quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Aceita um cafezinho?


Aceita um cafezinho?

Essa é uma pergunta bastante comum no dia a dia dos mineiros e carrega consigo uma série de significados. Ao convidar alguém para tomar um café o mineiro demonstra hospitalidade, afeto e disposição para o convívio. 

Se o café convida ao diálogo, ele possui também uma outra função: a de socializar os relacionamentos. Isso porque a bebida faz parte do cotidiano das pessoas, independente da classe social. Todos tomam café. E isso os torna iguais nesse momento.

Ao longo do dia a bebida assume uma outra função: a de dar um tempo na correria do mundo moderno. Nessa hora, “paramos para respirar”, para refletir e reorganizar o que ainda temos a fazer. É um verdadeiro “pit stop” na vida das pessoas nas grandes cidades.

 Por que isso acontece?

“O café é uma bebida prazerosa, que desperta as pessoas e as coloca pra cima, além de aguçar a concentração”, acredita Ruimar de Oliveira Júnior, proprietário de uma cafeteria instalada na região central de Belo Horizonte há 16 anos e que tem um diferencial: funciona 24 horas por dia.

É desse convívio diário com o público que Ruimar tira o argumento de que o café tem atraído cada vez mais os jovens, freqüentes no local, e que o faz arriscar-se a uma outra conclusão: as pessoas já conseguem diferenciar os diversos tipos da bebida pelo seu aroma e sabor, entre mais forte, ou encorpado, e mais suave.

E de onde vem essa presença tão forte do café como uma manifestação cultural dos mineiros?

“Essa cultura vem desde o século 18, com as grandes fazendas de café em Minas. Já naquela época os fazendeiros ofereciam aos convidados o que tinham de melhor em casa: o café. Com isso demonstravam a hospitalidade das famílias”, explica Jackson Cabral, coordenador da Área de Hotelaria e Gastronomia do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial em Minas Gerais (Senac). E completa: “Essa tradição foi se enraizando entre os mineiros, que gostam de conversar e receber os convidados com uma mesa farta”.

Aceita um cafezinho?
Cabral fala com a propriedade de quem organiza os cursos de barista do Senac. Barista é aquele profissional que se especializa no preparo de café e de outras bebidas a partir do grão, como licores e coquetéis. E ressalta: hoje as pessoas já preparam diversos pratos utilizando o café, como bolos, trufas, biscoitos e até mesmo carnes como o frango mineiro com café e queijo.  
  
Sabores de Minas

O cultivo do café está presente em 615 municípios mineiros, onde a variedade e os sabores mudam de região para região, devido a diferenças no solo e na altitude de cada plantação, informa Breno Pereira de Mesquita, presidente da Comissão Técnica de Café da FAEMG. Entusiasmado, ele diz: “com certeza o Brasil produz café para agradar o gosto de todos os brasileiros e fanáticos pela bebida no mundo todo”. Confira:

Sul de Minas: sabor doce e suave, com aroma acentuado. A produção de café corresponde a 70% da renda das propriedades rurais da região. Na região, os destaques são Varginha, Três Pontas, Guaxupé e São Sebastião do Paraíso.

Cerrado Mineiro: sabor doce, de aroma intenso, encorpado. Na região é predominante o solo argiloso e a topografia do cerrado favorece a mecanização das lavouras. Patrocínio, Araguari, Monte Carmelo e Araxá estão entre os principais produtores.

Matas de Minas: aroma marcante. As principais cidades produtoras são Caratinga, Inhapim, Manhuaçu, Manhumirim, Espera Feliz, Matipó, Santa Rita de Minas e Viçosa.


Fonte de riquezas

Se Minas Gerais fosse um país seria o maior produtor mundial isolado de café. Isto porque, sozinho, o Estado é o maior produtor de café do mundo.  No Brasil, há dois grandes estados produtores: Minas, que responde por 51% da produção; e o Espírito Santo, que produz 22%.

A produção de café de Minas Gerais não é grande apenas em volume. Representa geração de empregos e renda, inclusive de moeda estrangeira. Esta é segunda maior fonte de exportação do Estado, atrás apenas do minério de ferro. Mais café, mais recursos para o Estado, que pode investir em infraestrutura e serviços como saúde, educação e transportes.


Fonte: Programa Semeando - Programa de Educação Ambiental do Sistema Faemg Senar Minas
Programa Semeando - Uma lição que veio para ficar

Nenhum comentário: