quinta-feira, 16 de julho de 2015

Isabel dos Santos

A filha do presidente de Angola é a mulher mais rica da África


Isabel dos Santos (Baku, RSS do Azerbaijão, 20 de Abril de 1973) é uma empresária angolana, com actividades ligadas aos sectores das telecomunicações, da banca, da energia e do retalho centradas no seu país e em Portugal. Segundo a revista norte-americana Forbes, é a africana mais rica e poderosa,4 5 6 com uma fortuna estimada de 3 bilhões de dólares. Em 2014, foi considerada como a empreendedora "número um" em África.

Biografia de Isabel dos Santos

É filha do presidente angolano José Eduardo dos Santos e da sua primeira esposa Tatiana Kukanova, de origem russa, na altura cidadã soviética e antiga campeã de xadrez. Isabel dos Santos estudou na St Paul's Girls School e é licenciada em Engenharia Eletrotécnica pelo King's College de Londres. Casou-se em Luanda, pelo civil, a 20 de dezembro de 2002, nos jardins do Palácio Presidencial, e no dia seguinte pela Igreja, na Sé Catedral,12 com o colecionador de arte, Sindika Dokolo, nacional da República Democrática do Congo,13 numa cerimônia onde compareceram cerca de 800 convidados em que metade eram familiares dos noivos, estando também entre os convidados vários presidentes africanos.

Negócios


Isabel dos Santos é descrita pelo jornal português Público como "uma boa mulher de negócios, extremamente dinâmica e inteligente, que também é profissional e amigável". O jornal britânico Financial Times escreveu, em Março de 2013, que “mesmo alguns críticos reconhecem o talento independente de Isabel dos Santos enquanto empresária”. Na mesma entrevista, Isabel dos Santos afirma que é uma empresária, e não política.

Começou as suas atividades na capital de Angola, Luanda, no início de 1990, e trabalhou na qualidade de engenheira gestora de projeto, na empresa Urbana 2000, pertencente ao grupo Jembas,  que ganhou o contrato para a limpeza e desinfestação da cidade. Na bem conhecida Ilha de Luanda, abriu em 1997, aos 24 anos, o Miami Beach Club, um dos primeiros clubes da noite na capital. Os negócios de Isabel dos Santos cresceram rapidamente, participando em várias holdings adquirindo propriedades e participações de empresas em Angola e no estrangeiro, nomeadamente em Portugal.22 A empresária trabalha sete dias por semana.

Isabel dos Santos participou no BRICS Business Council, em Joanesburgo, a 20 de agosto de 2013, onde estiveram empresários e investidores do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS) e de outros países africanos a debater medidas e iniciativas concretas destinadas a aumentar os laços negociais, de comércio, industrialização e investimento entre os BRICS e África. Nesta reunião, o Presidente do Banco Africano de Desenvolvimento, Donald Kaberuka, elogiou Isabel dos Santos como empresária exemplar no contexto do desenvolvimento das economias africanas.

Investimentos em Angola


A partir de 2008 Isabel dos Santos aposta noutras áreas de negócio, entre as quais a distribuição, a banca, as telecomunicações e a hotelaria. Nas telecomunicações foi fundadora e é membro da administração da Unitel, principal operadora de serviços móveis em Angola. Na banca é administradora do BFA (grupo BPI),26 e foi fundadora do Banco BIC, onde participa com um capital de 42,5 %. No ramo da distribuição, detém uma participação na empresa Condis, numa parceira, em Abril de 2011, com a portuguesa Sonae para o desenvolvimento conjunto de uma operação de exploração da atividade de retalho em Angola sob a insígnia Continente.28 Isabel dos Santos é ainda presidente da Cruz Vermelha de Angola.

Investimentos em Portugal


Em Portugal, detém importantes participações, nomeadamente através da Santoro Finance no Banco Português de Investimento e Banco BIC Português, que adquiriu o Banco Português de Negócios, e a cujo Conselho de Administração pertence, com autorização do Banco de Portugal, bem como noutras empresas, nomeadamente a Galp Energia e a ZON Multimédia, através da Unitel International Holdings BV e Esperanza Holding.

No dia 14 de Abril de 2011 a Sonae assinou um acordo de parceria com a empresa angolana Condis, detida por Isabel dos Santos e Sindika Dokolo, sobre a introdução de atividades em retalho sob a insígnia Continente, bem como sobre a participação numa sociedade imobiliária de grande envergadura. Os investimentos de Isabel dos Santos em Portugal em companhias cotadas estão sujeitas a supervisão oficial da CMVM.

Em Novembro de 2012 passou a integrar, com funções não executivas, o conselho de administração da ZON. Em Dezembro de 2012 tornou público convite para fusão da mesma com a Sonaecom. sob o nome ZOPT Oito meses depois, e após a luz verde da Autoridade da Concorrência, a fusão das duas empresas foi formalizada a 27 de Agosto de 2013, com a transferência para a ZOPT, a sociedade-veículo criada para avançar com a operação e que passa a deter mais de 50% do capital do novo grupo, das acções que Isabel dos Santos e a Sonaecom detêm, respectivamente, na ZON e na Optimus. Houve um aumento em espécie do capital social da ZOPT de 50 para 716 milhões de euros, a Sonaecom subscreveu 358 milhões de acções da sociedade, através da entrega de 81,8% do capital da Optimus.

