sábado, 4 de julho de 2015

China

CHINA - País do centro-sudeste asiático, banhado pelo Pacífico, sendo o terceiro maior país do mundo em extensão. Seu topônimo se origina de Ch'in (ou Ts'in), nome da dinastia que unificou o país. Ganhou este nome depois do Século II a.C., quando a província Ch'in (atual província Shensi) se tornou o país mais civilizado do mundo naquela época. No entanto, Frei Gaspar da Cruz informou, no Século XVI, que China era o nome pelo qual indianos e habitantes do sul denominavam o país, porém os nativos chamavam a terra de Tame e aos seus habitantes de Tamgin. 

Localização: Leste da Ásia
Capital: Beijing (Pequim)
Idioma: Mandarim
População: 1.393.783.836 habitantes
Extensão Territorial: 9.600.000,5  Km²
Bandeira da China
Mapa da China

Embora seja uma antiga civilização, não há muitos registros das origens de sua História, como do mundo greco-romano, egípcio ou mesopotâmico. Só em tempos bem recentes, descobertas arqueológicas permitiram traçar um esboço das origens chinesas.

Sabe-se que foi habitada por hominídeos, 200 ou 500 mil anos atrás. Foram descobertas cerâmicas pintadas, com data de 4.000 a.C., ou seja, do fim do período Neolítico. 

A civilização chinesa formou-se progressivamente de leste para o oeste e, sobremaneira, de norte para o sul. Nasceu na imensa planície ao longo do Rio Huang He (Amarelo), cujas cheias tornavam os terrenos extremamente férteis. A importância deste rio para os chineses se compara à do Nilo para os egípcios. O alto grau de homogeneidade cultural e social alcançado pelos chineses não tem paralelo na História da humanidade. Estavam já bem à frente da organização da civilização ocidental.

Durante a dinastia Shang (também chamada de Yin), que governou a China aproximadamente de 1766 a 1123 a.C., a agricultura se guiava por um calendário com um mês de 30 dias e um ano com 360 dias. Além disso, um décimo terceiro mês era instituído quando se precisavam fazer compensações. Sábios chineses, durante este período, estabeleceram como duração média do ano 365 dias e um quarto, exatamente como nos dias de hoje.

Na dinastia seguinte, a Chou, por volta de 1122 até 256 a.C., o país retrocedeu no aspecto civilizatório, tratando de proteger seus domínios das invasões bárbaras vindas do norte.

O Estado chinês se consolidou por volta do Século III a.C, na dinastia Ch'in (de 221 a 207 a.C.). Seu imperador, Cheng Huang, derrotou os príncipes feudais de seis estados chineses e unificou o país. Nessa época, o imperador Qin Shihuan, estabeleceu um sistema único de escrita por ideogramas, que sobreviveu até os tempos atuais. Com isso, pessoas que falavam dialetos diferentes podiam ler os mesmo textos e documentos. 

A dinastia seguinte, Han, que governou de 202 a.C. a 221 d.C., foi marcada pelas tentativas de retorno à ordem feudal. Nela, subiu ao trono um dos maiores soberanos da história chinesa: Hsiao Wu-ti (141-87 a.C), cuja primeira medida foi submeter os nobres insubordinados e acabar definitivamente com os resquícios do antigo feudalismo chinês. Procurou governar com os sábios confucionistas, consolidando a monarquia e partindo para a conquista da Ásia Central. Venceu os bárbaros do Norte, assumindo o controle de seus territórios. Nestas batalhas, utilizou pela primeira vez cargas de cavalaria, surpreendendo o inimigo. Hsiao estabeleceu os fundamentos para a chamada "rota da seda", quebrando o isolamento da China em relação ao comércio exterior. Depois de sua morte, novamente a China voltou a enfrentar instabilidades na sua política. Pan Ch'ao assumiu o poder e promoveu a reunificação do país, partindo para a expansão de seu território, anexando praticamente toda a Ásia Central. Nessa época, a cultura chinesa entrou em contato com o budismo.

Após a morte de Pan Ch'ao, o país entrou em decadência e quase em esfacelamento político. O poder feudal ressurgiu com força e a China se viu partida em três grandes reinos: Wei, ao norte; Wu, no centro; e Shu na região de Szechuan.

Yang Kien reunificou a China e fundou a dinastia Sui (de 589 a 618 d.C.). Soberano enérgico, tratou de cuidar da administração do império. Era um budista fervoroso e inimigo dos confucionistas. Seu filho e sucessor, Yang-ti, embora não tivesse as qualidades de administrador do pai, instalou uma poderosa rede de comunicações internas no país.

A China alcançou notável avanço durante a dinastia seguinte, a T'ang (618 a 906). Sob o reinado de T'ai-tsung, completou a reunificação do país, estabelecendo um vasto império. Enfrentou e venceu os turcos que ameaçavam a China, reforçou as comunicações entre a Índia e a Pérsia. Entretanto, não foi bem sucedido na guerra que empreendeu contra o Tibete e contra a Coréia. Durante a dinastia T'ang, o budismo quase desapareceu da China. Após a queda dos T'ang, o império voltou a enfrentar turbulências. Mas foi na dinastia Song (960-1279) que o país atingiu excepcional desenvolvimento tecnológico e artístico, bem superior a qualquer outra sociedade da época. Neste período surgiram partidos políticos, papel-moeda, novas interpretações do confucionismo e elevação do nível cultural da população. O fim desta dinastia coincidiu com a expansão do império mongol.

