sábado, 27 de fevereiro de 2016

Trabalho escravo infantil: o lado amargo do chocolate

Recentemente o Portal Vermelho publicou uma matéria que denunciava quais são as sete marcas de chocolate que utilizam trabalho escravo infantil em seus processos de produção. O jornalista dinamarquês, Miki Mistrati, investigou a fundo esta questão e o trabalho dele resultou no documentário The Dark Side of Chocolate - O lado negro do chocolate, que trazemos na íntegra. 
Cena do documentário quando Miki encontra a
primeira fazenda que utiliza trabalho escravo das crianças
Miki começou investigando o processo de produção de cacau em fazendas em Mali, na África Ocidental. Com câmeras escondidas, registrou o tráfico de crianças e o trabalho forçado em plantações de cacau na Costa do Marfim. 

O país é o maior produtor de cacau do mundo, responsável atualmente por cerca de 42% de toda a produção mundial. Mas identificar e denunciar o trabalho escravo infantil utilizado nas milionárias plantações de cacau pode ser bastante arriscado. No documentário, Miki denuncia o desaparecimento do jornalista franco-canadense Guy-André Kieffer. Ele estava investigando a lavagem de dinheiro em torno da produção cacaueira marfinense e desapareceu, até hoje o caso não foi resolvido. 

O governo da Costa do Marfim afirma que o trabalho escravo infantil é proibido e combatido. No entanto, parece que a fiscalização não encontrou as mesmas fazendas visitadas por Miki, onde dezenas de crianças – trazidas de outros países, e sem falar o idioma local – são forçadas a trabalhar por horas. 
Os pequenos têm entre 10 e 12 anos e são forçados a colher e transportar grandes cargas de cacau durante todo o “expediente”. Além disso, o pagamento é ínfimo, quando há. Apesar do pouco tamanho, eles manipulam facas e carregam peso desproporcional às condições físicas. 

As principais multinacionais responsáveis por consumir o cacau fruto do sofrimento das crianças são a Nestlè, a Mars e a Barry Callebaut. Além disso, a Hershey, ADM Cocoa, Godiva, Fowler’s Chocolate e Kraft também já foram indiciadas por utilizar trabalho escravo. 

Em 2001 estas empresas assinaram um pacto, intitulado Protocolo do Cacau, onde se comprometeram em erradicar totalmente o trabalho escravo até 2008. No entanto, a meta não só não foi cumprida, como o prazo foi postergado para 2020. Enquanto isso, milhares de crianças continuarão sendo exploradas na África, em troca do lucro destas grandes empresas, a maioria delas referência no mercado mundial de chocolates. 

Assista ao documentário: 

Do Portal Vermelho, Mariana Serafini.

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