sexta-feira, 18 de março de 2016

Marilena Chauí: caldo arbitrário e tirânico foi às ruas e temos de reagir

Professora de Filosofia da USP destaca o ódio e o ressentimento como principais características de movimento contra a presidenta Dilma e o ex-presidente Lula e pede mobilização contra movimento que ameaça à democracia

Por Redação / Portal Fórum

Tida como uma das mais importantes intelectuais brasileiras da atualidade, a professora de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP) Marilena Chauí alertou nesta quarta-feira (16/03) quanto ao perigo das manifestações contrárias ao ex-presidente Lula e à presidenta Dilma que tomaram o país nos últimos dias. Para ela, são movimentos em defesa da “ordem e segurança” e contrários à democracia. Marilena participou do ato em favor da legalidade e da democracia realizado no Tuca (Teatro da Universidade Católica), em São Paulo.




Ela destacou o “caldo tirânico” do movimento, que facilita a ascensão ao poder de um governo arbitrário. Segundo a professora, os manifestantes têm uma marca de ódio e ressentimento, mas são incapazes de formular uma alternativa à política atual. “Em um primeiro momento, pode até surgir um sentimento positivo por conta da rejeição que o senador Aécio Neves e o governador Geraldo Alckmin (ambos do PSDB) receberam na Avenida Paulista, afinal, eles colheram o que plantaram. Mas é preocupante em uma análise mais profunda porque revela que esses grupos são uma massa desorganizada, deslocada de partidos e movimentos sociais. São grupos a procura de um salvador. Em outra época, eram militares, agora são juízes e promotores”, acredita.

Para Marilena, a ameaça de retrocesso no país tem três faces: esse movimento sem ideologia clara presente nas ruas, uma atuação politizada de determinados juízes e promotores contra políticos de esquerda e a bancada dos 3bs no Congresso (boi, bala e bíblia). Por conta disso, a professora de Filosofia defendeu um plano de enfrentamento da situação, com a mobilização nas ruas e uma atuação mais atenta às votações no Legislativo e a fiscalização de abusos do Judiciário.

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