Foi no Século III a.C. que a China construiu a famosa Grande Muralha, como forma de tentar conter as invasões dos povos do norte. Mesmo assim, os mongóis invadiram e dominaram o país. Genghis Khan e seu neto Kublai Khan governaram a China de 1276 até 1368, por intermédio da dinastia Yuan. Neste período, a China era parte de um poderoso império que ia do Rio Danúbio, na Europa, até a Coréia. Foi um período de grande desenvolvimento. Construíram-se estradas e canais, além de ser criada a comunicação postal (correios). Pequim se tornou a capital do império mongol e um dos maiores centros políticos do mundo. Duas expedições marítimas contra o Japão terminaram em desastre. Numa delas, aconteceu uma grande catástrofe, em que milhares de navios mal construídos foram tragados por um violento tufão nas costas japonesas.

Após a morte de Kublai Khan, a China entrou em decadência política e econômica. Ainda assim, era o maior centro mundial em matemática e astronomia.

A dinastia seguinte foi a Ming (1368-1644), fundada por Hung-wu. O país chegou ao seu momento de maior expansão, com a anexação da Manchúria, do Vietnam e de parte do Turquestão. Nesta dinastia, navios chineses saíram em expedição pelos mares do mundo, chegando até a África. Nesta ocasião, povos ocidentais chegaram à China, no período conhecido como a Era das Grandes Navegações. Em 1517, o português Fernão Peres d'Andrade chegou ao Cantão. Ocidentais conseguiram autorização para comerciar em portos chineses, sob estritas condições. Em 1557, cederam Macau aos portugueses.

Em 1644 tem início a dinastia Ch'ing, fundada pelos manchus, e que durou até 1912. Eram originalmente um povo da fronteira norte, que entrara na China a pedido dos próprios chineses para expulsar aventureiros instalados no país. Após concluída esta missão, acabaram permanecendo ali e assimilando a cultura chinesa, fundando a nova dinastia. Um dos imperadores manchus, K'ang-hsi (1661-1722), é considerado um grande monarca, tolerante e conciliador. Durante este período, a Inglaterra entrou no comércio chinês, impondo sua presença em uma época de enfraquecimento do poder imperial, já durante o Século XVIII. Com a Revolução Industrial, não se podia perder o este importante mercado. Entretanto, o governo não via com bons olhos a crescente influência inglesa no comércio, inclusive de ópio. Em 1839, após os chineses terem destruído um carregamento da droga trazida pelos ingleses, iniciaram-se as hostilidades, com a vitória britânica, em 1842. Como parte dos despojos de guerra, a Inglaterra ganhou a posse de Hong-Kong, que só perderia no fim do contrato de cessão, em 1999.

A partir daí, os ocidentais ampliaram sua participação no comércio chinês, obtendo tratados vantajosos.

A China se envolveu em uma séria de guerras a partir do fim do Século XIX, início do Século XX: contra Inglaterra e França, em 1858 e 1860; revoltas internas, de 1851 a 1864; contra o Japão, em 1894. Em todos estes conflitos houve pesadas perdas. A China corria sério risco de esfacelamento de seu território. Em 1900, com a revolução dos Boxers - sociedades nacionalistas secretas que passaram a massacrar quem não era chinês - potências estrangeiras entraram em Pequim, vencendo a resistência e saqueando a cidade. A partir dali e por um grande período, estrangeiros, especialmente ingleses, tratavam a China como território ocupado. Isto acabou por determinar o fim da dinastia Ch'ng e a proclamação da República na China, tendo a frente Sun-Yat-sem. No entanto, a presidência fica com Yuan Shih-k'ai. Como consequencia da República, a Mongólia recuperou sua autonomia, assim como o Tibete.

Com a I Guerra Mundial, o Japão ocupou parte do território da China. Em 1921, foi fundado o Partido Comunista Chinês. 

Chiang Kai-shek liderou um exército nacionalista e recuperou vários territórios que estavam em mãos de estrangeiros. Ele se oporia ao radicalismo dos comunistas que, gradativamente, ganhavam terreno no país, conquistando várias cidades. Kai-shek partiu para uma ofensiva em toda China, entrando em Pequim para instalar o seu governo, em 1928,. Lançou, então, um grande ataque contra os comunistas, em 1936, confinando-os no norte do país. No ano seguinte, o Japão invadiu a Manchúria, colocando no governo um títere, P'u-i, o último imperador manchu da dinastia Ch'ing. As forças japonesas, a despeito dos protestos internacionais, ampliaram sua presença na China. Veio a II Guerra e o país estava dividido em três partes: uma sob controle nacionalista de Kai-shek, uma área ocupada por comunistas e a zona sob influência japonesa.

Com a derrota nipônica, começou o grande conflito entre nacionalistas e comunistas. Estes, com armas tomadas aos japoneses e capturadas aos americanos, empreenderam uma larga ofensiva, sob o comando de Mao Tsé-Tung. Os comunistas venceram os nacionalistas de Chiang Kai-shek, que se recolhem na ilha de Taiwan (Formosa). É proclamada a República Popular da China, sob a presidência de Mao, com Chu Em-Lai como segunda personalidade do governo comunista chinês. Começou uma série de reformas que acabariam com a propriedade privada e instauraria o modo socialista de produção. Nos anos 60, com a chamada Revolução Cultural, até a História seria interpretada de acordo com fundamentos comunistas. A aliança com a URSS, feita nos anos 50, foi desfeita e as relações entre os países estiveram tensas. Nos anos 70, os chineses se aproximaram dos EUA, sinalizando uma maior abertura política. Entretanto, em 1989, o governo ordenou o massacre de estudantes que reclamavam por reformas democráticas, no famoso conflito na Praça da Paz Celestial.

Embora permaneça comunista, a China hoje tem economia voltada para o mercado capitalista, sendo considerada uma potência econômica.

Fonte: IBGE

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