sexta-feira, 28 de março de 2014

De Anta Gorda a Quebra-Freio: curiosidades, particularidades e esquisitices dos nossos municípios

Escrito por Bruno Hoffmann

Que o Brasil é um país original está todo mundo cansado de saber. Mas o que dizer das curiosidades, particularidades e esquisitices dos nossos municípios?

Dizem que Deus fez a natureza. E o homem, as cidades. E por aqui parece que resolvemos caprichar: as fizemos de todos os tipos e para todos os gostos. São mais de 5.550 municípios espalhados por nossos 8,5 milhões de quilômetros quadrados, cada qual com suas peculiaridades e encantos – além de nomes pra lá de inusitados. Tem uns que soam como verdadeiros alertas: Quebra-Freio, Corta-Mão, Não-Me-Toque. Outros parecem mais convites aos viajantes: Venha-Ver, Passa-e-Fica, Passe-Bem. E tem ainda os bucólicos: Bela Solidão, Chá de Alegria, Bem-Bom. Outros são simplesmente inclassificáveis. O que dizer, por exemplo, de Jacaré dos Homens, Recursolândia, Vai-de-Cães, Pintópolis? É que nem goiabada com queijo: só mesmo no Brasil.

Mas não são apenas nomes esquisitos que fazem algumas cidades brasileiras absolutamente originais. Tem município em que todas as ruas têm nome de vegetais, lugar em que há mais presidiários do que homens livres, território onde caberiam quatro Holandas ou onde basta caminhar dois quilômetros para atravessar a cidade. 

Conhecer todas elas, nem para o mais dedicado dos viajantes. Mas as singularidades de algumas você pode visitar simplesmente seguindo o mapa do Almanaque Brasil. Aperte os cintos, que a viagem já começou.


Qual é o endereço?
Algumas cidades brasileiras batizam as ruas de forma curiosa. Em Rubiataba, interior de Goiás, todas as ruas têm nomes de árvores e plantas. Já na paulista Rio Claro os logradouros são numerados: rua Um, rua Dezessete, rua Vinte e Três, e por aí vai. Na fluminense Conservatória, autoproclamada “capital nacional da seresta”, o inusitado não está no nome das ruas, mas das casas. Desde a década de 1960, boa parte das fachadas deixou de ter números para ter nomes de música. E cada um escolhe a sua.

A primeira cidade

Engana-se quem acredita ser São Vicente, no litoral paulista, a cidade mais antiga do País. Apesar de ter sido povoada a partir de 1532, ela só foi oficializada como município em 1895. O título cabe a Salvador, fundada em 1549, também sendo a primeira capital brasileira. 

Borá não encheria um avião

Toda a população de Borá caberia num Airbus A380. A cidade paulista possui 837 habitantes. Em sua configuração mais otimizada, o superjumbo tem capacidade para transportar até 853 passageiros. A cidade é tão calma e pequena que bastam dois policiais para fazer a ronda das ruas. E para quem quiser comprar um pãozinho, há apenas uma padaria.

A cidade mais extensa...
Altamira, no Pará, é a maior cidade do Brasil. E a segunda de maior extensão do mundo. Com quase 160 mil quilômetros quadrados, é 105 vezes maior do que a cidade de São Paulo. Em sua área caberiam quatro Holandas. Mas sua população não faz jus a tanto espaço. Somente 105 mil pessoas vivem na cidade. Se ela tivesse a mesma densidade demográfica de São Paulo, a população seria por volta de 1,2 bilhão de pessoas, quase o mesmo que a gigantesca China.

...e a menorzinha
A menor cidade brasileira é Santa Cruz de Minas, com cerca de três quilômetros quadrados. Colada a São João del-Rei, a cidadezinha também é um tanto jovem: foi fundada em 1995. Para atravessá-la, o visitante não percorre nem dois quilômetros. Não tem desculpa para não visitar o parente que mora do outro lado da cidade.


Sol, chuva e neve 
Cabrobó, em Pernambuco, é o lugar onde menos chove no Brasil. A amapaense Calçoene é onde mais cai água. Já a catarinense São Joaquim é onde há mais registro de neve.

Homenagens a ilustres e desconhecidos
Algumas cidades são batizadas em homenagem a gente famosa, como Santos Dumont, em Minas, ou as capitais da Paraíba e do Acre: João Pessoa e Rio Branco. Mas há também ilustres desconhecidos que entraram no mapa:

Tio Hugo (RS) É o nome de um comerciante que ergueu um providencial posto de gasolina às margens da BR-386. De “região do Tio Hugo”, a cidade tornou-se Tio Hugo, dispensando sobrenomes.

