quinta-feira, 29 de junho de 2017

Os Domínios Morfoclimáticos do Brasil

O Brasil, país tropical de grande extensão territorial, apresenta uma geografia marcada por grande diversidade. A interação e a interdependência entre os diversos elementos da paisagem (relevo, clima, vegetação, hidrografia, solo, fauna, etc.) explicam a existência dos chamados domínios geoecológicos, que podem ser entendidos como uma combinação ou síntese dos diversos elementos da natureza, individualizando uma determinada porção do território.

Dessa maneira, podemos reconhecer, no Brasil, a existência de seis grandes paisagens naturais: Domínio Amazônico, Domínio das Caatingas, Domínio dos Cerrados, Domínio dos Mares de Morros, Domínio das Araucárias e Domínio das Pradarias.

Entre os seis grandes domínios acima relacionados, inserem-se inúmeras faixas de transição, que apresentam elementos típicos de dois ou mais deles (Pantanal, Agreste, Cocais, etc.).

Dos elementos naturais, os que mais influenciam na formação de uma paisagem natural são o clima e o relevo; eles interferem e condicionam os demais elementos, embora sejam também por eles influenciados. A cobertura vegetal, que mais marca o aspecto visual de cada paisagem, é o elemento natural mais frágil e dependente dos demais (síntese da paisagem).

  • Domínio Amazônico
Localizado em sua maior parte na Região Norte do Brasil, esse domínio apresenta uma grande variedade de espécies animais e vegetais. 

O relevo é parte importante na distribuição geográfica desse domínio, pois como a área é formada por planícies e planaltos, podemos identificar três diferentes extratos na distribuição da vegetação:

- Igapó – área da floresta permanentemente alagada e onde encontramos espécies nativas como a vitória-régia, planta adaptada a essas condições de inundação.

- Mata de Várzea – áreas de inundações periódicas, de acordo com as cheias dos rios. Nesse extrato podemos destacar a presença de seringueiras (maniçoba e maçaranduba).

- Mata de Terra Firme – corresponde a áreas de terras mais altas onde encontramos árvores de grande porte, podendo atingir cerca de 65 metros. 
Atualmente, o desmatamento é a grande preocupação em relação a esse domínio, que vem sendo destruído por várias atividades econômicas, entre elas: crescimento da atividade agrícola, principalmente pelo cultivo de soja, aumento do número de pastagens, implantação de projetos de mineração e a realização de atividade madeireira. 

  • MARES DE MORRO
Localizada ao longo do litoral brasileiro, o domínio de mares de morros recebe esse nome em função de sua estrutura geológica. Formada por dobramentos cristalinos da Era Pré-Cambriana, esse relevo sofreu intensa ação erosiva ao longo dos milhões de anos, o que contribuiu para a formação de morros com vertentes arredondadas, chamadas de “morros em meia-laranja”.

A vegetação característica desse domínio é a Floresta Tropical Úmida ou Mata Atlântica, que possui cerca de 20 mil espécies de plantas, das quais 8 mil são consideradas endêmicas. 

Essa foi, com certeza, a vegetação que mais sofreu os efeitos da devastação ambiental, promovida desde o período colonial até os dias de hoje. Os principais fatores responsáveis por essa destruição foram:

- a extração de Pau-Brasil, realizada pelos portugueses;
- a expansão das atividades agrícolas;
- o crescimento urbano-industrial.

Como consequência desse processo de destruição, dos 100% da mata original resta hoje apenas cerca de 7%, distribuídos em blocos isolados ao longo do litoral. É comum que esses fragmentos sejam encontrados apenas em áreas de difícil acesso, como em encostas íngremes.

  • CERRADO
O cerrado estende-se, em sua maior parte, pelos planaltos e chapadões do Centro-Oeste brasileiro. O cerrado típico é formado de arbustos e árvores de médio porte que, em geral, apresentam-se bem afastados uns dos outros. Os troncos e galhos possuem um aspecto retorcido e com casca bastante grossa.

As queimadas, ao contrário do que muitos imaginam, para esse tipo de domínio é de certa forma importante, pois contribuem para a reciclagem de nutrientes e, consequentemente, fazem surgir novas espécies após a passagem do fogo.

Após a década de 1950, o cerrado passou por um intenso processo de degradação ambiental, associado à abertura de rodovias e a construção de Brasília. 

A expansão da fronteira agrícola é outro fator determinante para a ampliação do desmatamento. O cultivo da soja e a utilização de áreas do cerrado como pastagem contribuíram de maneira significativa para a ocorrência desse problema ambiental.

  • CAATINGA
Característica do sertão nordestino, esse tipo de domínio é específico dessa região, pois se relaciona diretamente ao clima semiárido, que apresenta baixos índices pluviométricos.

Essa vegetação é formada por plantas xerófilas, que são adaptadas a ambientes de clima seco e possuem a capacidade de armazenar água em seu interior. Além disso, os espinhos desses tipos de planta substituem as folhas, o que possibilita uma menor perda de água para o meio externo.

Depois da Mata Atlântica e do cerrado, a caatinga é o domínio morfoclimático mais alterado do Brasil, muito em função da utilização dessa região para a prática da agricultura e da criação de animais.

  • MATA DAS ARAUCÁRIAS
Localizada nas áreas de altitude da Região Sul do Brasil, a Mata das Araucárias ou dos Pinhais está associada a uma região de clima subtropical e, portanto, com temperaturas mais baixas se comparadas com as demais regiões do país.

O pinheiro-do-paraná, formação vegetal predominante, é uma das árvores nativas da região. Sua utilização, ao longo do século XIX, principalmente por imigrantes italianos e alemães, estava associada à construção de casas e móveis. 

Restam hoje menos de 10% da mata original, principalmente em razão da utilização da madeira pelas indústrias de papel e celulose e moveleira.

  • PRADARIAS
Também conhecido por Pampa ou Campanha Gaúcha, esse domínio é composto por uma vegetação rasteira, formada por herbáceas e gramíneas.

Localizado no sul do país, em especial no estado do Rio Grande do Sul, essa região exibe relevo suavemente ondulado (coxilhas), onde se desenvolvem práticas como a pecuária extensiva e a agricultura da soja e do trigo. O pisoteio constante do gado e a prática da monocultura, respectivamente, têm levado à compactação e à redução da fertilidade do solo, gerando áreas desertificadas.

Fonte: COC Educação e Globo.

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