Já a empresária angolana, através das holdings Kento e Unitel International, subscreveu exactamente o mesmo número de acções da ZOPT, entregando 28,8% do capital da ZON. Com esta transferência das participações detidas na Optimus e na ZON, a Sonaecom e Isabel dos Santos passaram a deter mais de 50% do capital da empresa resultante da fusão: a Zon Optimus SGPS.51 Nesta altura foi anunciada uma estratégia para a nova empresa com uma visão multimercados.

Em meados de 2012, os investimentos de Isabel dos Santos em Portugal ultrapassa os 1,4 mil milhões de euros. Em junho de 2015 os investimentos em Portugal valem, pelo menos, dois mil milhões de euros.
A 4 de Junho de 2015, Isabel dos Santos formalizou a compra da maioria do capital da Efacec Power Solutions (65 %), adquirida por uma injecção de capital de 200 milhões de euros. A Efacec Power Solutions agrupa as atividades centrais do grupo Efacec, que inclui a energia, com transformadores, aparelhagem, automação e mobilidade eléctrica, e engenharia, registando um volume de negócios de cerca de 500 milhões de euros anuais.

Foco nas telecomunicações


O ponto de partida foi, no entanto, a criação da Unitel. O desenvolvimento de um sistema de walkie-talkie abriu caminho à incursão nas telecomunicações e, após um processo de licitação justo, criou a maior operadora móvel de Angola, em parceria com a Portugal Telecom, a Sonangol e a Vidatel. Através da Unitel Internacional, uma plataforma de investimento da Unitel onde a Portugal Telecom não tem presença, adquiriu a operadora T+, em Cabo Verde e obteve a licença para constituir a segunda operadora de telecomunicações em São Tomé e Príncipe. No âmbito deste investimento anunciou, numa visita a São Tomé e Príncipe, que a Unitel vai investir na formação tecnológica no país e apostar na criação de emprego. Numa entrevista durante o New York Forum Africa, que se realizou em Junho de 2013, em Libreville, no Gabão, Isabel dos Santos referiu que o futuro das Telecomunicações em África não passa pelos telemóveis, mas sim pela conectividade, capaz de ligar o continente africano, independentemente do país.

Em Novembro de 2014, Isabel dos Santos revelou que a Unitel e a Google celebraram uma parceria para a instalação de um cabo submarino de fibra óptica que vai ligar África ao Brasil e o Brasil aos Estados Unidos. A empresária participou na 5.ª edição do Global Entrepreneurship Summit, que teve lugar em Marraquexe, Marrocos.

Holdings


Participações criados por Isabel dos Santos nos últimos anos.

  • Unitel International Holdings, (baseado em Amesterdão, alteração da denominação de Kento e Jadeium sociedade veículo para os investimentos de Isabel dos Santos no sector das telecomunicações)
  • Santoro Finance (baseado em Lisboa, sociedade veículo do investimento de Isabel dos Santos no Banco BPI, onde detém 19,34% do capital) 70 
  • Esperanza (baseado em Amesterdão, energia, óleo etc.) 
  • Condis (baseado em Luanda, negócio de retalho) Terra Peregrin (baseada em Lisboa, accionista da PT SGPS71 )

Controvérsias


Surgiram rumores de que para o seu casamento, se teria gasto só em talheres e similares, cerca de um milhão de dólares que Isabel dos Santos teria mandado reparar a Sé Catedral de Luanda e que à festa de casamento teria comparecido mais de dois mil convidados , ou ainda de que o total de custos do casamento teria sido de cerca de quatro milhões de dólares e que, além de terem ido buscar no dia um coro à Bélgica de propósito para o casamento, teriam também sido fretados dois aviões que transportaram o catering diretamente da França, no entanto, nenhuma destas notícias foram confirmadas.

O notável crescimento da empresária angolana no sector das comunicações em Portugal, levou a reações de preocupação nos meios de comunicação lusos. Vários jornais e revistas expressaram o seu descontentamento com as últimas operações, efetuadas em 2012. Segundo alguns editoriais, as operações podem levar a um monopólio em algumas áreas dos meios de comunicação, criando em Portugal uma dependência de Angola. Isabel dos Santos tem referido não ter qualquer interesse nos media nem de Angola nem de Portugal. Ao que parece Isabel dos Santos prossegue uma estratégia clara na economia portuguesa. Nos últimos três anos (2009-2012) a sua quota aumentou exponencialmente. Os sectores que mais chamam a atenção são a comunicação e o sistema financeiro. Ambas as atividades são também as prioridades de investimento nas próprias empresas de Isabel dos Santos em Angola e no estrangeiro. A preocupação dos agentes econômicos portugueses pode ser justificada pela recente investida da empresária angolana em compras de participações.

Segundo a jornalista Kerry A. Dolan e o ativista político Rafael Marques, a origem da fortuna de Isabel dos Santos está diretamente ligada à influência de seu pai, José Eduardo dos Santos, Presidente de Angola desde 1979. As empresas de Isabel receberiam recursos de multinacionais que pretendam estabelecer-se em Angola a fim de conseguir decisões favoráveis da Presidência angolana. Isabel dos Santos desmentiu imediatamente as acusações. De acordo com o que foi publicado na imprensa, os investimentos de Isabel dos Santos em empresas angolanas e/ou portuguesas são transparentes e têm sido realizados através de transações baseadas no princípio de plena concorrência, envolvendo entidades externas, tais como reputados bancos e escritórios de advogados.

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