Doutor Pedrinho (SC) Foi durante o governo de Aderbal Ramos da Silva, em 1948, que a região catarinense tornou-se distrito. O governador achou justo, portanto, que se fizesse uma homenagem ao tal Doutor Pedrinho, que vinha a ser o seu pai. 

Zé Doca (MA) É o apelido de José Timóteo Ferreira, que migrou do Ceará para o oeste maranhense em 1958. Foi ele que primeiro povoou a região. Afinal, além de sua mulher e 14 filhos, conduziu mais 10 famílias para o que um dia seria “a metrópole do Alto Turi”. 

De onde vêm esses nomes?
Varre-Sai (RJ) O nome viria de um aviso afixado num dos ranchos de descanso dos viajantes. A placa anunciava: Varre e sai. Ou seja, os tropeiros poderiam usar o alojamento à vontade, desde que deixassem tudo limpinho na saída.

Não-Me-Toques (RS) É um mistério até para os habitantes a origem do nome do município gaúcho. Há quem diga que era pela abundância da planta homônima na região. Mas há também a possibilidade de ser pela existência de uma fazenda chamada Não-Me-Toques nas redondezas.
Anta Gorda é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul.
Anta Gorda (RS) O nome foi inspirado numa memorável caçada ao pobre animalzinho no século 19. Em 1910 houve a mudança de nome para Carlos Barbosa, então governador do estado. Mas a população não gostou nada da troca. De tanto pressionar, a cidade voltou a ser Anta Gorda. E quem nasce lá é antagordense.

Cidade(s) planejada(s)
Ao contrário do que se pensa, o Brasil não tem apenas Brasília como capital planejada. Teresina, Aracaju, Belo Horizonte, Goiânia e Palmas também nasceram nas pranchetas de urbanistas.

Frio e calor separam duas Palmas
Há duas cidades chamadas Palmas no Brasil. Mas o clima delas é um tanto diferente. E justamente setembro é o mês em que isso fica mais claro. No ano passado, por exemplo, enquanto a capital tocantinense torrava a 40 ºC, a Palmas paranaense registrava gélidos 10 ºC.

A gigante e as baixinhas
A cidade com maior altura media do Brasil é Campos do Jordão, em São Paulo, localizada a 1.628 metros de altitude. Já a cidade mais baixa – que apresenta altitude zero – na verdade não é uma só, mas 138, todas no litoral. Nenhuma capital está no nível do mar. O Rio de Janeiro é a que mais se aproxima, numa média de dois metros acima do Atlântico.

Uma cidade, quatro idiomas
Além de português, a amazonense São Gabriel da Cachoeira – considerada a cidade mais indígena do Brasil – tem três idiomas oficiais: nheengatu, tukano e baniwa. É o único município brasileiro com esse privilégio, e também o primeiro a eleger um índio como prefeito. Nada mais justo: nove em cada 10 gabrielienses são indígenas.

O mais germânico dos municípios
A catarinense Pomerode se orgulha do título de "a cidade mais alemã do Brasil". Exalta a condição até no hino: Ó cidade mais alemã do Brasil, de beleza e graça. Deus te fez. Boa parte da população se mantém bilíngue – o alemão é ensinado até nas escolas públicas.

Nova Iorque é logo ali
No meio de tantas cidades, há também homenagens a lugares distantes. Pode acreditar: Nova Iorque fica no Maranhão, Buenos Aires é um município pernambucano. E tem também Califórnia no Ceará, Flórida no Paraná, Filadélfia na Bahia e atee uma Shangri-la, o paraíso perdido. Só que o brasileiro fica no Rio Grande do Sul.

Os últimos
Há apenas quatro cidades com a última letra do alfabeto no Brasil: Zabelê, no Pará; Zacarias, em São Paulo; Zé Doca, no Maranhão; e Zortéa, em Santa Catarina.

Tem cada hino...
Entre tantas exaltações de municípios Brasil afora, algumas se destacam pela originalidade (e por uma leve esquisitice).

Juiz de Fora (MG)
Das cidades brasileiras
Sendo a mais industrial
Na cultura e no trabalho
Não receia outra rival

Abreu e Lima (PE)
Seus governantes buscam o progresso
Que se constata no seu dia a dia
A praça São José é um sucesso
Sua fonte luminosa é orgulho e alegria

Nantes (SP)
No passado teu solo fecundo
Atraiu nordestinos ilusos
A esperança, a fé e a união
Fez de ti campeã do algodão

Assunção do Piauí (PI)
Onde hoje é a cidade de Assunção
O seu nome foi Paul, antigamente
Há muito tempo esse nome foi mudado
Ninguém esquece, está gravado em mente

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