quinta-feira, 16 de julho de 2015

Guerra Civil Angolana

A Guerra Civil Angolana foi um conflito armado no país africano de Angola, que teve início em 1975 e continuou, com alguns intervalos, até 2002. A guerra começou imediatamente após Angola se tornar independente do domínio de Portugal, em novembro de 1975. Antes disso, um conflito de descolonização, a Guerra de Independência de Angola (1961-1974), tinha ocorrido. A guerra civil angolana foi essencialmente uma luta pelo poder entre dois antigos movimentos de libertação, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA). Ao mesmo tempo, a guerra serviu como um campo de batalha substituto durante a Guerra Fria e o forte envolvimento internacional, direta e indiretamente e por forças opostas, como União Soviética, Cuba, África do Sul e Estados Unidos, foi uma característica importante do conflito.
Edifício destruído no Huambo.
O MPLA e a UNITA tinham raízes diferentes no tecido social angolano e lideranças incompatíveis entre si, apesar de seu objetivo comum de acabar com a ocupação colonial portuguesa. Embora ambos tivessem tendências socialistas, os dois grupos se posicionavam como "marxista-leninista" e "anticomunista", respectivamente, para mobilizar apoio internacional. Um terceiro movimento, a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), lutou contra o MPLA junto com a UNITA durante a guerra pela independência e o conflito de descolonização, mas quase não teve um papel significativo na guerra civil. Além disso, a Frente de Libertação do Enclave de Cabinda (FLEC), uma associação de grupos militantes separatistas, lutava pela independência da província angolana de Cabinda.

A guerra, que durou 27 anos, pode ser dividida basicamente em três períodos de grandes combates — 1975-1991, 1992-1994 e 1998-2002 — intercalados por frágeis períodos de paz. O MPLA conseguiu a vitória em 2002, mas ao custo de mais de 500 mil mortes e mais de um milhão de pessoas que foram obrigadas a se deslocar dentro do território do país. A guerra devastou infraestrutura de Angola e danificou seriamente a administração pública, os empreendimentos econômicos e as instituições religiosas da nação.

A Guerra Civil Angolana foi notável, devido à combinação da violenta dinâmica interna de Angola e a maciça intervenção estrangeira. O conflito tornou-se uma batalha da Guerra Fria, visto que a União Soviética e os Estados Unidos, juntamente com seus respectivos aliados, prestaram assistência militar significativa para as partes envolvidas na guerra. Além disso, o conflito angolano teve impacto na Segunda Guerra do Congo, na vizinha República Democrática do Congo, bem como com na Guerra da Independência da Namíbia.

Principais envolvidos: MPLA, FNLA e UNITA


MPLA: Movimento Popular de Libertação de Angola

Desde a sua formação em 1956, a principal base social do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) tem sido entre pessoas ambundu e intelectuais multirraciais de cidades como Luanda, Benguela e Huambo. Durante a luta anticolonial entre 1962 e 1974, o MPLA foi apoiado por vários países africanos, bem como pela União Soviética. No conflito de descolonização de 1974-1975, Cuba tornou-se o mais forte aliado do MPLA e enviava significativos contingentes de combate e pessoal de apoio para Angola. Este apoio, assim como o de vários outros países do Bloco de Leste, por exemplo, Romênia e Alemanha Oriental, foi mantido durante a guerra civil.


FNLA: Frente Nacional de Libertação de Angola

A Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) foi formada paralelamente ao MPLA e foi inicialmente dedicada a defender os interesses do povo bakongo e a apoiar a restauração do histórico Reino do Kongo. No entanto, rapidamente evoluiu para um movimento nacionalista, apoiado em sua luta contra Portugal pelo governo de Mobutu Sese Seko no Zaire, que pretendia trocar a ajuda militar pelo exclave de Cabinda Durante o início da década de 1960, a FNLA também recebeu apoio da República Popular da China, mas quando a UNITA foi fundada em meados dos anos 1960, a China mudou o seu apoio a este novo movimento, porque a FNLA tinha demonstrado pouca atividade real. Os Estados Unidos recusaram-se a fornecer apoio a FNLA durante a guerra do movimento contra Portugal, que era um membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), no entanto, a FNLA recebeu ajuda dos estadunidenses durante o conflito de descolonização e, mais tarde, durante a guerra civil também.

UNITA: União Nacional para a Independência Total de Angola

Principal base social da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) foram os ovimbundus, no centro de Angola, que constituíam cerca de um terço da população do país, mas a organização também tinha raízes entre vários povos menos numerosos do leste do país. A UNITA foi fundada em 1966 por Jonas Savimbi, que até então tinha sido um proeminente líder da FNLA. Durante a guerra anticolonial, a UNITA recebeu algum apoio da República Popular da China. Durante o posterior conflito de descolonização, os Estados Unidos decidiram apoiar a UNITA e aumentaram consideravelmente a sua ajuda ao grupo durante a guerra civil. No entanto, no último período do conflito, o principal aliado da UNITA era a República da África do Sul.

Desfecho da Guerra Civil Angolana


  • Vitória do MPLA 
  • Retirada de todas as forças estrangeiras em 1989 
  • Transição para um sistema político multipartidário em 1991/92 
  • A dissolução das forças armadas da FNLA 
  • Participação da UNITA e FNLA como partidos políticos no novo sistema político, a partir de 1991/92, mas a guerra civil continuou 
  • Jonas Savimbi morto em 2002 Acordo de paz imediata e dissolução das forças armadas da UNITA em 2002 
  • Resistência do FLEC continuou para além de 2002.

Consequências da da Guerra Civil Angolana


A guerra civil gerou uma crise humanitária desastrosa em Angola, ao forçar o deslocamento interno de 4,28 milhões de pessoas — um terço da população total do país. A Organização das Nações Unidas (ONU) estimou em 2003 que 80% dos angolanos não têm acesso a assistência médica básica, 60% não tinham acesso à água potável e 30% das crianças angolanas morriam antes dos cinco anos de idade, com uma expectativa de vida total nacional de menos de 40 anos de idade.

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