland ganhou um Prêmio Nobel, e todos os olhos se voltaram para a camada invisível que rodeia a Terra.

O que eles encontraram chocou até mesmo os cientistas que já estavam convencidos de que os CFCs destroem o ozônio. Richard Farman, um cientista atmosférico que vinha recolhendo dados na Antártida anualmente, durante décadas, pensou que seus instrumentos estavam quebrados quando eles começaram a mostrar grandes buracos na camada de ozônio sobre o continente. Seus instrumentos não estavam quebrdos: A camada de ozônio havia sido danificada mais do que os cientistas poderiam ter imaginado.

Como a história sobre o buraco de ozônio vazou através dos meios de comunicação social, o assunto alcançou repercussão mundial. Os cientistas se esforçaram para compreender os processos químicos por trás do buraco.

"É como se a AIDS estivesse no céu", disse uma ambientalista aterrorizada para a equipe da Newsweek. Alimentada em parte por temores de agravamento do buraco de ozônio, 24 nações assinaram o Protocolo de Montreal limitando o uso de CFCs em 1987.

Nos dias de hoje, os cientistas sabem muito mais sobre o buraco de ozônio. Eles sabem que é um fenômeno sazonal que se forma durante a primavera na Antártida, quando o tempo começa a aquecer. Durante o inverno da Antártida, o buraco recua gradualmente até o ano seguinte. E o buraco de ozônio da Antártida não está sozinho. "Mini-buracos" foram descobertos sobre o Tibete em 2003, e em 2005 os cientistas confirmaram uma degradação sobre o Ártico tão drástica que poderia ser considerado um buraco.

Cientistas de todo o mundo acompanham a camada de ozônio acima da Antártica usando balões, satélites e modelos de computador. Eles descobriram que o buraco de ozônio está realmente ficando cada vez menor: Os cientistas estimam que, se o Protocolo de Montreal nunca havia sido implementado, o buraco teria crescido 40 por cento em 2013. Em vez disso, o buraco deverá "sumir" completamente até 2050.

Sabendo que o tamanho desse buraco está sujeito a variações anuais, padrões de fluxo de ar e outras dinâmicas atmosféricas, tem-se a difícil missão de manter a consciência pública em alerta.

Bryan Johnson é um químico de pesquisa da NOAA , que ajuda a monitorar o buraco de ozônio, ano após ano. "Já tivemos três fases de preocupações ambientais", diz ele. "Primeiro houve a chuva ácida. Em seguida, ele foi o buraco de ozônio. Agora são os gases de efeito estufa como o dióxido de carbono. "

Faz sentido que com os CFCs quase fora da atmosfera, processo que ainda pode levar de 50 a 100 anos, as preocupações sobre seus impactos ambientais diminuem também. Mas essa história de sucesso de combate ao buraco da camada de ozônio poderia tornar o público mais consciente com outras preocupações ambientais, como as mudanças climáticas.

O medo da destruição da camada de ozônio mobilizou uma das maiores vitórias de proteção ambiental na memória recente.

"O buraco de ozônio está melhorando, e ele vai cicatrizar", diz Johnson. Não é todo dia que uma história de horror científico tem um final feliz.

Texto escrito por Erin Blakemore. * Tradução livre, por Gabriel, com informações da Smithsonian Magazine. Data da publicação: 22/01/2016.