terça-feira, 6 de junho de 2017

Pará ganha primeiro viaduto para travessia de animais do Brasil

Quem nunca se estressou com o trânsito? Quem nunca se pegou pensando em soluções para a mobilidade urbana? Pois é! Atolados de trabalho e na correria do dia a dia, dificilmente paramos para pensar em um outro público, que também enfrenta problemas de deslocamento. São os animais que morrem diariamente nas rodovias pelo Brasil. E como forma de diminuir esse problema, foi construído no Pará, o primeiro viaduto de passagem de fauna do país.



A obra foi uma determinação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) para mineradora Vale, que iria instalar um novo trecho de rodovia para escoar a produção de minério de ferro, no Ramal Ferroviário Sudeste do Pará. A licença de instalação só seria obtida com a construção do viaduto, que corta a Floresta Nacional do Carajás.

Para assegurar o direcionamento dos animais, o viaduto foi cercado de arame galvanizado de 2,2 metros de altura ao longo de 100 metros de extensão em cada lado dos acessos. Espécies arbustivas e de pequeno porte foram plantadas nas laterais.

Segundo o Ibama, outras 30 passagens, entre viadutos e túneis, foram instaladas ao longo dos 100 quilômetros do ramal e já existem registros do trânsito de capivaras, tatus, jaguatiricas, tamanduás-bandeira, cachorros do mato, cutias, iguanas e gatos-mouriscos.
Dados dos atropelamento de animais

A construção deste viaduto é uma notícia positiva em meio a uma selva de problemas. Segundo o Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE), 15 animais morrem nas estradas brasileiras a cada segundo. Por dia, o número chega a quase 1,3 milhões. E por ano, o resultado final, fica próximo de 475 milhões.

Ainda de acordo com o CBEE, cerca de 90% dos atropelamentos envolvem pequenos vertebrados (sapos, pequenas aves, cobras, entre outros). Vertebrados de médio porte (gambás, lebres, macacos), representam 9%. O 1% restante está longe de parecer pouco. Esta é a quantidade de animais de grande porte (onça-parda, lobos-guarás, onça-pintadas, antas, capivaras), cerca de 5 milhões. Se levarmos em comparação que estes animais correm risco de extinção (como é o caso da onça-pintada e da onça-parda), o caso fica ainda mais grave.

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