sexta-feira, 5 de maio de 2017

Cientistas eliminam HIV do organismo de animais vivos pela primeira vez

Trata-se de uma inédita demonstração de que o tipo HIV-1 pode ser removido de células infectadas usando uma técnica de edição de DNA 

por Nathan Fernandes


Um estudo feito pelos cientistas da Lewis Katz School of Medicine, em parceria com a Universidade de Pittsburgh, conseguiu eliminar o vírus do HIV — causador da AIDS — em camundongos que haviam sido infectados com células humanas.

Trata-se da primeira demonstração de que o tipo HIV-1 pode ser completamente removido de células infectadas usando uma poderosa técnica de edição de DNA conhecida como CRISPR/Cas9. 

A técnica, desenvolvida pela bioquímica americana Jennifer Doudna e a microbiologista francesa Emmanuelle Charpentier consiste em uma espécie de ctrl+c/ctrl+v. 

A colaboração entre as duas começou quando Charpentier se apresentou para Doudna em um congresso e contou que estava pesquisando uma técnica chamada Crispr (sequências repetitivas no DNA de bactérias), que parecia auxiliar bactérias carnívoras a combater vírus que tentavam atacá-las.

A intenção da francesa era descobrir como o sistema de defesa dessas bactérias funcionava para destruí-lo e, consequentemente, curar as pessoas infectadas por elas. Mas, à medida que a pesquisa evoluiu, ficou claro que uma proteína específica, a Cas9, era a verdadeira estrela do processo: ela era capaz de recortar uma parte específica do DNA do vírus e juntar as duas pontas — algo similar ao ctrl+x, que você faz todo dia no computador. Elas, então, conseguiram adaptar o processo para outros organismos que não as bactérias. E revolucionaram a engenharia genética.

Em 2016, os cientistas que pesquisam HIV aproveitam a descoberta para publicar um estudo prévio que serviu como base para a nova descoberta. 

“Nosso novo estudo é mais abrangente. Confirmamos os dados de nosso trabalho anterior e melhoramos a eficiência de nossa estratégia de edição de genes. Nós também mostramos que a estratégia é eficaz em modelos com outros dois tipos de roedores, um representando infecção aguda em células de rato e o outro representando infecção crônica ou latente em células humanas”, disse o co-coordenador da pesquisa Wenhui Hu, professor associado no Centro de Pesquisa de Doenças Metabólicas e do Departamento de Patologia da LKSOM. 

A ideia agora é fazer os testes em primatas. “Nosso objetivo final é um ensaio clínico em pacientes humanos”, acrescentou Kamel Khalili, também co-coordenador da pesquisa.

Fonte: Revista Galileu.

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