sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Mais de 92% dizem 'sim' à independência do Curdistão iraquiano. E agora?

Para milhões de cidadãos curdos no Curdistão iraquiano, a segunda-feira (25/09/2017) foi um dia histórico. Mas para seus vizinhos, o referendo é o início de uma série de problemas. O secretário-geral da ONU, António Guterres, divulgou um comunicado lamentando os “possíveis efeitos desestabilizadores” da votação, rejeitada pelo Iraque, além de Turquia e Irã, nações que fazem fronteiras com a região e abrigam suas próprias minorias curdas.

Autoridades curdas insistem que o referendo não é vinculante, e o enxergam como uma demonstração das aspirações de autodeterminação da região e uma mensagem para o governo central em Bagdá. No entanto, o governo iraquiano tratou de dar sua própria mensagem ao anunciar a realização de exercícios militares com a Turquia nas proximidades do Curdistão iraquiano. Já o Irã fez o mesmo próximo a suas fronteiras e fechou seu espaço aéreo a voos oriundos da região.


Mesmo dentro do governo regional, críticos enxergaram o referendo como uma tentativa do presidente Massoud Barzani e de seu partido de consolidar o poder. Até os EUA se posicionaram contra a consulta, temendo que uma luta pela independência ponha em risco a campanha contra o Estado Islâmico e prejudique a campanha de reeleição do premier iraquiano, Haider al-Abadi, em abril. Agora, dizem os EUA, não seria o momento de criar turbulências.

David Pollock, do Washington Institute for Near East Policy, acredita que os vizinhos do Curdistão podem moderar suas posições de maneira pragmática. Caso isso não aconteça, e as discussões entre Bagdá e Irbil não deem resultados, um pavio terá sido aceso num cenário geopolítico que já é suficientemente complicado.

“Estados democráticos ocidentais dificilmente vão querer ser vistos como um elemento contrário à vontade coletiva de milhões de pessoas”, escreveu Michael Stephens, do centro de estudos Rusi Qatar. “Mas também não querem ser vistos como os principais arquitetos de uma ruptura permanente numa região fragmentada”.

Fonte: Ishaan Tharoor, Washington Post /Jornal O  Globo.

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