quarta-feira, 7 de junho de 2017

Brasil ganha novo parque nacional no Pará e ampliação de outros três, entre eles, a Chapada dos Veadeiros

Enfim, uma boa notícia na área ambiental! Depois de semanas de massacre sobre o setor, em que diversas medidas provisórias (MPs) foram votadas pelo Congresso, e algumas, infelizmente, aprovadas, diminuindo o tamanho de parques e Unidades de Conservação (UCs), para celebrar o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado em 05/06, o governo assinou decreto criando mais uma UC – o Parque Nacional dos Campos Ferruginosos, no Pará – e ampliando outras três – o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, a Reserva Biológica União, no estado do Rio de Janeiro, e a Estação Ecológica do Taim, no litoral do Rio Grande do Sul.

De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), no total, foram incorporadas 282 mil hectares de novas áreas protegidas, num total de 79,4 milhões de hectares, o equivalente a quase 10% do território nacional.



Houve uma grande campanha para que o decreto de ampliação da Chapada dos Veadeiros fosse finalmente assinado, como mostramos aqui recentemente.

Ocupando 25% de nosso território, o Cerrado é o segundo maior bioma do país e um dos mais ameaçados. Chamado de berço das águas, nele estão a bacia hidrográfica do rio São Francisco e três aquíferos – Guarani, Bambuí e Urucaia. Além disso, o Cerrado tem a flora mais antiga da Terra e diversas espécies de animais endêmicas (que só existem no Brasil), alguma delas, infelizmente, ameaçadas de extinção.

A iniciativa para o aumento da área protegida da Chapada dos Veadeiros se deu graças aos esforços de especialistas do Ministério do Meio Ambiente, através do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), junto com ambientalistas. O parque foi ampliado de 65 mil hectares para 240 mil hectares, ou seja, quase quatro vezes seu tamanho atual. Serão agora duas áreas descontínuas, cortadas pela BR 239.

Belezas naturais da Chapada dos Veadeiros, que atraem milhares de turistas.
A extensão da área de proteção de Veadeiros é importantíssima para a sobrevivência de espécies endêmicas(que só existem ali e em outro lugar nenhum do planeta) da fauna e flora, como o cervo-do-Pantanal, lobo-guará, pato-mergulhão e a onça-pintada, maior mamífero carnívoro da América do Sul. Para estes animais, de grande porte, ter mais espaço para circular e procriar é fundamental. “A ampliação é um sopro de esperança para uma relação harmoniosa do homem com a natureza e para a vida da Chapada dos Veadeiros e do Cerrado”, comemorou o chefe da unidade, Fernando Tatagiba.
Ganhos para a conservação da natureza e o turismo

A partir de ontem, o Parque Nacional dos Campos Ferruginosos, no Pará, é a mais nova Unidade de Conservação do Brasil. A maior parte de seu território está situada no município de Canaã, ao lado da Floresta Nacional de Carajás.

Segundo o ICMBio, responsável pela administração de todos os parques, Ferruginosos é uma região coberta por florestas e, principalmente, por savanas conhecidas como vegetação de canga ou campos rupestres ferruginosos, tipo raro de ecossistema associado aos afloramentos rochosos ricos em ferro. O local é repleto de ambientes aquáticos, com cachoeiras boas para banho, e cavernas. Abriga espécies da fauna e flora endêmicas e ameaçadas de extinção.

O trabalho agora é preparar o parque para o recebimento de turistas e – principalmente -, a estrutura e os projetos para a conservação do mesmo.

Uma das outras UCs que teve sua área estendida foi a Reserva Biológica União, que fica entre os municípios de Rio das Ostras, Casimiro de Abreu e Macaé, no estado do Rio. Com 6 mil hectares a mais, depois da assinatura do novo decreto, ela é importantíssima para a preservação do mico-leão-dourado. Foi por causa da quase extinção da espécie, que a unidade foi criada em 1998. Um trabalho de conservação, que contou com parcerias internacionais, reintroduziu ali animais oriundos de populações em cativeiro de 140 zoológicos de diversos países.

Endêmico do Rio de Janeiro, o mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia) é um dos símbolos da luta contra a extinção de diversas espécies nativas do Brasil. Com o trabalho árduo de algumas ONGs, como a Associação Mico-Leão-Dourado, o número de indivíduos fora de cativeiro aumentou muito nas últimas décadas. Estima-se que na década de 60 restavam apenas 200 soltos na natureza. Em 2014, uma contagem na Reserva Biológica de Poço das Antas revelou aproximadamente 3.200 vivendo no local.

Por último, a Estação Ecológica do Taim, no extremo sul do país, é uma área de banhados, com grande extensões de matas de restinga, lagoas e canais, e que serve de parada para aves migratórias que vêm do Canadá, Estados Unidos e sul da Argentina.

Alguns setores ambientais viram com reservas a notícia da criação das novas áreas, já que o movimento atual do governo é justamente ceder à pressão de empresas mineradoras, madeireiras e do agronegócio e diminuir as áreas de proteção ambiental. Espera-se que a iniciativa não tenha sido somente feita para encobrir outros prejuízos sendo perpetrados na surdina pelo Congresso Nacional.

Fonte: Suzana Camargo / Conexão Planeta. *com informações do ICMBio

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